O crescimento das crianças- 3ª parte (II) – Foste feito

cacique picunche, o rei de uma aldeia, hoje jornaleiro para sobreviver

Foste feito, eu existo. Como era.

Questão que se coloca qualquer antropólogo que deseja entender o que toda criança observa. Como era. È a primeira questão que colocamos nas suas mentes, quando estamos a observar o presente. Exemplo paradigmático do assunto, é o caso dos estudos de Jack Goody, especialmente na sua Lógica da escrita e a organização da sociedade, escrito em inglês em 1986. Mas, como o próprio Goody reconhece ao longo da sua obra, bem como Maurice Godelier ao longo da sua são as ideias, oralmente exprimidas e transmitidas, as que constituem a organização e a interacção social. A pequenada que temos observado, orientada por nos, têm-nos demonstrado nos seus diários de campo, como é que entende aos seus adultos. E o que cada criança vê, é um mundo heterogéneo, cujos antecedentes só começa a perguntar já em adulto, ainda que em pequeno, viva os resultados. Como era? Como é que era? Se eu existo, como será que tu foste feito? E o que é o que foste feito? Um produto de produtores, como eu tenho denominado já em outros textos? (1995 e 1992). Será a genealogia pela qual a criança pergunta? Ou o contexto social total, que, como no seu caso, envolve também aos seus progenitores?

A- Victoria

O caso de Victoria é muito directo. Ela nasce de Clodomiro e Reneria, como sabemos. Clodomiro é resultado de um a gestor de terras das famílias antigas da aristocracia espanhola e criolla, que no El Almendro, Quepo, entre Talca e Pencahue, existia. Nasce filho do feitor das terras onde O’Higgins foi criado, dois séculos antes, terras da família Cruz, de antiga origem e linhagem espanhol. A família da aristocracia criolla, nascida em essas terras. A família que é preciso olhar com os olhos em baixo e o chapéu na mão. A família cuja forma de falar, é de um castelhano diferente a do chileno de Clodomiro, cujas palavras nem se percebem, as vezes. O seu trabalho em criança, é colaborar com o seu pai, nos trabalhos das terras as quais o pai tinha direito, por ser inquilino, ainda que gestor depois, da família Cruz. Essas famílias católicas por gerações, que exigia um catolicismo duro dos seus empregados. Catolicismo que garanta o cumprimento no trabalho, quer para o rendimento das horas, quer para o comportamento na ausência de eles. Ausência que acontece normalmente durante o ano, ou em Santiago, ou no estrangeiro. Ou nos negócios da Fundição de Talca, ou na capital do País, as vezes, nas profissões exercidas na capital do País. Ou na vida política. Vida política sustentada pelos seus inquilinos. Clodomiro nasce em Quepo, essa antiga terra, embora venha trabalhar mais tarde nas terras do El Almendro, que um dia será a sua terra, ou uma parte do El Almendro, seu. Na sua infância, não vai a escola, embora a escola exista. Mas, para a criançada que tem tempo para assistir. É só mais tarde, pelos anos 39, que a educação é obrigatória para todos, no Governo Radical do Professor Dr. Pedro Aguirre Cerda, antigo camponês, quem, por causa do seu empenhamento estudava muito, licenciou-se em Pedagogia e Direito, habilitando-se em saber e com estudos de pós-grau na Sorbonne, Paris. Antigo docente secundário, lutou tanto, que ganhou a Presidência da República ate o dia da sua morte…ainda na Presidência.

