Como escrever em bom português

Algumas pessoas andam preocupadas e confusas com o Acordo Ortográfico e com o futuro da língua portuguesa, não sabem que consoantes emudecer e deixar cair, se devem usar ou prescindir do hífen, acham complexo  o uso do acento circunflexo, circunspetam-se em função de algum acento grave ou sílaba tónica sem saber se ou o que assinalar, há quem se sinta esdrúxulo perante a utilização do K ou do W, para não referir o Y, etc, etc.

Ninharias, coisas próprias de quem não tem nada importante com que se preocupar, dirá um certo leitor meu, que achou por bem comentar livremente um texto que aqui escrevi. A minha pátria, poderia ter dito o reputado comentador, são as letras que a cada momento me apetecer utilizar (ou será apetesser otelisar?) da forma que entender.

Eis o comentário na íntegra, tal e qual recebi:

derrepente,um atentado;11 de setembro.logo apos,um video (foi eu q fiz isso) na minha engenuidade eu penso;que LOUCO teria coragem de assumir uma desgrassa dessa? teria uma facsão arquitetado minunciosamente um atentado sem saber oque viria depois? quem daria a cara pra bater? pra mim,criarão um Bin Laden. os EUA precisão dar uma resposta. depois de tanto procurar,descobrem q correrão atras de um fantasma. OQUE RESTA? 2 derrotas ou um empate? assumir o fantasma criado pelos astutos inimigos,ou (matalo) e sair como eroi? a TV cria clones atraves de maquiagem a alcaida ñ poderia fazer o mesmo? eles podem ser loucos mas,descordo q sejão burrus! 10 ANOS é muito tempo pra encontrar,ou ñ alguem

Isto, praticado sobre a língua portuguesa, com Bin Laden à mistura, parece puro terrorismo.

Comments


  1. Não parece, é.

    Quanto ao AO, cito João Gonçalves: «Um ‘intelectual’ que fala em ‘uniformização da língua’ não é um intelectual. É uma besta.»


  2. efe,
    de uniformização este amigo nada traz, nem ele próprio escreverá duas vezes a mesma palavra de maneira semelhante. Estaremos perante um “verdadeiro” intelectual?

    Um abraço

  3. Rodrigo Costa says:

    …Meus caros, façam como eu, escrevam em Português. Quem quiser escrever em Brasileiro, pode fazê-lo, porque eu percebo.

    O acordo ortográfico não passa da repetição do que tem sido a vida deste País, andar a reboque; ir pelo caminho mais fácil; comprar o que está feito. Algum intelectiual das marturbações achou que Portugal podia aproveitar o vasto mercado lusófono, bastando que falássemos a língua deles. Vai daí, é abrir as coxas e deixá-los vir.

    Tanta preocupação com a tentativa de dobragem dos filmes estrangeiros, para que o uso da Língua Portuguesa não fosse, a pouco e pouco, passado para plano secundário, e vêm-me agora com estas paneleirices como “fatos” consumados. Meus caros, antes de usado, já o fato está gasto… Se é por uma questão de mercado, então prefiro optar pelo Inglês, que é um mercado com muito mais gente e com informação de linha da frente.

    Que se deixem-se de comodidades, que produzam e façam trabalho de marketing, não esperem que outros lhes puxem a carroça. Esta é, como outras, sem dúvida, uma ideia de madraços, de gente que passa a vida de papo para o ar e à espera que alguém lhes faça o caminho. É esta cambada que se mantém ao leme e que passa a vida a curvar a cerviz. A este tipo de cedências chama-se prostituição, porque não se trata de ajustamentos racionais da Língua que, por sinal, é das coisas mais bonitas que temos.

    Já agora, para que nos integremos completamente, alterem a bandeira; chamem o José Guimarães para fazer uns arranjos e criar uma bandeira única, do espaço lusófono, porque, vendo bem as coisas, isto já esteve mais longe da extinção.


