Este programa teve ajuda à produção de

Esta frase tem-se espalhado pelo final da maioria ou mesmo da totalidade dos programas televisivos portugueses. O que se segue a esta expressão é, invariavelmente, uma série de marcas comerciais, o que me faz pensar que estamos diante de patrocínios, conceito bastante diferente de ajudas, sobretudo se desinteressadas.

Dando de barato essa questão quiçá ética, não consigo perceber, por mais que me esforce, em que língua está esta frase, porque, embora as palavras sejam portuguesas, parece uma daquelas traduções estapafúrdias feitas directamente na internet. Fará sentido, por exemplo, dizer-se algo como “Este pudim de abade de Priscos teve ajuda à confecção da minha mãe” ou “Este trabalho teve ajuda à elaboração dos meus colegas Fulano e Sicrano”? Não será mais propriamente português dizer que “A minha mãe ajudou-me a fazer este pudim.”ou “Fulano e Sicrano ajudaram-me a fazer este trabalho.”?

Mesmo invertendo a ordem e colocando as entidades adjuvantes no fim da proposição, não seria suficiente escrever “A produção deste programa teve a ajuda de…”, por exemplo?

Que alguma mente luminosamente ignorante se tenha lembrado, num programa qualquer, de inventar esta coisa, ainda vá. O que, para mim, permanece um mistério é o de se saber como é que isto se disseminou a ponto de invadir todo e qualquer genérico final. Proponho que se volte a escrever em português nos programas portugueses, pelo menos no final. Será pedir muito?

Uma pesquisa rápida pela Internet levou-me a descobrir que, como era previsível, não estou sozinho nesta perplexidade: vão aqui e participem.

Comments

  1. Maria Amélia Menezes says:

    Não está só ! Fico com ar completamente aparvalhado ,perante tanta estupidez ! Chego a pensar se sou eu que estou noutro planeta ; se estas parvoices fazem parte do novo acordo ,também ele parvo,que deixou de ser só ortográfico e passou a ser também sintáctico…
    Serão mesmo imposições da troica…
    Mas que País!!!!!
    Maria Menezes


  2. Quem não ouvir falar que é preciso ajudar à festa? – transitivo indirecto.
    (E quem negaria ajuda à festa?) – será que aqui o tempo verbal substantivado se torna em transitivo directo?


  3. Quem não ouviu dizer que é preciso ajudar à festa? – transitivo indirecto.
    (E quem negaria ajuda à festa?) – será que aqui o tempo verbal substantivado (a ajuda) se torna em transitivo directo?

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