1 de Abril, Dia das Verdades

Vai, vai, vai, disse o pássaro: o género humano

Não pode suportar tanta realidade.

T.S. Eliot

Não sejamos ingénuos, a manipulação e a desinformação existiram sempre, em todas as épocas, regimes e círculos de poder. Mas a mentira, descarada e desmascarada, nem sempre passou com tanta indiferença como agora. A questão não está, apenas, num governo, por exemplo um governo, mentir. Está, isso sim, em saltar a mentira à vista de todos e passar impune. Está em ser recorrente, passar com normalidade e ser encarada com naturalidade. Está em ser aceite como uma das regras do jogo, como uma malandrice necessária para que o jogo funcione e avance.

A banalização da mentira tornou-a isso mesmo: banal, habitual, quotidiana. O dia 1 de Abril, como dia das mentiras, perdeu impacto e aquele arzinho transgressor que carregava. Hoje, ninguém compra um jornal para decifrar a mentira que lá vem disfarçada de verdade. No entanto, estou em crer que o contrário funcionaria. Eu, por exemplo, compraria um jornal para descobrir qual a verdade perdida nas suas páginas, disfarçada de mentira.

Por isso proponho que o dia 1 de Abril passe a ser o dia das verdades. Seria apenas um dia por ano e isso, acho, poderíamos suportar.

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