Em apoio a Vera Fischer, como a compreendo

A actriz brasileira Vera Fischer, agora armada em escritora (e com elevada produção, pelos vistos escreveu 10 livros no espaço de um ano), foi bem clara na apresentação da sua, por certo, obra prima: “Eu não sei escrever pra gente pobre. Eu detesto.” Diz que a vida dos ricos é mais interessante. "Cada livro tem pelo menos uma viagem ao exterior." Uau…

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Como a compreendo, Vera. Há que fazer opções, não é?

Por mim, há muito optei não ler livros de gente reles. Por isso, os nossos caminhos nunca se irão cruzar.

Parece que, afinal, não somos dos que trabalhamos menos horas…

… podemos é trabalhar pior, mas isso é outra história.

Vacation Time
Via: Credit Score Blog

Contos Proibidos: Memórias de um PS Desconhecido. A independência de Angola


continuação daqui

Em meados do mês de Agosto de 1976, estava eu na Suécia a acompanhar Olof Palme e em colaboração com a campanha eleitoral do Partido Social-Democrata daquele país, quando recebi uma chamada urgente de Mário Soares com instruções para ir imediatamente para Luanda, onde me deveria juntar ao presidente do Partido António Macedo e a Manuel Tito de Morais, ainda formalmente responsável pelas relações internacionais do PS. Portugal reconhecera a República Popular de Angola a 22 de Fevereiro de 1976, mas as relações diplomáticas entre os governos dos dois países seriam suspensas dois meses depois, em Maio, pelo Governo Angolano. Este, depois de não respeitar os acordos que tinha assinado em Alvor, consideraria serem as atitudes do VI Governo Provisório inamistosas. Esta atitude derivava essencialmente da enorme e compreensível campanha na comunicação social contra Angola, naquele difícil momento das relações entre os dois países, quando centenas de milhares de portugueses regressados de Angola acusavam o MPLA de responsabilidades pelo seu dramático êxodo.
Entretanto, apenas dois meses após o corte de relações com Portugal, Agostinho Neto compreenderia que tal acto acabaria por atirar ainda mais o seu país para uma quase total dependência da União Soviética. [Read more…]

A Prenda de Natal*

“Trás-os-Montes, região esquecida e despovoada, vítima de promessas políticas incumpridas. O anúncio da construção de uma barragem ameaça a centenária linha ferroviária do tua. A identidade do povo transmontano está em risco de submergir.”

*Que, para causar orgulho, glória e vergonha, eu ofereceria a Cavaco Silva, António Mexia e a Fontes Pereira de Melo.

Presidenciais: Os ricos e os pobres

Na campanha para as Presidenciais, ouvimos todos os dias os ricos a falar dos pobres. Mais: os ricos enchem a boca com a palavra pobres, mesmo que da pobreza nada conheçam.
Cavaco fala dos pobres. Está mal, mas, apesar de hipócrita, tem desculpa: não passa de um pobre de espírito.
Alegre fala dos pobres, enxugando as lágrimas no intervalo de uma caçada no Alentejo vasto (mil perdizes cairão a seus pés enquanto o poeta recita «Cão como Nós»), entre duas bandarilhas espetadas no dorso de um touro, no arroto final de um lauto jantar com fados e guitarradas e onde os funcionários de serviço – os únicos pobres que ali estão – serão olhados com superioridade. Manuel Alegre não é um pobre de espírito. Mas é um hipócrita.

Querem uma boa avaliação? então vão comprar

Blogopédia – Dicionário da Blogosfera (Ana)

continuação daqui

(este post serve apenas como ténue amostra daquilo que se pretende para a Blogopédia – todas estas entradas, bem como aquelas que estejam em falta, podem e devem ser editadas na plataforma já disponível)

Ana Cristina Leonardo – Nasceu em Olhão em 1959. Estudou Filosofia, mas os livros foram desde sempre a sua grande paixão. Trabalhou na Assírio & Alvim, publicou o livro infantil «Joaninha, a Menina que não queria ser Gente» e foi uma das autoras da obra «Princesas, Príncipes, Fadas e Piratas». Faz traduções, revisões literárias e é crítica literária do jornal Expresso. Mantém desde 2007 o seu blogue pessoal, Meditação na Pastelaria. Mais recentemente, começou a escrever no blogue colectivo Vias de Facto. Nos seus posts, é bem visível uma visão de Esquerda da sociedade e da política portuguesa.

Ana Gomes -De seu nome completo Ana Maria Rosa Martins Gomes, nasceu em 1954 em Lisboa. Licenciada em Direito. Antes do 25 de Abril, entre 1972 e 1974, foi activista dos CLAC – Comitês de Luta Anti-Colonial. No período que se segiu à Revolução, militou no PVTP/MRPP. Esteve ligada à diplomacia desde 1980. Exerceu funções junto da ONU, em Genebra, e nas Embaixadas de Tóquio e Londres. Entre 1999 e 2003, esteve em Jacarta como Chefe da Secção de Interesses e depois como Embaixadora de Portugal. Nesse período, assumiu posições de grande coragem, defendendo Timor-Leste  na sequência do referendo que concedeu a independência ao país. [Read more…]

no meu corpo mando eu: nem governo, nem médicos, nem…

…para Catarina Almeida, interessada na minha saúde, fez um comentário que inspirou este texto…

Normalmente pensa-se que somos governados, quer pelas nossas células, quer pelas nossas vísceras, ou pelos cidadãos que gerem a nossa soberania.

O primeiro é o corpo. Somos seres humanos e pode criar-nos brincadeiras

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