Os colégios de Coimbra e o direito à desigualdade

Finalmente foi apresentado o estudo sobre Reorganização da Rede do Ensino Particular e Cooperativo com “Contrato de Associação”, em boa hora encomendado à Universidade de Coimbra. Logo atacado por ter sido dirigido por um conhecido militante do PS, já que por pudor ainda não disseram o que lhes vai na alma e podiam assumir sem vergonha: tal estudo só poderia ter sido encomendado à Universidade Católica, é claro.

Bem, a Carta Educativa do Município de Coimbra foi elaborada pelo conhecido militante do PSD José Manuel Canavarro e já concluía que

A capacidade da rede de escolas existente é, em termos de salas de aula, globalmente suficiente face às necessidades actuais. Em particular no que respeita às escolas públicas, a taxa de ocupação é de 73% em termos agregados e de 60% no caso das escolas secundárias.

o que só demonstra que em Coimbra ainda há uma Universidade a sério.

Numa leitura rápida do que foi hoje publicado, e respeita a Coimbra, fica finalmente denunciado o escândalo de os contratos de associação roubarem descaradamente alunos à rede pública, criando um gueto social absurdo, conforme tenho escrito e repetido. Destaco estes dados:

Total alunos ASE NEE
Col. Rainha Santa Isabel 451 5 0
Col. S. Teotónio 393 55 0
Col. S. José 134 14 0

Sendo a coluna ASE indicadora dos alunos com direito a Acção Social Escolar e NEE respeitar aos alunos com Necessidade Educativas Especiais.

Estes 3 colégio são o exemplo da vergonha: instituições religiosas que rejeitam alunos com dificuldades económicas e sobretudo cognitivas, desmentindo a ladainha de vários comentadores. A hipocrisia no seu melhor, no negócio de separar os alunos à nascença, para que as elites cresçam sossegadas. Numa palavra: a filhodaputice institucionalizada e o estado a subsidiar o direito à desigualdade.

Propõe o estudo que se reduza o número de turmas a sustentar com dinheiros públicos. Está mal, e a questão é política: nem uma deveria receber um tostão que fosse, e enquanto assim for a escola pública estará a saque.

Comments

  1. Xokapic says:

    O estudo é atacado por:
    – ter sido encomendado pelo ME;
    – A elaboração é da faculdade de letras ? Não é um estudo socio-económico ? Não deveria ter sido à Faculdade de Economia ?
    – Está errado: Façam as contas entre as percentagens indicadas e os valores absolutos dos vários quadros com dados e vejam que não bate certo. Exº 393 alunos elegíveis. 55 escalao A B -> percentagem = 14% . Indicação no estudo 9.6%…

    Não é inocente…


    • Zero alunos com NEE dá 0% não dá? Pois essa é a conta principal, esses são os números da vergonha.
      Quanto ao facto de o estudo ter sido coordenado por um geógrafo e não por um economista só abona a seu favor.

      • joão antunes says:

        só gostava de saber em que dados se baseou o estudo para dizer que no rainha santa não há NEE. sei do q

  2. joão antunes says:

    só gostava de saber em que dados se baseou o estudo para dizer que no rainha santa não há NEE. sei do que falo.


  3. Sabe?


  4. Ó Zé.
    A ignorância sempre foi atrevida.
    Com que então, a prova da vergonha está no facto de teres um quadro com a coluna NEE a zeros?


    • Ó Reitor, a arrogância na falta de argumentos é atrevidota: com que então deixamos de fora os NEE’s, e toca de falar em direitos? Seleccionamos os alunos e falamos em igualdade?
      Bons negócios, sim senhor.

  5. joão antunes says:

    bluesmile, infelizmente sei.

  6. joão antunes says:

    diga-me, joão josé. como é feita, então a selecção de alunos nestes colégios?


    • O regulamento interno do CRSI está disponível na sua página e é bem claro sobre o “percurso educativo” do aluno. Nos outros não será muito diferente. O que se constata é que nestes 3 colégios alunos “problemáticos” não têm lugar.

