O manto protector

Exactamente: protector. Porque protector [pɾutɛˈtoɾ] ≠ protetor [pɾutɨˈtoɾ]. Aliás, a própria RTP percebe esta diferença. Efectivamente, se Luís Filipe Vieira pronuncia [ˌmɐ̃tu pɾutɛˈtoɾ], logo, “manto protector”. De facto, “manto protetor” [ˌmɐ̃tu pɾutɨˈtoɾ] não funciona em português europeu.

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manto protector

Obrigado, Briosa!

Provavelmente, o melhor golo do ano

O excelente golo de Matic, marcado ao F.C. Porto, durante a 14.ª jornada da época passada, é um justíssimo candidato ao prémio Puskas deste ano.

No dia 9 de Dezembro, serão divulgados os três finalistas. A ver, a rever e, principalmente, meu caro Matic, a repetir daqui a dois meses

Post scriptum: Infelizmente, a organização chefiada pelo Sr. Blatter não permite que este golo seja apreciado directamente no Aventar.

Le Portugal au top

Hoje, no L’Équipe.

le portugal au top

Augúrio de um Orgasmo Verde

Aposto dez tampas de cerveja em como o Sporting Clube de Portugal vai bater o Sport Lisboa e Benfica. Sente-se no ar o aroma a goleada. Ganhar por dois ao Sport Lisboa e Benfica já o seria. Jardim conhece Jesus. Conhecer Jesus representa mais de meia táctica e três quartos de estratégia. A garotada verde sabe que terá pela frente uma equipa temente de si mesma e fragilizada. A casa sportinguista está a ser varrida, arrumada e arejada, ao contrário da sport-lisboa-e-benfiquista, a gastar balúrdios como se não houvesse amanhã, e cujo presidente é um confesso ignorante da bola. Isto está um dia perfeito para um orgasmo verde. Ou um espasmo.

Adenda: afinal foi espasmo.

O calote, o AO90 e a Feira do Livro do Porto

Vale Formoso

Rua do Vale Formoso, 1976 (http://on.fb.me/19cVSkJ)

O Porto é a minha cidade. Foi lá que nasci e cresci. É, sem sombra de dúvida, a melhor cidade do mundo.

O calote é um problema que afecta – há muito, há muito – a nossa sociedade. Quando me lembro do problema do calote, lá vem o Leitmotiv, lá vêm o Fasolt e o Fafner. Claro, o Wagner não podia faltar.

O problema do calote, segundo leio nos jornais de referência, é um dos Leitmotive desta carta. Contudo, ao ler abril, ação, afeta, afetação, Arquitetura (duas vezes!), ativamente, atividade (idem!), atratividade, atuação (três vezes!!), Diretor (quatro vezes!!!), Diretora, indireto, maio, projeto (três vezes!!), projetos, setor, setores e trajetória, grafias que violam as mais elementares regras da ortografia portuguesa europeia, aquilo que a carta pretende denunciar passa-me completamente ao lado. Em lingoagem: se não fossem os jornais de referência, não perceberia patavina daquilo que se pretende com a missiva. Há, pelo menos, cinquenta cúmplices desta deriva. Sim, porque, das duas, uma: ou não leram o que subscreveram, ou leram e não se importaram.

O problema da indiferença é ainda mais grave do que o do calote. O vergonhoso cancelamento da edição de 2013 da Feira do Livro do Porto já foi denunciado, aqui no Aventar, pelo António Fernando Nabais. Até o presidente do F.C. Porto quis ajudar. Nada. Uma vergonha. Como escreveu Pedro Guilherme-Moreira [Read more…]

Todos Ralham

… em casa onde não há títulos. E ninguém tem razão.

Para o PIB, é óptimo se o Sporting for campeão…

Lima FCP

http://bit.ly/17pNlf6

…mas péssimo se for o Boavista. Contudo, sejamos realistas: antes o Benfica do que o F.C. Porto

Evidentemente, não existe qualquer relação directa (haverá relação indirecta?) entre o campeão nacional de futebol e a «Taxa de crescimento do PIB e PIB per capita» (por isso, peço desculpa pelo título e pela primeira frase). Se houver, é necessário que alguém, de preferência um economista, se entretenha a detectar a interferência do fenómeno futebolístico no produto interno e se disponha a apresentar parcelas – isoladas dos factores que têm, de facto, influência no PIB – devidamente justificadas (esta é a parte mais complicada do processo), em vez de resultados totais, como aqueles aqui expostos  Quando tal acontecer, retirarei imediatamente o meu “evidentemente, não existe qualquer relação directa…” e o ‘de facto’ e deixarei de achar que estas contas, cá entre nós, de pouco ou nada servem e podem dar azo a confusões do arco-da-velha. Sim, por vezes, acontece.