Não é o caso de Clodomiro. Tem que acordar cedo, tomar conta das ovelhas, aprender a trabalhar sempre e a dormir no meio dos seus outros três irmãos Esses irmãos com os ques brinca, no meio do trabalho. Brinca com paus, com pedras, com os animais. Brinca quando rega as hortas. Brinca quando vai fechando regos com uma pedra e lama, para dirigir a água para o próximo rego. Clodomiro não vai a escola, e aprende algumas letras pela sua conta, ou dos seus irmãos mais novos, que sim que têm tempo e disponibilidade para estudar. Os estudos de Clodomiro, são feitos na interacção com o pai, que de inquilino passa a feitor. Inquilino, conceito que define ao indígena local, mais tarde criado chileno pelos decretos de O’Higgins do começo do Século XIX, e feito cidadão pela Constituição da República, no ano de 1825. Com direito a votar e ser candidato, desde que saiba ler e escrever, e desde que esteja dentro de um partido. O primeiro, é provado pelo dito Clodomiro, o segundo não é assunto que lhe seja importante. A família de Clodomiro vai-se espalhando pelas terras. Não há alimento suficiente nem trabalho suficiente em Quepo, na feitoria do seu pai. O seu irmão mais velho passa ao El Almendro, e com ele se transfere a esse fundo. Como condutor de camião primeiro, como proprietário depois, quando a Reforma Agrária é feita, pelos anos sessenta, em essas terras secas, de pedras, objecto da primeira lei de 1963, que pretende retirar das mãos da oligarquia, o improdutivo. E deixar, assim, nas mãos da astuta inteligência e do imaginário de quem conhece a terra por gerações, o trabalho da mesma. Sem outra tecnologia que essa inteligência, essas mãos duras com o trabalho, o trabalho produtivo. E como a terra deve ser paga, o trabalho é mesmo feito. E para se ajudar, é feito com trabalho paralelo. Como esse de camionista eventual. Uma terra para animais como as cabras e as ovelhas. Ovelhas que vieram substituir, em tempos da conquista do território, a lã dos animais incásicos e dos naturais do sitio, como as vicuñas o primeiro, os guanacos o segundo. É de esses animais, cujo produto vai á fábrica local de Talca para ser tratada, que os Clodomiros como ele, trabalham. É isto o que Victoria não vê. É quase sem existência, quando ele assim vive! E é muito pouco o que depois se diz e conta, pouca a comunicação, como para que a história pessoal do pai possa ser interessante, ou elo de comunicação. O que Victoria sabe, é que a situação muda, que os inquilinos são depois proprietários, e que têm que dedicar o dia todo ao trabalho para poder fazer frente á produção, ao pago dos impostos, aos investimentos. A mão-de-obra. A empregar a sua própria obra, como mão-de-obra. Seu próprio corpo, como tecnologia Clodomiro descansa na bebida, entretenimentos com os amigos quando falam do que estão a fazer, quando contam os assuntos de como empregar melhor o pouco que se tem. E, mesmo que não saiba, Victoria é resultado de esta experiência de vida do pai. Experiência que é andar pelos quatro caminhos da vida, em procura de recursos para aplicar á terra, quer do proprietário primeiro, quer á sua depois. Porque, com a lei dos anos sessenta, todo eles adquirem troços secos, de pedras, fazem obras de regadio, reorganizam a engenharia dos seus antepassados, os canais de agua que passavam pelos cerros, em declive. Em declive descendente leve. Como em ascensão teve também, vai-se a abrir a vida de todos eles. Como metáfora da forma que tenho debatido a teoria dos Grupos Domésticos (1979,1987, 1990 e 1998), eis o caso típico do crescimento e separação das pessoas da mesma casa: a rodearem sempre. Sérgio Luís, o irmão mais velho, nasce em Quepo e transita para El Almendro, em quanto Violeta de Quepo, a irmã, vai servir a Talca, como empregada doméstica, conhece um comerciante, casa, e via matrimónio, deriva em comerciante abastada. Entretanto, o irmão Luís Ezequiel, muda de Quepo para gerir o Fundo El Oeste de Pencahue, adquire com os irmãos, o que era todo El Almendro. Com rendimentos, muda-se para a vila de