Pinto da Costa não é do Porto

O Fernando Moreira de Sá, grande portista, rejubila, compreensivelmente, com a vitória – justíssima – do Porto sobre o Benfica, querendo transformar essa mesma vitória numa manifestação de superioridade moral, uma lição a um benfica que, na sua opinião, só pode ser escrito com minúscula inicial.

Não faço parte dos que atribuem as vitórias do Futebol Clube do Porto a jogadas de bastidores, mesmo acreditando que há gente de todas as cores a praticá-las, o que tem como efeito mais ou menos cómico acabarem por não ter o resultado pretendido, por se anularem umas às outras. Entretanto, nos últimos trinta anos, como diz o Fernando – e bem – “São onze contra onze e no fim ganha o Porto.”

Já a superioridade moral e a bofetada de luva branca afiguram-se-me mais invisíveis. É certo que Villas-Boas consegue, na maior parte das vezes, ter um discurso mais elevado do que a maioria dos frequentadores da praça futebolística, mas, tirando isso, a verdade é que, de uma maneira geral, em termos de ética, respeito e desportivismo, o nome dos clubes só pode ser escrito com letra minúscula, sobretudo quando temos ocasião de ouvir Luís Filipe Vieira ou Pinto da Costa.

O presidente do Futebol Clube do Porto é um caso de inteligência e de argúcia, para além de ser um homem dotado de um sentido de humor fora do comum. No entanto, nunca abandonou – nem abandonará – a atitude e o discurso artificiais do chefe de clã acossado pelas forças opressoras do centralismo, usando sempre um discurso incendiário e preferencialmente dirigido à irracionalidade dos adeptos. Para além disso, continuará a não perder ocasiões para ser deselegante, como quando, ainda recentemente, desvalorizou o episódio da agressão a Rui Gomes da Silva (que é, com certeza, uma figura asquerosa em qualquer meio em que se tenha movimentado, desde a política ao futebol). Esse mesmo episódio mereceu, aliás, palavras de condenação de Villas-Boas ou de Guilherme Aguiar, por exemplo.

A lista de alarvidades que são proferidas de todos os lados, especialmente quando perdem, seria interminável, mas só serviria para confirmar que, no que toca a defeitos, somos todos campeões, com letra minúscula: Vieira é do benfica e Pinto da Costa é do porto. Tanta pequenez torna-nos inaptos para ensinar e faz com que não queiramos aprender.

Comments

  1. Como simpatizante do F C do Porto, gostei da vitória e do modo como foi conseguida. Acho normal que as pessoas rejubilem, mas esperava, entendia e entendo, que Pinto da Costa demora muito tempo nos comentários; entendia e entendo que, dada a categoria com que a equipa tem estado a jogar e a ultrapassar os obstáculos, seria desnecessário gastar tanto tempo com o Benfica, embora eu saiba que, mais coisa, menos coisa, o comportamento é recíproco… Mas, com a má figura dos outros posso eu bem; melhor, ainda, se estiver a ganhar.

    Sobre o André, fico satisfeito por o ver ter recuado da proximidade da linha vermelha, afastando-se dessa característica Mouriniana que não aprecio, independentemente de o reconhecer como o melhor treinador da actualidade.

    De Jesus, espera-se que reflicta e que interiorize ser imprudente fazermos promessas cujo cumprimento não depende exclusivamente da nossa vontade, sob pena de termos que nos contradizer e acabarmos feridos no amor-próprio, que penso ser o que mais lhe terá pesado.

  2. Pinto da Costa não será inteligente mas sim esperto. O que é uma coisa completamente diferente.

    Quanto ao Porto é a melhor equipa, joga bem, merece ser campeão e só por um enorme azar não ganhará a taça de Portugal e a liga Europa. A mim, um benfiquista de todos os costados, não me custa aceitar a derrota quando os outros são melhores. E perder com os bons não constitui humilhação para ninguém. Penso eu de que.

  3. Ricardo says:

    Não há duvidas que o Porto é melhor. O JJ ainda merece a minha confiança se me mostrar que é capaz de aprender com os erros, porque viver é aprender. Olhar para os erros que cometeu esta temporada, nomeadamente na questão da gestão física dos jogadores.

    Agora se há coisa com que eu não posso, é com o facciosismo alarve com que se discutem os lances polémicos – era só trocar a cor das camisolas que era vê-os fazer como aquelas artistas contorcionistas chinesas de circo…

    E meus caros, UI!!!!!!, eu nem quero imaginar se em suposto campeonato acontecesse que uma suposta equipa de um suposto equipamento as listas azuis o tivesse perdido sendo que tivesse sido definitivamente prejudicada no início enquanto uma suposta equipa de suposto equipamento vermelho tivesse sido beneficiada nesse mesmo inicio de campeonato.

    Eu só pergunto aos azulados “que nome é que vocês dariam a esse campeonato? Nascido torto?”

    É que não haja duvidas, vocês dariam um nome qualquer a esse campeonato só para manchar o Benfica, só para diminuir o seu mérito. É a lei da troca das cores. Mas nós, os vermelhos que dizemos: o Porto foi um justo campeão.

    Se o Vieira fosse inteligente, não vos acicatava. Porque é aí que reside a vossa força. O Pinto da Casta e o Villas-Boas, inteligentemente, aproveitam tudo e mais um par de botas para motivar os jogadores, especialmente aquilo que sai nos jornais, aquilo que os dirigentes e treinador do Benfica dizem (ex: O Vieira diz “este ano vamos ser campeões” ou o Porto é assim ou assado” – folha do jornal ampliada no balneário, os jogadores até lançam fogo pela boca…).

    Já o Villas-Boas o que faz: amansa o Benfica, adormece. Ainda não perceberam isto? Sejam inteligentes.

    O Porto é sem dúvidas a melhor equipa portuguesa da actualidade. O seus jogadores são fantásticos. É a mais pura das verdades.

  4. Ricardo says:

    Mais uma vez reitero, parabens ao Porto

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