Contudo, a recente provocação de António Mexia (ninguém quis saber do Argel…), além de merecer a melhor atenção do presidente do F.C. Porto, teve a honra de ser objecto de comentários, aqui no Aventar, do João José Cardoso (que remete para os cálculos de Carlos Guimarães Pinto) e do Ricardo Ferreira Pinto (que os contesta) e, por isso, aproveitei quer o café a meio da manhã para fazer umas contas, quer o intervalo da tarde para as public(it)ar. [Read more…]

F.C.Porto tricampeão!

Ricardo, pode ser o Proença (viu), auxiliado pelo Ricardo Santos (não viu). Se tivessem o Donato Ramos (vi) ou o Francisco Silva (idem) seria a equipa ideal. Veremos.

F.C. Porto: campeão nacional 2012/13

Se assim for, as probabilidades aumentam.

 

Tubo de Ensaio Benfica Mata Bayern

Vi esta Final com extrema atenção. Em muitos aspectos semelhou as duas eliminatórias contra o Benfica e com o mesmo desfecho, tirando a manha de duas arbitragens favoráveis aos blues. [Com o FC Barcelona, conjugou-se o factor sorte com o sortilégio da suprema oportunidade aproveitada por Torres.] Frieza e mais frieza dos azuis. Demasiados quase e demasiada exasperação nos que atacavam em vão. Sem dúvida Roberto Di Matteo soube instilar nos seus jogadores a eficácia de uma equipa se fingir de morta, antes e durante o jogo. Resulta sempre. Os alemães adoram-se e às tantas começam a ficar ofuscados consigo mesmos. As estocadas finais dão-se nessa altura, nem que por penaltis. Pensar que o Benfica poderia estar ali, com mais ou menos mijo! Ou não.

Golpe de Estádio

Alguém teria de ganhar este jogo semidecisivo. Mas sobre aquele penalti arrancado a ferros haveria toda uma tese a desenvolver acerca do peso decisor do Poder no futebol português ao longo dos dois séculos, XX e XXI, sem excluir cor nenhuma. Vi o jogo com atenção. Todo o terror das arbitragens passa, na Luz, por ousar ser justas, usar o mesmo critério, implementar a lei de talião no plano disciplinar e no outro de que não me lembro agora. A puta da dualidade — uma criteriosa dualidade — já foi longe de mais, na Luz e no Dragão, no que ao Sporting de Braga diz respeito, nos anos mais recentes. Está na hora de deixarem este Braga ser campeão em ver de forjarem mais do mesmo. Sou portista, mas não me importo, desta vez. Só desta vez.

Pinto da Costa não é do Porto

O Fernando Moreira de Sá, grande portista, rejubila, compreensivelmente, com a vitória – justíssima – do Porto sobre o Benfica, querendo transformar essa mesma vitória numa manifestação de superioridade moral, uma lição a um benfica que, na sua opinião, só pode ser escrito com minúscula inicial.

Não faço parte dos que atribuem as vitórias do Futebol Clube do Porto a jogadas de bastidores, mesmo acreditando que há gente de todas as cores a praticá-las, o que tem como efeito mais ou menos cómico acabarem por não ter o resultado pretendido, por se anularem umas às outras. Entretanto, nos últimos trinta anos, como diz o Fernando – e bem – “São onze contra onze e no fim ganha o Porto.”

Já a superioridade moral e a bofetada de luva branca afiguram-se-me mais invisíveis. É certo que Villas-Boas consegue, na maior parte das vezes, ter um discurso mais elevado do que a maioria dos frequentadores da praça futebolística, mas, tirando isso, a verdade é que, de uma maneira geral, em termos de ética, respeito e desportivismo, o nome dos clubes só pode ser escrito com letra minúscula, sobretudo quando temos ocasião de ouvir Luís Filipe Vieira ou Pinto da Costa.

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