O direito a não fazer greve

 Apedrejamento de camiões na A1 provocou ferimentos numa criança

 

 

Não concebo um mundo sem direito à greve. Também não concebo um mundo sem direito a não fazer greve.

Há gente civilizada que pode ou não fazer greve, sempre dentro do respeito pelas decisões alheias, algo essencial em Democracia.

Há, com certeza, muita gente que sonha com um mundo sem greves e, de preferência sem direitos laborais: uns estão no governo e querem voltar a estar; outros já estiveram e querem voltar a estar. É gente que se aproveita da Democracia para ir exercendo uma ditadura. São trogloditas disfarçados de fato e gravata.

Há gente que ameaça ou apedreja os que optam por não fazer greve. É gente que se aproveita da Democracia para ir exercendo uma ditadura. São trogloditas muito pouco disfarçados.

Os trogloditas lidam mal com a Democracia. Os trogloditas que se afirmam democratas são apenas gregários ou tribais. A individualidade faz-lhes confusão. São uma afronta à Democracia.

Que me seja perdoada a injustiça contida em qualquer generalização.

Comments


  1. Toda a gente tem direito às suas decisões individuais – desde que as consequências dessas decisões não recaiam sobre outrem. Tem a certeza que o direito à “não-greve” se enquadra neste critério?

    • António Fernando Nabais says:

      Caro José Luiz

      Não sei se existem muitas decisões inviduais que não recaiam sobre outrem. Fazer ou não fazer greve é uma delas, como votar ou abster-se, por exemplo.
      Há decisões individuais que devem ser limitadas? Claro que sim. É por isso que existem leis. A velocidade a que se pode conduzir um carro por uma zona habitacional não deve ser deixada simplesmente ao critério de cada indivíduo.
      A decisão de convocar uma greve só pode ser colectiva; a decisão de a fazer deve ficar ao critério de cada um e à sua própria consciência e não isenta, obviamente, a possibilidade de se ser criticado por não a fazer. O que considero intolerável é o exercício da violência sobre o indivíduo para o forçar a fazer greve (ou para o forçar a não fazer, como é evidente).
      Fica uma provocação: o José Luiz defende que a greve deva ser obrigatória?

      Muito obrigado por ter passado por aqui (sou leitor e admirador das “suas leituras” e não sinta este sincero elogio como uma tentativa de o adoçar)


      • Caro António Fernando: Entendo que a greve deve ser obrigatória, sim, se convocada legalmente e decidida democraticamente (o que muitas vezes não é o caso, admito). As minorias têm direitos, mas não se conta entre estes o direito a esvaziar de eficácia as decisões da maioria.

        Uma pessoa que exerce individualmente o seu “direito” a não fazer greve vai depois usufruir dos direitos que essa greve possa conquistar ou manter. Não há nisto nada de democrático nem de moral: há parasitismo puro e simples. Quem exerce o seu direito à greve paga um preço; quem exerce o seu “direito à não-greve” não paga preço nenhum: viaja à borla.

        E mais: a sindicalização devia ser obrigatória. Há obrigatoriedades que libertam, e esta é uma delas. Se eu for obrigado a sindicalizar-me, ninguém poderá impedir-me de o fazer; mas se não for obrigado posso ser impedido.

  2. pisca says:

    Há um erro base neste post, Não é Uma Greve, quando muito será um Lock Out (o que é proibido por lei), tratam-se de Empresas de média e pequena dimensão a Obrigar á paragem dos seus meios e dos que possam passar por perto

    Para isso juntam os seus motoristas, com maior ou menor pressão sobre os mesmos

    Se fossem os motoristas em greve já teria havido a intervenção da policia e quem sabe a substituição dos mesmos por ocasionais por parte das empresas sem descartar confrontos possíveis

    Uma das reivindicações (bem escondida claro), é uma alteração da Lei Laboral que permita a contratação no sector, seja à viagem ou mesmo à hora

    O sector em si é algo “delicado”, basta perguntarem por aí

    Não confundam as coisas por favor

    • Artur says:

      Lockout é quando os “patrões” “paralisam” as empresas e tem como efeito directo o não pagarem aos empregados, de forma a resistirem às reinvidicações destes.
      Neste caso os patrões pagam aos empregados para se manifestarem e para “forçarem” outros a aderirem ao protestos.

      • pisca says:

        Pagam mesmo ???? Anda ali muita gente a ganhar à viagem meu caro, e só não desaparecem porque ….

    • António Fernando Nabais says:

      O que diz é inegável e até prova que pode haver violência sobre violência. De qualquer modo, cenas destas deixam-me sempre revoltado: há decisões que são individuais, por muito colectivas que sejam os problemas.


  3. Alguém explique a estes camionistas o que é Democracia. Só à chapada!

  4. PA contra-mídia says:

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