      Quanto ao não aparecer nenhum aluno com NEE nestes colégios, até acredito que seja um exagero, e pode dever-se a não estarem como tal registados junto da DREC. O que seria grave por outras razões: um aluno com NEE deve ter apoio de uma equipa especializada, e não estou a ver um colégio e conseguir fazê-lo sem recorrer à DREC.

  7. nelya says:

    Chama-se a isto “colégios inclusivos”. Vergonhoso….Toda a gente deveria saber estas verdades….Acabe-se com esta fantochada dos Público-privados. Quem quiser andar em colégios que pague…não é o Zé Povinho que tem de pagar para esta chularia toda.

  8. xokapic says:

    Desde que os meus impostos não sejam para financiar os gastos luxuosos do sistema público cujo objectivo final não é ensinar mas sim passar de ano.


    • Compare a diferença entre a média de frequência com as médias dos exames dos alunos do CRSI e do D. Maria, e depois falamos.
      É preciso lata, quando toda a gente sabe que o facilitismo começou nos colégios.

      • Albano Coelho says:

        Sem dúvida. Já no meus tempos de estudante em Portugal o típico expediente para subir a média era matricular-se em certos colégios privados onde, desde que se pagasse, era certo que isso acontecia. Realmente é preciso ter lata…

      • Paulo Morais says:

        O facilitismo começpu nos privados…
        Enfim!
        Só asneiras!

  9. Paulo Morais says:

    O estudo do geografo (militante PS) foi encomendado e muito bem pago! Só não percebo o que anda a equipa da DREC que trabalhacom a rede a fazer? São assim tão incompetentes? Fazem estudos deste calibre com os meus impostos? Para chegarem a conclusões compradas?!
    A Universidade de Coimbra continua a sua senda de interesses que a transformou numa escola absoleta e castradora da própria cidade. Se através deste estudo poderemos avaliar a Universidade de cOIMBRA….

    “António Rochette, que coordenou o estudo para o Ministério da Educação, afirma que desconhecia o projecto para a escola pública vizinha: “Não fazia a mínima ideia.”
    Na vizinhança de um dos colégios financiados pelo Estado para garantir ensino gratuito vão ser investidos, segundo a Parque Escolar, 10 milhões de euros para transformar uma escola pública de modo a que possa acolher turmas do ensino secundário, um ciclo que hoje a escola não tem.”

    sr, João José espero que não tenha estudado na U. Coimbra então!!!!

  10. Tiago says:

    Portanto uma escola com 0 alunos com NEE é automaticamente um roubo e uma vergonha? O facto de haver muitas escolas estatais com 0 alunos de NEE é o que então? Se calhar essas escolas deviam já ser condenadas de corrupção porque tb deve ser um roubo!

    O estudo em nada refere se as escolas podem receber estes alunos, se podem sequer receber alunos destes, nem compara com as escolas ao lado e os alunos de NEE nestas escolas, nem necessidades das zonas de alunos de NEE e já estamos a dizer que as escolas estão a escolher os alunos?

    Para que ver os factos e usar a cabeça para pensar quanto existem pessoas como o João?

    Isto assim é um espectáculo. João, a seguir podes fazer uma comparação de receitas de empresas e os impostos que pagam! Considerar os custos? Nada disso! Roubo! Roubo! Fogo! Fogo!

    Espero que ao menos seja mesmo por falta de inteligência que este post tenha sido escrito, e não seja uma tentativa propositada de enganar os leitores…

Trackbacks


  1. […] João José Cardoso diz que as escolas com contrato de associação de Coimbra “roubam descaradamente alunos às […]


  2. […] Sendo que, azar dos Távoras, no ensino básico apenas 4,6% dos alunos com NEE estão em escolas privadas e no ensino secundário apenas 5,2% e, acrescente-se, a estatística engana mas o algodão esclarece quando passamos das escolas com verdadeiros contratos de associação para as dos contratos ilegais. […]

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.