O risco de bancarrota nacional

Tanta pró-actividade propagandeada para a nova magistratura; afinal…

Cavaco também está à rasca

 Bancarrota nacional é o óleo endémico-infeccioso com que, no discurso e comentário políticos, se vem ungindo a vida dos portugueses. O cidadão comum, constrangido por problema colectivo sem precedentes há décadas, sente o garrote da ameaça às mais simples condições de vida.

Chegámos, pois, onde chegámos, pela mão de homens, como Cavaco, que, sem  pudor, reclamam hoje a produção de bens transaccionáveis, por eles próprios dizimada. Guterres, a seguir, não ficou atrás, Barroso ajudou Portas a comprar uns submarinos e evadiu-se. Finalmente, temos tido Sócrates, homem sem perfil de estadista ou sequer de cidadão credível.

Por dever democrático, e dado o momento que vivemos, os políticos de partidos que nos governam há 30 anos deveriam declarar, sem subterfúgios, que uma  provável bancarrota fará implodir os sistemas de prestações sociais e salários do Estado, de remunerações do sector privado, da actividade empresarial e ameaçar as  poupanças de muitas famílias, aforradas nos bancos. Isto, para citar apenas um subconjunto de graves incidências.

Com um Presidente da República estranhamente passivo e um Primeiro-Ministro de curta duração, espera-se que seja o líder do principal partido da oposição, Pedro Passos Coelho, autoafirmado próximo primeiro-ministro, a tomar iniciativa de  falar claro ao País. Sobretudo, para  comunicar as políticas programáticas com que pretende atacar a profunda crise em que estamos mergulhados. Já basta de discursos inócuos.

Pensamos, no entanto, que, quanto a políticas, as opções são naturalmente condicionadas por Bruxelas, ou seja, não vão divergir substancialmente dos caminhos para onde Sócrates nos conduziu. Mas, PPC,  além do compromisso de divulgar o que prepara para o País,  terá de definir eventuais  parcerias para a governação. E na sequência dos seus próprios discursos, pede-se-lhe ainda que confirme ou infirme  se partilha das opiniões de Marcelo de Rebelo de Sousa e Mira Amaral, duas vedetas da política nacional, de grande sucesso (para eles, claro).

Comments

  1. É isso sem dúvida o que vai acontecer. Mas imaginemos o absurdo, imaginemos que temos políticos competentes e interessados no bem estar do país em vez de estarem interessados neles mesmos. Nesse caso, se olharmos ao custo da dívida dos PIIGS temos (a 10 anos):

    Nenhum deles está em situação confortável. No caso da Irlanda, por exemplo, o yield dos títulos a dois anos está a subir como se não houvesse amanhã e a razão é simples, o pessoal está a tentar livrar-se de todos estes activos que neste momento parecem tão bons como os dos bancos portugueses (ou seja, para quem possui estes títulos talvez não haja mesmo amanhã!).

    Eu penso que isto dá um poder negocial tremendo a um PM português, se Portugal cessa pagamentos então o resto da Europa vai atrás, incluindo o Reino Unido, França e Alemanha (os alemães de facto produzem os agora por nós almejados bens transaccionáveis, mas infelizmente para eles tb têm muito lixo escondido – leia-se o financiamento da RDA e dos países de leste). Para utilizar este poder um PM necessitava em primeiro lugar de compreender o que está em jogo, não creio que Sócrates o consiga, nem Pedro Passos Coelho. Em segundo lugar teríamos de ter um verdadeiro político, mas os dois de quem acabei de falar só sabem de chicana política e isso, com os meninos mais crescidos, não chega. Assim não vamos conseguir persuadir os “parceiros” europeios a ajudarem-nos.

    O PPC vai ter muita dificuldade em ser diferente do Sócrates. Muito provavelmente, se chegar ao poder, vai declarar que não tinha todo a informação e que afinal o país está muito pior do que pensava. Ou seja, vai fazer como todos os novos PMs desde que me lembro.

  2. carlos fonseca says:

    Helder, completamente de acordo.
    A independência e conhecimento que fundamentam a opinião são preciosos bens. Daí adoptar o teu comentário como um enriquecimento do meu texto.

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