Os mentirosos do NUCLEAR

O sismo ocorrido recentemente no Japão vem confirmar algo que o senso comum há muito sabe: por muito evoluída tecnologicamente que uma sociedade seja, será sempre frágil perante fenómenos naturais extremos.

Infelizmente, e para além de toda a destruição e morte causadas pelo terremoto/tsunami, o Japão encontra-se à beira de um desastre nuclear que poderá suplantar Chernobyl, de consequências ainda imprevisíveis, já que se trata de uma central nuclear de quatro reactores onde poderão ocorrer fenómenos destrutivos em cadeia, caso o reactor 2 venha a explodir.

Um pouco antes de entrarmos de cabeça na crise económica que atravessamos, o lóbi nuclear português andou bastante activo tentando vender uma centralzinha nuclear em Portugal. Seguro, seguríssimo, resistente a tudo, ataques armados ou acontecimentos naturais, e não poluidor, eram os argumentos mais ouvidos nas bocas de algumas sumidades que agora andam caladas e desaparecidas.

Sendo as coisas o que são, o desastre de Fukushima não será o último, bem pelo contrário, se atendermos ao envelhecimento e proliferação destas instalações. O debate está relançado.  Quando, por falta de vergonha e de seriedade intelectual, os senhores Pedro Sampaio Nunes, Patrick Monteiro de Barros, Mira Amaral, etc., voltarem à carga e vierem desvalorizar riscos, chamem-lhes M-E-N-T-I-R-O-S-O-S com todas as letras. E não lhes perdoem, porque eles sabem muito bem o que fazem.

Comments

  1. Nightwish says:

    Vamos a factos. Já chega de expalhar medos.

    1) O reactor não vai explodir, não é por acidente que acontecem explosões nucleares, nem sequer o Irão as consegue fazer de hoje para amanhã de propósito;
    2) Não há qualquer grafite junto do reactor, pelo que nunca haverá o fumo tóxico de Chernobyl; pelo contrário, o contentor de um dos reactores tem apenas uma falha que não parece causar um aumento de radiação muito sigificativo (pode ser, literalmente, medido em consumo de um certo número de bananas até ao momento);
    3) O risco maior parece ser o de o núcleo ficar demasiado quente, derreter e consumir a parte de baixo do contentor, entrando em contacto com os aquiferos. Muito longe do impacto de Chernobyl e muito longe do impacto do próprio terramoto. Provavelmente menos poluente do que uma central a carvão na mesma zona.
    4) A central nuclear tem 50 anos e o desenho 60. Se não fosse todo o fear-mongering, poderiamos ter centrais modernas que não precisam de energia para se arrefecerem e que protegem automaticamente o combustível após o corte de energia, deixando de haver hipótese de qualquer reacção posterior;
    4) As alternativas às centrais nucleares são: carvão, produtor de CO2, poluidor por excelência, mata mais gente por cancro que a energia nuclear e não falta muito para atingir o pico, passando depois a ser cada vez mais poluente a sua extração; a importação de energia estrangeira a preços maiores.
    As energias renováveis não produzem nem que chegue, nem a níveis controláveis às necessidades da rede.

    Não se espera um debate sério enquanto os “peritos” que vão à televisão confudem petróleo com energia elétrica e dizem que a solução são transportes públicos.
    Se se põe moinhos, é porque ficam feitos, se se põe paineis solares em todos os prédios, é porque se quer alimentar a subsidio-depêndencia, o petróleo é para alimentar os Khadafis, o nuclear não porque ninguém percebe de física, as barragens não porque destroem as gravuras/paisagem/linhas de comboio/…
    Mas toda a gente quer levar o seu carrinho para o emprego e chegar a casa e ligar a TV e o AC. Provavelmente estão à espera que sejam alimentados por fadas.

  2. A. Pedro says:

    Nightwish
    A questão energética sempre me interessou muito e tenho pouca vontade de espalhar medos. Mas leia artigos como este
    http://www.publico.pt/Mundo/um-sismo-como-o-do-japao-no-leste-europeu-seria-catastrofe-nuclear-mundial_1484675
    e seja sério: acha que Carlos Varandas quer espalhar medos? Ou acha (ele CV) que os riscos são reais e devem ser conhecidos?
    De qualquer modo é cedo para sabermos o que se vai passar, esperemos que a situação possa vir ainda a ser controlada mas, para já, a própria indefinição mostra que o risco é grave e que o pior ainda pode acontecer.
    É possível que um dia se venha a conseguir uma energia nuclear verdadeiramente limpa (isso também quer dizer sem riscos) mas os peritos realistas sabem que ainda estamos longe desse momento.
    Algumas pessoas têm usado o argumento de ter acontecido na sequência de um dos maiores sismos de que há memória. Pois, está à vista que eles ocorrem, ou será que estamos apenas a sonhar?

