Educação: a diferença entre PS e PSD está sobretudo no D

As propostas contidas no programa do PSD já foram analisadas pelo Paulo Guinote em vários textos, hoje. Também o Paulo Prudêncio já deu a sua judiciosa opinião. O Rui Correia usa aqui a clarividência do costume.

Uma vez que o PSD é, ao que parece, um dos dois partidos que poderá vir a formar governo, impõe-se, também na Educação, procurar descobrir as diferenças entre a prática do PS e as propostas do PSD. Ora, a verdade é que, numa primeira leitura, há pontos comuns, pela negativa, como se pode notar neste texto do Público.

Assim, limito-me, para já, a confirmar:

– a tendência para o cercear da democraticidade nas escolas, mesmo que o discurso programático vá no sentido contrário, tal como acontece no discurso do PS (Maria de Lurdes Rodrigues chegou a defender que o fim da escolha dos directores pela maioria da escola era um aumento de democraticidade);

– a continuidade na criação de mega-agrupamentos, numa lógica puramente economicista, confundindo-se contabilidade com gestão e contrariando ideias sensatas;

– a insistência na participação excessiva das autarquias e da sociedade civil, o que, na realidade, concede demasiados poderes a leigos e abre as portas das escolas às pequenas politiquices locais;

– a perversão do que é fundamental em Educação, através da implantação de metas de aprendizagens;

Seja como for, é evidente que todos os que se interessam por Educação (tema que abrange, também, os problemas da condição docente) deverão analisar com pormenor as propostas daqueles que poderão vir a governar o país, mas as primeiras impressões levam-me a entrever que o caminho que começa a ser trilhado não vai em direcção a melhorias, vai em direcção ao PS.

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