O ensino privado que todos pagamos vai ficar na mesma

Interpelado por Paulo Portas (quem melhor que ele para defender a privatização do ensino) Sócrates tremelicou e lá lhe saiu um “sem prejuízo do ano lectivo e do ciclo de ensino”. Forçar a transferência de alunos a meio do ano seria um disparate, quanto a isso todos de acordo.

Agora “ciclo de ensino” traduzido do socratês é muito claro: tudo vai ficar como estava, escolas privadas sustentadas pelo estado a concorrerem com as públicas, lucros chorudos para empresários e mais uma fonte de financiamento da ICAR.

Valha-nos que caiu o mito do custo por aluno nos colégios ser inferior ao do público mas na hora da verdade este governo é incapaz de resistir à pressão de uma Igreja, e de gente como o seu ex-deputado António Calvete. Tudo como dantes, quartel-general no largo do Rato.

Comments

  1. António Franco says:

    O mito não caiu pelo simples facto que não existe.
    Verdade, verdadinha, é que, de tanto insistir no mito, alguém há-de acabar por acreditar. Continue, não perca a esperança….
    Quanto ao acreditar em certos membros do governo quando dá jeito, estamos conversados e as galinhas tramadas…
    Já agora uma pergunta: ninguém paga o ensino estatal? É gratuito?

  2. Dário Tavares says:

    Caro cidadão
    Não é mito é a realidade. Nós temos contas feitas seriamente. O Senhor continue a acreditar nas contas do Secretário Trocado e nas galinhas com dentes.
    Gostei do seu título. Só lhe trocava o privado e punha público. Porque o privado dos ricos nós não pagamos. O público, seja ele de gestão privada ou estatal é que nós pagamos. Ou pensava que não pagava as escolas do estado. Se calhar é o Pai Natal que as paga! Espero bem que tenha razão e que o bom senso permita aos alunos que entre 30% e 50% dos que estão nestas escolas públicas de gestão privada, alunos dizia eu, que estão incluidos nos escalões A e B, ou seja com rendimentos familiares abaixo dos 600 euros, que eles possam continuar nas escolas que os pais puderam escolher.


  3. Se tem contas apresente-as. Vocês têm um estudo da OCDE, com 3 anos, e omitindo a forma como foi feito. Uma mentira pegada.
    Quanto à escolha dos paizinhos, quem quer luxos que os pague. Eu quero ensino público gratuito para todos, como manda a constituição e a decência. O resto é mera propaganda de gente que só sabe viver encostada ao estado e que se esconde do facto de dar cabo, por conta dos que nos governam, das finanças públicas.
    Não têm um único facto que não passe por mentiras e demagogia barata. É impossível o ensino privado ser mais barato pela simples razão de que visa o lucro. Ou o proselitismo, coisa que um estado de direito nunca deverá sustentar. A teocracia acabou.

    • Dário Tavares says:

      Olha o cidadão João José, voltou a aparecer. Seja bem reaparecido! Mas não vai querer começar tudo de novo. Lembra-se do Eng. Jorge Cotovio? Ele fez-lhe as contas e o senhor já se esqueceu! Por falar em contas mais actuais. Já multiplicou como eu lhe sugeri o número do Secretário Trocado por 24? Surprise. Mesmo que fosse verdade, uma vez na vida, uma conta apresentada por um membro deste Governo que o João José tanto admira, caramba ainda ia ter uma surpresa.
      Quantos aos «paizinhos» de que fala fica-lhe muito mal falar assim. Para um cidadão de esquerda estar a atacar pais de crianças que têm direito a estar no escalão A e B, que representam entre 33 e 55% dos alunos destes colégios, não me parece muito digno. São pessoas com rendimento abaixo dos 600 euros!Quem concorda de certeza consigo são os donos dos Colégios dos ricos. Esses estão contentes de vê-lo do lado deles!
      E quando fala de «gente que só sabe viver encostada ao estado e que se esconde do facto de dar cabo, por conta dos que nos governam, das finanças públicas» será que se está a referir a quem está nas escolas do Estado? Que eu saiba o dinheiro que as sustenta não vem do Pai Natal nem da venda dos dentes da galinha. Vêm dos nossos impostos. Se a teocracia acabou então porque quer fazer do Estado um novo deus? Só o que é do Estado é bom e puro? Porque não vai viver para Cuba, China, Coreia do Norte. se calhar sentia-se melhor na antiga URSS, ou no Estado Novo. Lá também se combateu e combate o ensino nõa estatal! Não se esqueça que se for para aí tem de fazer parte do aparelho de estado, senão lá se vai o Paraíso.
      Tenha uma boa noite!


