Khadafi incita à guerra civil

O uso de meios militares e assassínio de centenas de contestatários, a fuga de milhares de estrangeiros, a deserção de embaixadores, a redução drástica ou mesmo paralisação de petrolíferas  constituem sinais marcantes da luta do povo líbio pela queda de Khadafi.

O ditador falou ao país pela TV. O local escolhido, estrategicamente, foi o palácio bombardeado pelos EUA na década de 1980. O que disse de essencial? Subestimou os acontecimentos registados e o grau de adesão à contestação.

De semblante perturbado, agarrava e largava os papéis inspiradores do discurso. Intercalava palavras com silêncios, procurando uma comunicação consistente. Sem o conseguir. A certa altura, socorreu-se do ‘código penal líbio’. Intimidou os revoltosos com a pena de morte. Não faltou o recurso ao ‘inimigo externo’, argumentando também que uma minoria de jovens líbios, sob o efeito de alucinogénios, estão a ameaçar a estabilidade e os superiores interesses do povo líbio. “Há que combater essa minoria”, acentuou. De seguida afirmou: “Em defesa da revolução, digo sobretudo aos jovens que constituam comités populares para lutar a partir de amanhã”.

Ao estilo dos velhos ditadores em desespero, Khadafi lançou um claro incitamento à guerra civil. “Para que o povo líbio possa defender a riqueza do país”, sublinhou. “Eu não tenho nada, porque petróleo e outras riquezas da Líbia pretencem-vos” foi o maior dos topetes usados.

Com ironia, registamos que o dirigente líbio, pobre auto-declarado, tem a firme disposição de lutar até à morte, ao lado do povo. De que muito sangue ainda correrá na Líbia, é hipótese muito provável. Todavia, “o não ter nada” é mentira grosseira. Pelo contrário, a fortuna do clã Khadafi é inenarrável. E os múltiplos negócios em Itália pela mão de Berlusconi são parte importante.

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