Pencahue. E casa com uma professora primaria, forte levantamento na sua vida, quando as letras entram na família. O irmão mais novo, começa logo como comerciante, primeiro em Pencahue, a seguir em Talca. Também com a colaboração da sua mulher, outra professora de ciclo na cidade de Talca. Vê-se logo que uma tira a outra, que a aliança do primeiro irmão a casar com uma professora, introduz aos outros a um contexto social novo, do qual começam a fazer parte. Eis que Victoria tenha as portas abertas, bem como no seu minuto, a sua irmã Rebeca, para os trabalhos intelectuais, para uma vida mais sofisticada, para uma vida onde o pensamento aberto faz falta, para uma vida que não seja só pensar na salvação da reprodução quotidiana. A descendência deste grupo, acaba por ser intelectual, a viverem do trabalho do pensamento, em empregos remunerados pelo Estado, ou em empresas próprias. (Genealogia 4) Toda ela é predominantemente professor da dita primaria, ou enfermeiras, ou , ainda, líderes políticos. Uma ascensão lenta, mas certa. De serem um dia nativos, depois inquilinos, logo mais tarde gestores de terra como feitores, proprietários com a lei supra citada, podem já pagar as habilitações que resgatam as pessoas do trabalho da terra. É o que Victoria não tinha reparado, da família do seu pai. É o que Victoria não tinha pensado que era o seu pai. O seu pai, não é só e apenas, esse ser que abandona a mãe, sendo um grande bebedor. O pai, esse ser  que a fez, é feito do leque de actividades que uma historia de vida, conta. Bem como a de sua mãe, uma família de agricultores também, descendentes de um espanhol imigrante que, nas terras dos proprietários de Rauquen, instala escola para ensinar a ler aos inquilinos, esses indígenas feitos já chilenos católicos, como referi no capítulo 1. E de uma de essas indígenas, começa uma descendência natural, que desenvolve o saber da mãe que com eles fica. E que ensina a eles a tratar da lã de ovelha, nesse começo do século XIX, quando não há industrias. Quando toda industria, é a mão-de-obra das pessoas, e todo intermediário o proprietário que vende os produtos das ovelhas. Mãe que cria uma estirpe de inquilinos, que o transcorrer do tempo, com as mesmas leis que usa o pai, passa a proprietários. Donde o ciclo da sociedade civil chilena, permite serem, mais tarde, trabalhadores de oficina e profissionais, como consta na Genealogia 5 de esta parte do capítulo. Ainda que, previamente e desde o século XVIII, como vou analisar no capitulo 3, toda a ancestralidade é inquilina. E, hoje, como será analisado no capítulo 4, os parentes são proprietários e profissionais, como a família do pai. Esses são os pais que Victoria debate, bem como os pais graças aos quais, Victoria foi feita. Feita, pelo conjunto de ideais trocadas entre todos eles, laços, informação, novos grupos, entendimentos heterogéneos. Victoria ora fala com uma irmã secretaria, ou com uma tia materna proprietária de um troço de terra, do qual é a sua própria jornaleira. Ora, ora. Ora com os seus parentes professores, enfermeiras, ora. Ora não fala como os do seu pai, para não criar laços que ela não quer criar. Victoria é também feita de um casal sem nenhum relacionamento familiar entre eles, sem a endogamía típica e costumeira de Pencahue. Onde é quase uma lei, casarem entre primos direitos, como primeiro matrimónio. Os primos direitos, ou consanguíneos filhos de germanos, herdam terras que depois juntam. Juntam para terem uma parcela maior de agricultura. Agricultura que, proprietária uma pessoa como um pai com vários filhos de varias mulheres diferentes, fica unida para o conjunto, conforme a lei civil chilena, e conforme a cultura Picunche referida. Porém, os pais são um conjunto heterogéneo de experiência, quando fazem Victoria: rural, tecelagem, industria, trabalhos domésticos, subordinação a um proprietário, subordinação a pais n
