Nova História da Porcaria.

Desde que a Nova História veio estabelecer que na historiografia não há barreiras, que alguns historiadores e estoriadores deixaram de se pôr em bicos dos pés e alegremente deram azo aos seus desejos mais íntimos. O voyeurismo histórico está na moda. Espreitar através dos buracos da fechadura é o único método e o único alívio para estes onanistas da cronologia. Mesmo que não interesse absolutamente nada saber a cor ou o material dos cueiros do Colombo, o número de vezes que o nosso D. João VI comia coxas de frango, se D. Carlota Joaquina se amantizava, ou sequer se Napoleão tinha chatos, estes parecem ser os temas em voga. E ainda que a dimensão do nariz de Cleópatra tenha influído na História Universal, (vá lá, compreende-se a pertinência da contra-factualidade), conhecer os pormenores sórdidos da alcova régia ou presidencial para que serve? Apenas masturbadores compulsivos que pretendem livrar-se ocasionalmente da lascívia que os apoquenta. A maior parte disto é porcaria. História do Sexo? História do Peido? História do Coito? História Queer? Amantes dos Reis de Portugal? Pormenores escabrosos de teor sexual? O que é isto? Nada, é claro. A maioria dos “investigadores” nem se preocupa em relacionar o tema e o objecto de estudo, no Tempo e no Espaço. Vamos analisar a tal história queer ou homossexual. Primeiro, ambos os termos são contemporâneos e, em segundo lugar, a própria consciência de “ser-se” homossexual é também recente. Como conceber isto aos olhos da medievalidade ou do classicismo? Impossível, dada a escassez de relatos na primeira pessoa É, aliás, impossível traçar uma linha que seja verdadeira e honestamente científica da tal “homossexualidade” desde, vamos supor, a Pré-História até hoje, que não seja pela biologia. Mas para isso não é preciso um historiador que nos venha elencar os homossexuais ou as lésbicas “famosas” desde há milhares de anos. Porque é disso que se trata, “desmascarar” os famosos nas suas “grandezas ou misérias” e expô-los ao ridículo – o que não deixa de ser curioso quando a ideia inicial de alguns destes articulistas ou historiadores até seria fazer a apologia da tal orientação sexual, supostamente errada ontem e correctíssima nos dias de hoje. Os livros ou as reportagens que saem todos os dias sobre estas questões só servem para satisfazer  as vendas editoriais, o ego de certos autores e o deleite de alguns leitores, desejosos por trocaram a monótona vida sexual que levam, pela garbosa e debochada vida dos mortos. De resto, como é sabido, jornalistas não escrevem História. Só estorietas. Por isso a estes já muita gente não leva a sério. O pior é quando cientistas sociais embarcam nesta brincadeira e sujam as mãos com tanta porcaria.

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