      • Cidadão Dario, chega, não vou repetir-me.
        Passemos às declarações de interesses: eu dou cara, nome e profissão. Professor, ensino público por concurso público 100% transparente, com muita honra.

        Agora o cidadão Dario que se apresente, ou vá chatear a molécula a outro que a minha vida não é aturar-vos, caros colegas, que agora a correr lá se lembram que o são.


      • E pare lá com essa de eu me lembrar de aparecer: eu escrevo aqui, esta casa é um condómino onde habito. O Dario é uma visita, daquelas que quando chega se arma logo em dono da casa. Falta de chá, entre outras ignorâncias.

        • Dário Tavares says:

          Pois tem razão. Vou-me embora. Fui mesmo galinha! Não percebi que estava em sua casa e nela não se pode pensar de modo diferente do seu. Sou mesmo ignorante! Pensava que estas casas eram para todos podermos democraticamente e sem nos ofendermos trocar livremente ideias! Não voltarei sem bater à porta.
          Já agora sou pai de 3 filhos. O mais velho estudou no 1.º ciclo numa escola estatal. E gostei muito! Depois passou para uma escola pública de gestão privada. E gostei muito! Hoje teleforam-lhe da Universidade do Estado onde entrou e disseram-lhe que tinha sido a melhor nota de entrada do seu curso e até vai ganhar um prémio monetário, se calhar com os seus impostos. E gostei muito.
          Os outros dois estão no mesmo Colégio, um no 1.º ciclo, que eu pago e o outro no 5.º ano com contrato de associação. Não é uma escola laica. Aprendem lá muitos valores que os tornarão cidadãos mais honestos. E eu e eles, gostamos muito.
          Está respondido. Peço desculpa pelo incómodo. Passe bem!

  4. Pureza says:

    TODOS devem apresentar contas! Os pais devem poder escolher o ensino que desejam para os seus filhos. E, se pagam impostos, devem poder canalisar os mesmos para o ensino que desejam. Há zonas onde fazer uma escolha entre uma TEIP e um colégio privado não é nada difícil. Se tivesse de fazer essa escolha para um filho seu, o que faria? Iria para a porta do estabelecimento onde reina a indisciplina, a impossibilidade de se fazer cumprir programas (e não por culpa dos professores) e a impunidade ou tentaria afastar um dos seus para uma “COUTADA DA IGREJA” como já lhe chamaram, onde já há provas prestadas, com ensino de qualidade e com gente NORMAL?


  5. Um mau pai educa os filhos numa redoma. Um bom pai educa os filhos no mundo onde vão viver.
    Não tenho nada que sustentar um mau pai com os meus impostos.
    E você disse tudo: querem o direito a escolher a escola. E os outros que vos sustentem os caprichos.

    • Dário Tavares says:

      Não me diga que nas escolas do Estado não há maus pais! Se os houver pede desconto nos seus impostos?