ão proprietários e feitores de proprietários ausentes. Autoridades de si, subordinados á autoridades. Com una conhecimento certo do que deve ser a paternidade, distancia, e a maternidade, proximidade certa, aleitação material e metafórica ao longo da vida. Facto ao qual se habitua Victoria, ainda que não conheça pormenores. Mas, toma partido. É costume que a mãe fique aflita, sofra por abandono e assim o comente dentro do lar, ou as suas famílias. A tia Avelina Castro, irmã da mãe, levou Victoria para um canto do prédio, falou-lhe ao ouvido, e perguntou se eu estava a par dos assuntos da irmã de ela. Como Victoria me contara. Porque Victoria herda de todos, a privacidade da intimidade. Yeyé fez privacidade que ensinou aos filhos, quando o pai não aparecia e ela queria desabafar sem comentários dos vizinhos. Comentários feitos, que ela não queria ouvir. Que queria ignorar. Muito forte era o hábito de acolher a mulher do outro, entre os Picunche inquilinos, como ela tinha sido. E ainda era, como comentava no cemitério, uma das filhas do Sr. Rojas, aí enterrado. Total, diz, sermos todos irmãos, temos todo o mesmo pai, temos todos a ajuda de tantos outros, mais do que nos sermos. A herança de Victoria. Herança que atravessa o que a República atravessa. De classe pequeno burguesa na Presidência de 1920 de Arturo Alessandri e a sua primeira Constituição Política popular de 1925. Todos passam a ter direito a voto, excepto as mulheres. O Socialista de Direita do Presidente Marmaduque Grove, no final dos anos vinte, cria uma República nazi que dita decretos excepcionais para governar de forma autocrática. A Ditadura Militar de Carlos Ibáñez de 1930, para derrubar a República dita socialista, com os seus mortos e desaparecidos, esse Ibáñez casado com uma proprietária Letelier de Corinto, distrito de Pencahue, Letelieres chegados à terra de Victoria do naufrágio de um barco francês no Século XVII. Um Ibáñez militar, que se faz Presidente eleito em 1933 e redistribui riqueza entre os pobres. E prepara o caminho para os governos da então esquerda, os radicais, dos Presidentes Aguirre Cerda eleitos em 1938, Rios, á morte do anterior em 1942, e o ainda vivo aos 90 e muitos anos, Gozález Videla, que foi eleito Presidente por Radicales e Comunistas ào falecimento de Rios em 1944. Mortes naturais, bem entendido. É denominado o Presidente traidor: fez um pacto com a direita, perseguiu aos membros do Partido de Recabarren, Pablo Neruda teve que fugir, era Senador do PC chileno e na Itália, a consulesa Gabriela Mistral, a nossa primeira Premio Nóbel em Literatura – Neruda foi depois, e tenho a premonição de uma Allende ser a próxima – matou, fuzilou, exilou a comunistas e pessoas homossexuais, aos que mandou entrar num barco velho, que foi afundado no meio do Oceano Pacífico. A família de Victoria teve outra sorte com o traidor: vive a liberdade de imprensa, melhores salários, horários fixos de trabalho, o voto feminino em 1949, a democratização das relações cidadãs, a imposição por cadeia, lei e exílio, do catolicismo, ao ser criada pelo González Videla a lei denominada da Defesa Democrática que faz fugir do País, como referi duas linhas antes, ao Senador Pablo Neruda. A família de Victoria vive, com todo, o clima de tentar construir a igualdade pelo governo directo do povo. Pela destruição final da aristocracia terra tenente e a possibilidade de todo cidadão com força política, ser eleito para cargos políticos de governo. Á distancia geográfica de milhares de quilómetros, é possível apreciar nesta terra, a realização do ideal liberal, libertário e criador de Repúblicas, de Simón Bolívar (Garcia Marquez: El General en su Laberinto, 1989) e Francisco de Miranda, professor em Londres, como Benjamim Franklin, do antigo vizinho de Quepo, Don Bernardo O’Higgins Riquelme.  