Sem surpresa

É compreensível algum silêncio incómodo em Portugal perante as declarações de Thomas Stephenson, assunto que já mereceu um post do Jorge. A reacção corporativa surgiu do General Loureiro dos Santos, que desvalorizando as questões sobre a compra de equipamentos, procura tratar o assunto como uma divergência de interesses económicos, entre os EUA e as Forças Armadas. Mas deixando de lado a questão dos equipamentos, que não é de forma alguma uma discussão inútil, importa debater que Forças Armadas pretendemos, sem esquecer que Portugal reivindica a continuidade da plataforma continental até aos Açores, a somar ao arquipélago da Madeira, o que implica algum esforço financeiro em meios navais e aéreos, quais será uma discussão para especialistas.

A verdade que ninguém contesta são os aviões que não voam, mais almirantes que navios, uma evidente desproporção entre o número de soldados e generais. A desculpa da guerra colonial não cola, pois passados 36 anos a totalidade dos oficiais que combateram em terras do ultramar, já atingiram a idade de reserva. As forças armadas não são diferentes da administração pública, se efectuarem um levantamento em todas as Direcções-gerais ou regionais, Institutos, Autoridades e demais lugares onde chegam os tentáculos do polvo Estado, facilmente se verificará que existem chefes a mais para trabalhadores e trabalho a menos. Chegámos ao estado em que estamos, muito graças ao carreirismo que se foi instalando e parasitando o Estado, albergando sob o seu manto protector cerca de metade da população, directa ou indirectamente, ficando a outra metade condenada ao pagamento da factura, através da extorsão fiscal que é o nosso sistema tributário…

 

 

 

Comments

  1. António Fernando Nabais says:

    Só discordo, parcialmente, do fim: o evidente parasitismo do Estado (a grande fonte de despesa inútil) é, também, pago por muitos trabalhadores do Estado.

  2. António de Almeida says:

    Obviamente que a responsabilidade não cabe aos trabalhadores do Estado, em primeiro lugar porque se não estivessem lá os que estão, estariam outros. Em segundo lugar porque o sistema não beneficia propriamente a base, mas o topo e principalmente uma casta média, que é nem mais nem menos, que o tal bloco central de interesses instalados… E claro, todos contribuem, trabalhando no Estado, ou não…

  3. Artur says:

    Também beneficia e muito a base. Dê uma volta pelas autarquias, sobretudo as a sul do Tejo e nas Ilhas e veja o numero exagerado de funcionários de base que vivem do erário publico. Ataca-se sempre o topo, talvez um pouco por inveja e ressentimento, mas na verdade na base também há, em determinados serviços, servidores do Estado que lá estão quase por caridade. Por outro lado há sectores do Estado que estão (e muito) deficitários de funcionários quer de base, quer intermédios quer de topo.


  4. as afirmações do ex-embaixador são um insulto ao país.

  5. Rodrigo Costa says:

    … Não vejo razão para as queixas dos funcionários do Estado. Tê-la-iam, ou poderiam ter, se se queixassem, também, do modo como são admitidos, dos concursos viciados —quer para admissão ou promoção na carreira—, com as vagas preenchidas, mesmo antes de abertas a concurso.

    O sol na eira e a chuva no nabal… penso que ninguém tem. É nas repartições do Estado que existe o conhecido “casaco”, o tal, o que é próprio para estar pendurado na cadeira; aquele que nunca é vestido; que serve, apenas, para dizer que o funcionário (chefia ou nem por isso) “está cá; já chegou!… deve é ter ido a qualquer outro departamento…”. Pelo telefone, disfarçadamente: —Zé!… Ainda demoras?… Já vieram à tua procura…

    À grande maioria, se lhes fosse possível escolher, prefeririam ganhar menos, a ir trabalhar para o sector privado.

    Quanto às declarações do Embaixador… elas não ferem a verdade: nem parece que que devam constituir motivo de vergonha para o País; porque, se houvesse vergonha, não havia motivo para as declarações do Embaixador.

    Mais, estas declarações só são possíveis vindas de alguém exterior, que não esteja comprometidos com o “sistema”; que não viva da cumplicidade que gera este estado de coisas. Aqui, toda a gente sabe que é assim; mas também se admite, com toda a naturalidade, ser esta a forma muito portuguesa de viver. Pergunta: —que têm os estrangeiros a ver com isso?!… Metam-se na vida deles…

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