    • Nightwish says:

      “E trata-se de uma central [a de Fukushima com 40 anos, que é normalmente o limite de vida de uma central nuclear”, e, digo eu, com um desenho ultrapassado na altura em que foi feita.
      “O Japão não tem alternativa ao nuclear, mesmo que a quisesse evitar, devido à sua taxa elevada de industrialização”
      Não foi o que disse?

    • A. Pedro says:

      Faltou-me acrescentar uma pergunta à minha resposta: Onde é que espalho medos?
      Veja o que digo:
      -por muito evoluída tecnologicamente que uma sociedade seja, será sempre frágil perante fenómenos naturais extremos.
      -o Japão encontra-se à beira de um desastre nuclear que poderá suplantar Chernobyl (afirmado por muitos peritos)
      -Sendo as coisas o que são, o desastre de Fukushima não será o último, bem pelo contrário, se atendermos ao envelhecimento e proliferação destas instalações.

      Espalhar medos? Ignorar estas coisas é que devia meter medo.

      • Nightwish says:

        Não sei, os que vi não diziam nada sobre ser parecido com chernobyl tendo em conta que não há grafite perto do núcleo.
        Uma vez que estão velhas, o melhor será substituí-las por IFRs e tornar o risco praticamente nulo…


  3. não há razão para alarmes.
    o governo japonês mandou evacuar….a maioria dos trabalhadores da central foram evacuados… a população em Tóquio (e sabemos o estoicismo como a população japonesa reagiu ao tremor de terra e tsunami) está em pânico, os responsáveis da união europeia aterrados, mas é só porque são uma cambada de cobardes e crédulos que estão a ser manipulados por propagandistas anti-nucleares que se estão a APROVEITAR de um acidente altamente improvável que nunca deveria ter acontecido numa central que era absolutamente segura antes de ter sofrido um acidente, mas que agora se descobriu subitamente que… é velha, porque se fosse das novas, ui! se fosse das novas, (daquelas em que o budget é o dobro do calculado e a cada dia de obra corresponde um dia de atraso, pelo menos), aquilo nem à lei da bala, pelo menos até sofrer um acidente improvável como o de chernobyl (também segura antes do acidente), de three mile island (mais segura ainda…) e os inumeros outros que nunca chegam ao conhecimento do público. O problema do nuclear (para quem não tem de levar com as radiações) é assim, psicológico e tal como o argumentário imparável das Testemunhas de Jeová, um exercício de Lapalisse que se explica e justifica a si próprio: uma central é segura antes de ter um acidente, um acidente (ou evento quer leve ao acidente, o que é irrelevante) “improvável” enquanto não se verificar. Repare-se que quando dizemos “improvável” aqui, não nos referimos a factos que violam a lei da física, como uma cadeira pôr-se de pé e começar a cantar ópera. Referimo-nos, por exemplo, a um cataclismo tectónico como já aconteceu – e pode acontecer em qualquer momento, em Portugal, ou como o que tragicamente acabou de suceder no Japão. O admirável sangue frio dos defensores da energia nuclear (não me refiro à investigação sobre essa área fulcral do conhecimento), quando se trata dos problemas dos outros poderia ser testado de forma simples: quantos deles seriam capazes de se meter num avião e irem agora para o Japão substituir os trabalhadores que neste exacto momento dão a vida para evitar a catástrofe enquanto os seus filhos ficavam cá fora a brincar na relva?

    • Nightwish says:

      E a internet aqui tão perto…

      Reactor moderno
      Mortes por Twh
      Efeitos da saúde de TMI
      And so on.


      • pois… vai informar os japoneses disso, que estão bem precisados

        • Nightwish says:

          Trazer factos para a discussão costuma ter este efeito em pessoas religiosas…


          • Factos… olha, liga a televisão. Ao menos os negacionistas do nazismo ou do gulag referem-se a acontecimentos passados em sociedades totalitárias e há várias décadas

          • Nightwish says:

            E os negacionistas da falta de energia dizem que não há problema nenhum enquanto o planeta aquece e milhões de chineses vão começar a consumir mais.
            Isto enquanto o carvão se aproxima do pico e mata milhares de pessoas por ano. Mas não são de nações democráticas, por isso tudo bem.
            Sem falar nas centenas de milhares de mortos (e pior) para sustentar outro combustível (que não é para electricidade), mas, é pah, não é problema nosso.