Vizinho libertador e primeiro Presidente do Chile em 1818, que sonhava destruir o poder que a aristocracia teve sobre pessoas e coisas. Aristocracia ameaçada na sua riqueza e poder, organiza um complot e o envia ao exílio da sua morte no Perú, anos virados já. Igualdade que o contexto Mouneriano e de Maritain, plasmados na Democracia Cristã dos anos sessenta, trás a referida reforma agrária de terrenos secos, improdutivos, de pedra e pó, para o povo sentir justiça. Mais tarde, a terra toda do país é colectivizada, a boa e produtiva que estava nas mãos das famílias antigas colonizadoras, pelo Sr. Presidente Dr. Salvador Allende, esta medida é desfeita junto com o Presidente, e a terra transferida aos militares do ditador dos anos 70, 80 e 90. Que tiram as propriedades ricas para eles pessoalmente. Mudanças todas em curtos anos, percebidas pelos familiares, familiares a cultivar o silêncio e o secretismo das vidas pessoais. Eis a herança de Victoria, que nunca falou até perceber que podia dizer porque eu no transferia os segredos. Embora soubesse que queria escrever este texto, ou parte do dito, em este livro. Eis a herança que faz a Victoria, bem como a sua prima Alexandra Cárcamo, a Técnica Veterinária que tanto com nos trabalhou, a filha do Alcalde do Conselho de Pencahue. E que, por aí não morar, não tem entrado em este estudo, que tanto fez por produzir. Como Victoria. Como eu. Nos Junhos, Julhos, Agostos e Setembros gelados e brancos da Cordilheira de Los Andes em Talca. No conjunto destes factos existe Victoria, porque é no conjunto de eles que os seus pais sãos feitos. Pode-se apreciar como eles são recentes e heterogéneos, de um País que sofre a Colonização estrangeira, a ela adapta aos seus nativos, que nem memória têm de serem outra coisa que chilenos. Surpreendente é para Victoria, como para Alexandra, o facto de serem Picunche, mas não é surpresa para os vizinhos, que até sabem onde é que fica o cemitério indígena original, e o sítio de Huenchumali, onde os escravos Picunche eram atirados para ao morrer de cansaço e de fome. Ou o de Toconay, cheio das palmeiras dos jesuítas que aí estiveram até a sua expulsão no Século XVIII, a tentar salvar a cultura nativa local. Que ficou nos documentos aos que tive acesso pela permissão referida do pároco anterior, esse que foi embora com o primo de Victoria para Aguas Pretas ou Curicó em Mapudungum,em Castelhano Aguas Negras. Mapudungún, ou língua da terra ou da gente, a língua Mapuche dos Picunche, misturada com o castelhano local. Documentos e observação participante de três verões portugueses, invernos chilenos. Para entender este como era de Victoria e os seus pares. Um como era, combinado em uma epistemologia animista e cristã. Animistas, pelo culto aos espíritos que a ascendência mapuche legara, ao honrar ao seu deus, Pillán, que os pares de Victoria, professam. Animistas, passível de apreciar nos caminhos, cheios de monumentos feitos aos mortos. Monumentos piedosos as almas que podem-se zangar, se não tivessem um. Espíritos que habitam a terra e visitam e falam com as pessoas quando ficam sós ou vão em grupos. Victoria foi criada no respeito aos vivos e mortos, aos vizinhos e as ideias novas. Trazidas pelos pais, dos sítios onde tiveram que andar e dos mitos encarnados nas conversas e historias das pessoas, bem como nos costumes locais. Até vermos Victoria outra vez. Porque Pilar nos espera, para saber que Malinowski em l922, tinha já falado do animismo entre os Massim do arquipiélago Kiriwina da Melanésia, também no Pacífico Sul, como Chile. E Levy-Bruhl (19227) tinha escrito uma análise sobre o governo do comportamento pelas ideias animista e não pela razão. A mesma ideia que Mauss desenvolve a partir do trabalho de campo sobre o pecado do seu estudante Hertz (1922). A mesma que a pessoa leitora deste texto pode entender, se sabe que espírito há em todas as coisas e que explica a sua troca. Com a palavra hau que Mauss encontrou entre os Maori da Nova Zelândia (1924) e a palavra  mana que Malinowski (1922) e Firth (1929) encontraram para louvar às pessoas na Melanésia.
A mesma que estruturou o conceito aparecido dos ancestrais de Victoria. Como os de Pilar, descendente de celtas e visigodos, eles também a acreditar no espírito das pessoas e das coisas.

E a análise de este conceito de ser feito, trava em esta linha…

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