Professores, os que menos sabem de Educação

Pode ter passado despercebido a muita gente, mas os professores são efectivamente seres humanos, logo imperfeitos, falíveis por isso mesmo, dotados de imprescindíveis insuficiências sem as quais seriam divindades. Alguns são, até, redundantes, de tão preocupados em confirmar a humanidade da classe a que pertencem. Professores são, portanto, pessoas.

Em Portugal, há cerca de 140 000, contando com uns 30 000 que foram afastados das escolas graças a desculpas esfarrapadas proferidas em nome de uma dívida pública que continua a ser uma história tão mal contada como as que inventam cônjuges apanhados em flagrante delito de delírios carnais: no fundo, os sucessivos governos apanhados a entregar dinheiros nossos a privados desvairados também dizem coisas como isto não é o que parece ou eu posso explicar. Claro que há sempre quem goste de ser enganado, o que explica tanto voto nos do costume.

Entre esquerda e direita, em Educação, há umas alternâncias de discurso, mas um dos pontos comuns (espalhado, aliás, pela opinião pública) pode resumir-se na seguinte proposição: os professores não percebem nada de Educação e/ou estão completamente desactualizados. Esta crença é tão forte que leva ignorantes a pensar que dominam o assunto, chegando mesmo ao ponto de escreverem coisas. [Read more…]

da Ignorância

Platão conta, no seu famoso plágio do Livro de Filolau, um episódio passado com Sólon, o mais sábio dos Sete Sábios da Grécia Antiga.

De visita ao Egipto, Sólon é admoestado com alguma ternura por um velho sacerdote, que critica a tendência grega para, ciclicamente, se auto-destruir para, logo depois, se reinventar do nada. Diz o Sacerdote no Timeu:

Entre vós [os gregos], porém, e entre os restantes povos, todas as vezes que vos acontece estarem equipados com as letras e todas as coisas de que as cidades têm necessidade, de novo, passados os anos habituais e como se fosse uma doença, caem sobre vós e os outros os fluxos do céu, restando entre vós apenas os iletrados e os ignorantes, de tal maneira que voltais ao princípio, tornando-vos outra vez como que novos, sem nada saberdes, nem do que aconteceu aqui, nem do que se passou entre vós nos tempos primitivos.

Muros e pontes

Não queria comentar isto, mas com a insistência no tema e a ridícula e empertigada interpelação que o PSD fez sobre este assunto, não resisto. Não, oh alaranjadas criaturas, os cartazes que ornam as entradas do Web Summit, que terminam com o justo propósito de “fazer pontes, não muros”, não são uma proclamação anti-Trump. Se esquecermos a gralha da primeira versão – entretanto corrigida -, esta metáfora, com esta exacta formulação ou outras muito semelhantes, é antiga como a noite. Não foi inventada por Hillary Clinton – donde a sintomática indignação do PSD que, pelos vistos, anseia por agradar ao novo chefe. Já a encontramos, implícita ou explicita, em textos antigos, em documentos de evangelização e ecuménicos, em obras de filósofos. O grande – enorme! – Isaac Newton (se os laranjas não sabem quem é,vão ao Google) escrevia “construímos muros de mais e pontes de menos”. E, só para ficarmos nos Newton, Joseph Newton escreveu, dois séculos depois, “as pessoas estão sós porque constroem muros em vez de pontes”. E até o Papa Francisco, há já algum tempo, afirmou, em Auschwitz, “lancem-se na aventura de construir pontes e destruir muros, vedações ou redes”. E não vale a pena continuar. O problema, portanto, não é da Câmara de Lisboa, oh PSD, que atacais, fogosos, sem antes procurar informação.
O problema é o da vossa arrogante iliteracia.

Ignorância e preconceito

Se pensava que a grande marcha amarela se resumia à manipulação de números e informação, aproveitamento político da direita parlamentar e da Igreja Católica e instrumentalização de crianças que pouco ou nada percebem sobre aquilo que se está realmente a passar, fiquem com este vídeo do Manifesto74 e desfrutem deste belo espectáculo que junta o melhor da ignorância com o preconceito mais básico e pateta. Mas sem misturas, é tudo boa gente.

Via Manifesto74

Da Ignorância 

O difícil não é adquirir Conhecimento.O nosso mundo é uma fonte inesgotável dele e não há mérito particular em capturá-lo para logo o exibir ou colocar em acção por via pragmática, confirmando a eficácia do jogo de espelhos que elabora o panóptico invertido, virado para dentro, multiplicador do Mesmo.

O difícil é adquirir Ignorância.

Isso, sim. Isso é difícil, porque é aí que está o que importa.

Assis, o Coerente

Atira-se ao Costa por procurar a Unidade à Esquerda. Apoia Maria de Belém porque é a melhor colocada para unir a esquerda.

47,36%

abstiveram-se de votar (resultados ainda provisórios).