  4. Para mim, um facto é algo que acontece, mas jamais será um fato, peça de vestuário. Quem quiser, que me chame de analfabeto, mas não mudarei uma vírgula, um acento, nem deixarei cair uma única consoante, sobre a língua, como a aprendi a escrever. Mais, porque não trabalho para o Estado, e ainda me posso dar ao luxo de ter os meus critérios, poderei desempatar uma proposta comercial de bens ou serviços, ou candidatura a emprego, se para tal me for pedida opinião, em função da escrita que me seja mais familiar. Não tenho a pretensão de ser o último resistente do assalto à língua portuguesa, que representa este acordo ortográfico, mas daqui a algumas dezenas de anos, o português escrito e falado em portugal irá novamente divergir do que será utilizado no Brasil, e mais uma vez, os governantes futuros, baixarão as calças para uniformizar ao sabor dos gostos do país irmão. Valeu cara?

  5. Francisco Rodrigues says:

    Sobre o que diz o Sr. António de Almeida (facto e fato), veja-se alínea c) do n.º 1.º da Base IV do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, constante do Anexo I da Resolução da Assembleia da República n.º 26/91, de 23 de Agosto.

  6. Rodrigo Costa says:

    A questão, como referi, não está no ajuste ou na actualização da Língua Portuguesa por razões de modernização inteligente, mas por acontecer na sequência aquilo a que chamo um concílio de “putas”, próprio de um País de madraços, que viveu das províncias ultramarinas; que as “retomou”, na dependência da União Europeia, e que só agora começa a perceber —se é que percebe—, que quem não tem identidade nem ideais, quem não se ocupa, tarde ou cedo, vegetará ou, mesmo, desaparecerá do mapa.

    É claro que se dirá que, por interesses económicos, vale tudo. Vale tudo, porque, em regra, os economicistas vendem a mãe, se acharem que dá dinheiro e houver quem a queira. Para os viciados nos negócios e no dinheiro não há fronteiras, não há princípios, não há elementos identitários; há números. E há, porque há, nesta casta de parasitas, a vontade de ganhar o máximo sem fazer a ponta de um corno.

    Aliás, como é possível comprovar, os vendedores vendem, facilmente, por qualquer preço o que for produzido por outros; fazem-no, porque, como nunca fizeram nada, não têm a noção do verdadeiro valor das coisas. Para eles, valor é o lucro; é sempre a diferença, para eles, positiva, entre o que receberem e o que venderam e não construiram. Este é o papel, em regra, dos economistas: fazer nagócio com a produção alheia.

    Que há-de valer a Língua Portuguesa, ou de outro país, com o que se pode ganhar, desfazendo-a?… Mas também há otra hipótese: escreve-se tão mal, tão mal, que haverá pessoas que prefiram aprender uma língua nova. Também pode ser. Por mim, podem, porque já tenho que os perceber no meio de tantos erros. Sirvam-se, porque eu acho que continuarei a percebê-los.

  7. António Fernando Nabais says:

    O Acordo não é nem pode ser acordo nenhum, a partir do momento em que se baseie na fonética: é por isso que muitas palavras que se escreviam da mesma maneira em Portugal e no Brasil passarão a ter ortografias diferentes, como é o caso de “excepção” (os brasileiros pronunciam o “p”). Para além disso, as diferenças são tantas em termos semânticos e sintácticos que os livros só podem continuar a ter edições diferentes cá e lá. Finalmente, nunca deixei de perceber o que escreve um brasileiro, apesar das diferenças. Acordo para quê?

  8. Rodrigo Costa says:

    … Já agora, por que não pensar num acordo que obrigue à uniformização da oralidade, da própria dicção, para que melhor seja possível o entendimento?… Acho que as intelectualidades deveriam pensar nisso e completar o trabalhinho. É só uma ideia, por achar que nunca se deve deixar os processos a meio…

    • António Fernando Nabais says:

      É isso aí, meu chapa! Muito legal essa dica!

  9. Carlos says:

    E bom falar o bom portugues e asim que iremos melhorar a nossa lingua.

  10. adelino says:

    Escreve-se cato ou cacto??