A Manifestação de todos

Eu fui à manifestação. Fui com a minha mulher e a minha filha. Fomos.

 

Os motivos que a ela nos levaram eram diferentes daqueles que motivaram os meus vizinhos a marcar, igualmente, presença. Nos Aliados encontrei muitas caras com quem me cruzo ao longo dos anos. Na rua, no futebol, na política, no jornalismo, nas lojas, na farmácia, no supermercado ou no restaurante.

 

Ao meu lado um grupo protestava contra os recibos verdes. Eu prefiro protestar conta o esbulho fiscal nos recibos verdes. Outros preferem protestar contra o facto de recibos, sejam eles verdes ou azuis, nem vê-los.

 

Junto ao antigo Império protestam contra toda a classe política. Eu prefiro protestar contra este Governo, o que não é bem a mesma coisa. Mas anda lá perto. Vi mães a protestar contra a falta de emprego para os filhos e netos. Eu protesto, sim, mas pela criação de trabalho, de mais investimento privado sem subsídios/dependências do Estado.

 

Muitos protestavam contra as políticas do governo e eu sigo-os aproveitando para protestar contra as políticas do facilitismo e do curto prazo. Outros, num canto mais distante, protestam contra tudo e todos.

 

Cada um dos manifestantes esteve nos Aliados e na Batalha por motivos bem diferentes e essa diversidade foi patente a quem perdeu algum tempo a observar a multidão. Na(s) praça(s) estiveram os saudosos de Lenine de braço dado com os desejosos de um novo Salazar assim como estiveram, em maioria, aqueles que querem algo tão simples: um Portugal bem diferente.

 

O espantoso deste movimento verdadeiramente espontâneo é essa diversidade que uniu, numa tarde mal disposta e ameaçadoramente chuvosa, gente da direita à esquerda passando por independentes e por aqueles que sabem lá o que é a Social-democracia, o Socialismo, o Comunismo, a Democracia Cristão, o Liberalismo ou o Conservadorismo.

 

Apenas uma coisa nos uniu a todos: um forte sentimento de BASTA deste governo. Foi esse o único cimento agregador de todos estes milhares de portugueses e portuguesas que se juntaram na Batalha e nos Aliados. Uma vontade avassaladora de ver Sócrates e os seus ministros pelas costas, rapidamente e em força.

 

Eu estive na manifestação. Mesmo concordando com boa parte do que Joel Neto escreveu hoje na Notícias Magazine assim como subscrevendo muito do que escreveu, na mesma revista, o Carlos Abreu Amorim. Independentemente daquilo que separava os milhares que marcaram presença, a ausência seria a demissão daqueles que afirmam desejar um Portugal diferente. Isso bastou para rumar ao centro da minha cidade.

 

É tempo de dizer BASTA.

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