  6. Nelson Matias says:

    O desejo de impor aos demais uma determinada concepção de educação/tipo de escola pode denotar uma falsa superioridade cujo resultado poderá muito bem derivar em efeito contrário.
    Discutir quem deve ser o detentor das escolas é um tema interessante, mas, diga-se em abono da verdade, é um exercício que, quando radicalizado, não pode gerar bom fruto. A educadores pede-se discernimento, conhecimento, capacidade de diálogo… e tudo isto (e muito mais!) assente na tolerância. Polarizar não é bom e quando essa polarização se distorce através de um filtro mental, a inteligência definha e a objectividade dá lugar à intuição, a uma distorção característica de quem pensa adivinhar o que os outros pensam porque projecta nos outros o comportamento que pensa que teria se se encontrasse na mesma situação.
    O caminho da generalização excessiva, da busca precipitada da conclusão geral, da confusão entre preferência e necessidade imperiosa é destrutivo, amargura-nos, frustra-nos, torna-nos cínicos. E isso não fica bem a um professor. E isso não tranquiliza o pai ou a mãe que recorre à escola, leia-se, ao professores, para o/a ajudar na missão de educar que aqui me escuso de qualificar ou descrever.
    Dediquemos tempo, consciência e energia a escolher lucidamente as encruzilhadas da vida para que rentabilizemos o tempo, que é escasso para tanto de útil que somos chamados a fazer.
    Centremo-nos nos alunos, na sua formação, nas suas famílias e nos seus interesses. É essa a razão de ser e de existir da escola. Tudo o resto é marginal a uma discussão que se quer e exige séria. Sabemos que a escola é incapaz de cumprir o seu papel se não tiver ao seu lado a família. Por isso, facilitemos-lhe a vida, deixemos que seja ela a escolher. E se não houver diversidade não haverá escolha. Quem melhor que a família saberá o que mais se ajusta aos seus filhos? É que a escolas não são neutras. Não caiamos na tentação de considerar tendenciosa a perspectiva da escola humanista, advogando utópica e/ou inocentemente a neutralidade da escola.


    • A escola humanista para si é a do tempo histórico do Humanismo? não é por nada mas entre reforma e contra-reforma prefiro a escola laica. Uma conquista civilizacional, como o ensino público gratuito para todos.
      O resto nem comento meu caro Nelson, a sua retórica tem a enorme vantagem de girar muito, tanto tanto, que cai no vazio de si própria.

      • Dário Tavares says:

        E porque carga de água havemos nós de pagar a sua escola laica e não termos o direito de poder ter uma escola não laica, MAS PÚBLICA E MAIS BARATA?
        Vá lá seja democrático: o senhor fica com a sua laica e pagamos todos. Mas deixe-nos escolher a nossa modalidade com a condição de que não lhe gastamos mais dinheiro dos seus impostos e que é pública!

  7. António João says:

    Mas afinal o que é que vale mais: as contas da OCDE ou do secretário que fez o milagre de dar dentes às galinhas? Eu desconfio que depende do contexto.
    Deixe-me ver se entendo bem: Todos os que optam pelo privado são maus pais? Mesmo os muitos colegas seus que resolvem colocar os filhos nesses colégios? Não será um lapsus linguae?
    A propósito, já viu a sorte que a galinha tem se estiver do lado correcto do sistema, pois pode ir ao dentista e, no final, receber parte do que pagou. Sortuda.


    • Se for a um dentista privado nada recebe. Se fala da ADSE, desconto do meu ordenado para isso.

      • Dário Tavares says:

        E agora até já compara a educação com uma ida ao dentista! Depois de ver uma galinha com dentes já nada me admira!

      • António João says:

        Pelos vistos sou um péssimo pai. Ainda bem, orgulho-me disso e agradeço a oportunidade que tive de o ser. A minha prole também agradece. E, provavelmente, muitos colegas seus.

  8. Antónia Fragoso Ramires says:

    Mas, o ensino estatal é gratuito? Ainda bem que agora cai o mito de que o ensino estatal era gratuito… Esperemos que a Ministra diga como faz as contas (mal feitas!) para dizer que no subsistema ensino estatal do ensino público é mais barato que no susistema do ensino privado do ensino público… Aguardamos, nós contribuintes, para que a Ministra diga como faz as contas… Isto de andar a gastar o dinheiro que é dos contribuintes à toa no ensino estatal é uma treta!!! Eu comparo as escolas estatais à RTP, TAP e companhia… Quando não há dinheiro “injecta-se” à custa sempre dos mesmos, nós!!! E depois ainda há a Parque Escolar… Esta história tem de ser contada aos portugueses…

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