  4. Jorge says:

    Fear-mongering, ou o tuga espalhar do medo, consiste em citações vagas, em vez de factos facilmente descobertos através do google, esse oráculo moderno. Os vários peritos que avisam da possibilidade de um acidente pior que Chernobyl são dois: Robert Alvarez e Kevin Kamp (vão a http://www.accuracy.org/release/threat-of-nuclear-disaster-in-japan/). Podem ter razão, já que as suas credenciais lhes dão a credibilidade necessária.

    Fear-mongering é utilizar lugares comuns como “por muito evoluída tecnologicamente que uma sociedade seja, será sempre frágil perante fenómenos naturais extremos.”… isto depende da definição de extremo, coisa que o autor esquece: há dez mil anos, a humanidade era “sempre” frágil perante os lobos como um fenómeno natural extremo, afinal.

    Note-se que não sei se será pior que Chernobyl, e espero que a famosa disciplina japonesa impere onde a opressão soviética falhou (Chernobyl foi metade erro humano, metade design militarista inseguro por defeito). Mas que este artigo foi fear-mongering, foi.

    • A. Pedro says:

      Jorge,
      Um lugar comum é-o por ser óbvio e verdadeiro. Se me quer acusar de algo acuse-me de ser falso e mentiroso.
      “Tuga espalhar do medo” é treta e nem lugar-comum chega a ser por falso e sem nenhuma correspondência com o real. Os japoneses que fogem em pânico, os alemães e os suiços que suspendem ou re-debatem a questão nuclear são tugas, é claro. Haja pachorra, já que não há distanciamento crítico.
      Os peritos são muitos e não dois, esses são os que você conhece, o universo é um pouco maior.
      De qualquer modo, o problema está lá, vamos ver como vai acabar (sinceramente espero que acabe bem) e quantos anos vai permanecer. Ignorar riscos sérios e de longo ou longuíssimo prazo a troco de posições meramente ideológicas ou economicistas, não faço, podem acusar-me de espalhar medos.

      • Nightwish says:

        Ignorar riscos sérios e de longo ou longuíssimo prazo a troco de posições meramente ideológicas ou economicistas
        Eu diria o mesmo sobre as emissões de CO2 e a falta de alternativas…


  5. uma das tácticas castiças de propaganda que os imparáveis crentes da Igreja Nuclear aprenderam ao longo de décadas preparando o “renascimento” foi o sistema genuinamente neoconservador que tantos frutos tem dado nas últimas décadas, de manipulação de linguagem e conceitos de forma a travestizar um potencial problema num argumento de peso. Já tinham conseguido mais ou menos “esverdear-se” com a questão da emissão dos gases de efeito de estufa. Habitualmente eram ferozes opositores das evidências de aquecimento global devido à actividade humana, por prejudicar o “pogresso”, mas subitamente passaram a pôr a tónica dos problemas do mundo na emissão de CO2 apenas porque é a portinha que lhes permite parecerem aceitáveis do ponto de vista da sustentabilidade ambiental.
    Mas agora, ignorando qualquer dose de pudor, redobraram de criatividade e engenharia linguística. Em vez de humildemente assumirem os problemas (inevitáveis) do nuclear, ou, no mínimo se calarem uns dias e verem onde é que isto vai parar, vêem agora dizer que estes problemas (ainda ) surgem por culpa do “fear-mongering” que não deixou construir as tais centrais inexpugnáveis. Mas… alguém alguma vez os ouviu até há dois dias atrás alertar a opinião pública para a segurança insuficiente dos anteriores reactores, avisar de que estavam “velhos” e passíveis de criarem problemas, já para não falar de exigir o seu encerramento? O máximo que disseram foi justificar Chernobyl com a incompetência soviética. Mas… quando Chernobyl foi feito, alguma vez alguém duvidou um momento de que era uma central absolutamente segura? Este pessoal julga que os soviéticos eram suicidas?
    Enfim… o essencial, neste momento é ver ao vivo a tragédia que se desenrola perante os nossos olhos e tirar as devidas ilações. OLhem para a televisão e vejam o que se está a passar neste momento exacto.
    Não esquecer que há muita gente ligada ao partido que formará o próximo governo que está rôxa de sofreguidão para rebentar com o esforço que tem sido feito nas renováveis e impingir-nos uma, se não duas centrais nucleares.

