Chá e guarda-infantes

A propósito do post do Prof. Raul Iturra que tão bem vem recordar a memória do “chá de Catarina”, este nosso colega, alerta também para uma outra característica da nossa gente, sempre disposta ao esquecimento das coisas aqui da terra. Quantas pinturas, estátuas, estatuetas e outras obras artísticas de autoria portuguesa, já vimos expostas em galerias e museus, onde a imagem daquilo que deve ser uma Infanta, surge sempre sob a secular e tutelar figura de Margarida Teresa, a central personagem da esplendorosa obra Las Ninãs de Velázquez?

É a velha questão atracção estética do vestido de balão, ou melhor, daquilo a que á época se chamava de guarda-infantes e que tanto espanto e celeuma provocou numa Londres já rendida à tutelar moda francesa. Alguns artistas, entre os quais destaco o Óscar Alves, já pintaram o tema “Catarina”, mas as preferências – ou o esquecimento assim o impõe -, vai sempre para a Niña dos Habsburgos, que pelas nove da manhã foram depostos num longínquo 1º de Dezembro, hoje em vias de extinção.

obras de Óscar Alves, no Atelier de Artistas.

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