Os pobres que paguem a crise

A propósito das taxas moderadoras e não só, gostaria de começar por secundar o repto feito aqui pelo Carlos Fonseca.

Ora, os meninos que estão no governo, desde que decidiram fingir combater a crise, passaram, igualmente, a fingir que descobriram o rigor e a equidade, factores que, pelos vistos, não eram tidos em conta na governação que conduziram até aqui. A partir de 1 de Janeiro, decidiram cobrar taxas moderadoras a qualquer pensionista ou desempregado com rendimentos superiores a 485 euros. Sem se rir, Manuel Pizarro, secretário de Estado adjunto e da Saúde explicou a medida: “A razão para esta alteração não é estritamente financeira, é de equidade e justiça social. É estarmos convencidos que não faz sentido manter esse benefício a pessoas que em função dos seus rendimentos ou património não precisam desse benefício do Estado.” Finalmente, o governo tem a coragem de pôr na ordem todos esses ricaços que ganham à volta de 500 euros por mês. É o Estado Social no auge da sua glória!

Entretanto, o JN escolhe para esta mesma notícia o seguinte título: “Desempregados e pensionistas com mais rendimentos passam a pagar taxas na saúde” Com mais rendimentos? Lá está, gente privilegiada. É mais um exemplo do jornalista-velejador: sabe sempre de que lado sopra o vento.  

Ano velho, ano novo

velho ano - novo ano

Eliminar taxas moderadoras – O que fazer a José Sócrates?

O governo “socialista” de José Sócrates acaba de consumar mais um acto de injustiça social, como é reconhecido por António Arnaut, co-fundador do Partido Socialista, em 1973, a quem é atribuída  a criação do SNS – Serviço Nacional de Saúde.

Através de portaria do Ministério da Saúde, a partir de 1 de Janeiro de 2011, os desempregados e pensionistas com rendimentos superiores a 485 euros, incluindo os rendimentos de juros de poupanças, elevadas ou limitadas, depositadas a prazo, perdem o direito ao benefício de taxas moderadoras. Portanto, terão aumentados os gastos em medicamentos e serviços médicos prestados no âmbito do SNS.

Segundo o jornal Público, cerca de 60 mil desempregados beneficiam de subsídio superior a 685 euros.  Todos estes serão, portanto, alvo da injusta medida. Todavia, o número de vítimas é significativamente ampliado por outros desempregados e, em especial, pela população de pensionistas. É conveniente lembrar que, entre estes últimos, existem inúmeros doentes crónicos com dificuldades financeiras que, a despeito das taxas moderadoras de que beneficiavam, já se confrontavam com avultadas despesas regulares em medicamentos. Segundo testemunho, ao alcance de qualquer cidadão,  é comum assistir em farmácias ao lamento de quem não dispõe de dinheiro para a totalidade da receita: “Uma vez que só tenho 20 euros, quais os medicamentos da receita que acha indispensáveis comprar?”. Enfim, histórias tristes de uma pobreza que, em vez de ser combatida, se expande.

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Vidas por um fio

(Opistótono, óleo sobre tela, de Charles Bell, 1809)

Eu acabara de comer a canja. Na minha juventude, os casamentos da minha aldeia tinham canja, frango estufado com ervilhas e vitela assada. Mas nem ao frango eu cheguei. Alguém me veio chamar para ir ver uma mulher que estava muito mal, lá para os confins da Serra da Gralheira.

Enfiei-me no meu velho Hillman Minx e fui até Junqueira, no alto da serra, onde um homem me esperava. Daí em diante o trajecto seria feito a pé por montes e vales. Quase uma hora depois chegámos a um casebre, em cima uma humilde habitação e em baixo o curral da vaca. [Read more…]

TVI: sondagens com o voto pré-marcado

tviAs sondagens online valem o que valem, ou seja nada. Mas abrir uma em que um dos candidatos já tem o voto marcado é ligeiramente exagerado. Não havia necessidade.

O presidente de todos os seus netos

Viva a Ensitel…

Uma cliente reclamou. A Ensitel não gostou que a cliente contasse a estória. A Ensitel processou a cliente. A Ensitel é uma besta fascista mas curtida!…

Senhor Ministro das Finanças mantenha os ‘boys’, mas agradeça ao Tribunal de Contas, por favor

Uma vez mais, o Tribunal de Contas, sem poder sancionatório, denuncia irregularidades no uso de dinheiros públicos. Várias sociedades do Sector Empresarial do Estado, em particular do sector dos transportes, não cumpriram o legislado pelo DL 191/99 de 5 de Junho; ou seja, em vez de fazerem depósitos e aplicações financeiras no IGCP – Instituto de Gestão de Tesouraria e do Crédito Público, como lhes competia, utilizaram a banca comercial. A CP, com 235 milhões, está no topo das empresas faltosas.

Parte da imprensa noticiava justificação para a demissão legal dos administradores dessas empresas, certamente induzida pelo Relatório do TC sobre a Conta Geral do Estado de 2009 e pelo nº 1 e alínea b) do artigo 25º – Demissão do DL 71/2007, a seguir reproduzidos:

   1 – O gestor público pode ser demitido quando lhe seja individualmente imputável uma das seguintes situações:

b) A violação grave, por acção ou por omissão, da lei ou dos estatutos da empresa.

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