  6. Nightwish says:

    Deaths per TWh for all energy sources

    Coal – world average 161 (26% of world energy, 50% of electricity)
    Coal – China 278
    Coal – USA 15
    Oil 36 (36% of world energy)
    Natural Gas 4 (21% of world energy)
    Biofuel/Biomass 12
    Peat 12
    Solar (rooftop) 0.44 (less than 0.1% of world energy)
    Wind 0.15 (less than 1% of world energy)
    Hydro 0.10 (europe death rate, 2.2% of world energy)
    Hydro – world including Banqiao) 1.4 (about 2500 TWh/yr and 171,000 Banqiao dead)
    Nuclear 0.04 (5.9% of world energy)

    Mas tá tudo bem, porque em Portugal não há carvão, importamos tudo e tá tudo bem, quem morre não são portugueses! Quem diz que não somos brilhantes?

    • Nightwish says:

      E se acharmos que esses números não fazem sentido, que tal o facto de as fábricas de gás e carvão terem incêndios que lançaram mais carcinogéros até ao momento do que Fukishima? Não vejo ninguém a culpá-las.
      E se fosse uma barragem a partir devido à magnitude do terramoto que só aconteceu no Japão à 1200 anos, também iriam culpar a energia hidroeléctrica?
      Aconselhava-os a quando fossem ao hospital a não fazerem resonâncias magnéticas, podem morrer a qualquer momento depois… e quem sabe se não explodem! Um perigo.

      • A. Pedro says:

        Nightwish,
        O problema energético -assim como as questões políticas em torno do mesmo- é muito maior do que comparar consequências imediatas.
        Não há energias absolutamente limpas, parece evidente, mas há energias cujos riscos permanecem no tempo, muito para lá do seu encerramento e abandono.
        Esta discussão não pode ser apenas tecno-economicista. É um mau princípio para nós próprios e para os nossos descendentes. Além disso está, ela própria, poluída por interesses vários e por absoluta e despudorada manipulação de números e argumentos, supostamente científicos. Ou seja, é um lodaçal onde é difícil ser sério e objectivo.

        • Nightwish says:

          Se as decisões sobre a parte mais importante da ecomonia e do progresso, sem o qual não há vida moderna tal como a conhecemos, não devem ser feitas com base em motivos técnicos e económicos devem ser feitas com base em quê? Emoções? Apelos a entidades divinas? Desejos? Esconder a cabeça na areia? É que parece-me que esta última é a que se tem feito face a problemas graves no futuro.

          • A. Pedro says:

            Chama-se sustentabilidade e deveria ser o princípio norteador da evolução da vida humana no planeta. E nem sequer é difícil perceber porquê.

          • Nightwish says:

            Então sustente lá a vida moderna, a comida de boa qualidade, os computadores que gerem a nossa vida quando o carvão atingir o pico e com o planeta uns graus mais quentes.

  7. A. Pedro says:

    Não me apetece ironizar com coisas destas, mas pergunto: o comissário europeu da Energia, Günther Oettinger, que qualificou o acidente nuclear no Japão como um “apocalipse”
    http://www.publico.pt/Mundo/uniao-europeia-fala-de-apocalipse-no-japao_1484811
    ou Carlos Varandas, director do Centro de Fusão Nuclear do Instituto Superior Técnico e presidente do Conselho de Administração da Agência Europeia para o ITER – o projecto mundial que estuda a viabilidade da fusão nuclear, uma energia nuclear quase limpa
    http://www.publico.pt/Mundo/um-sismo-como-o-do-japao-no-leste-europeu-seria-catastrofe-nuclear-mundial_1484675
    Fazem parte do lobby anti-nuclear e estão interessados em “espalhar medos”?
    A arrogância de quem julga saber, e não leva a sério e desvaloriza quem de facto sabe, é que me mete medo.

    • Nightwish says:

      Eu gostava de saber que parte da notícia com o Carlos Varandas é que é assustadora…
      Quando ao Sr Oettinger, ele não define o que considera uma catástrofe, nem as suas consequências, nem nada, por isso é difícil não concordar.

  8. A. Pedro says:

    Pois é, trata-se de uma espécie de paralaxe na leitura de jornais:
    “pode provocar o derretimento do aço inox da câmara que envolve o reactor. Aí temos uma situação muito grave”
    “Com o sismo, este betão pode ter aberto fissuras. Não tenho informação se isso aconteceu mas é provável e isso sim é mais preocupante”
    “Com certeza que as autoridades americanas também já estão em alerta e já ofereceram ajuda.”
    “Se este sismo tem acontecido no Leste da Europa estaríamos perante uma catástrofe nuclear mundial”

    Tudo normalidade e inocuidade, portanto.

    • Nightwish says:

      A única coisa preocupante que li não está linkada neste blog nem nesse artigo, que nada diz sobre níveis de radiação, zona de impacto, etcs.

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