Cravos nas ruas de Madrid

Primeira manifestação de bom gosto: a geração à rasca no resto da península chama-se Indignados. E a poesia já está na rua:

Además, muchos llevan ramos de claveles recordando a la revolución portuguesa. Argumentan que si la policía carga se defenderán con flores.

Ana Marcos

Puerta del Sol, texto lido a 18 de Maio

Pedem-nos propostas, os que nunca tiveram propostas.
Pedem-nos programas políticos os que guinam sistematicamente os seus programas políticos.
Pede-nos transparência quem nunca nos contou nada. Quem nunca nos perguntou nada.
Pedem-nos propostas, os que têm milhões e milhões aos que têm barracas e insegurança, papelão e desemprego, dívidas e mais dívidas.
Pedem-nos propostas porque o poder já não são eles, o poder somos nós todos.
Pedem-nos propostas porque têm pressa, têm pressa porque têm medo.
Mas nós não temos pressa, porque o tempo agora já não é o alheio. O tempo é nosso.
Temos paciência porque sabemos que isto vai crescer.
Temos paciência porque não temos medo.

Roubado no 5Dias

Comments


  1. o que é de todos não pode ser roubado, Ana. 😉


  2. Que falta de imaginação lembrarem-se de cravos que só nos lembra o 25 que originou uma geração “rasca” e não à rasca!! (Des)governantes e presidentes “rascas” que só nos envergonham cá dentro e lá fora! Por isso é que Portugal chegou ao ponto em que chegou. É só gente bera, sem educação, sem civismo que se armam em senhores sem o serem. Se soubessem dos moldes em que essa revolução foi feita até tinham nojo de falar nela!!!


    • Maria, eu tenho nojo das pessoas que têm nojo do 25 de Abril. Sabe porquê? porque antes de 1974 se eu tivesse nojo do regime em que vivia ia preso.
      Sabe qual é a diferença? as Marias enojadas (e mentirosas) têm nojo e são livres de o terem. Passe mal.


      • Eu também tenho nojo de si, basta ter dito o que disse. Geração “rasca” do 25 é que fala assim…
        Vá aprender a ser educado e civilizado!
        Passe péssimamente!

  3. Maria Elisabete Neves says:

    Quando se toma a nuvem por Juno é no que dá.
    O 25 de Abril deu no que deu, porque há homens que se aproveitam daquilo que homens bons fizeram.
    Que eu saiba, também os seguidores de Cristo andaram a queimar gente nas fogueiras.
    O 25 de Abril foi a coisa mais linda que vivi. E nojo metem-me, sim, os que o atraiçoaram.

  4. Rodrigo Costa says:

    … E acham que esta rapaziada descende de quem?… Dos benignos, dos que, mesmo sem projecto para o dia seguinte, eram sonhadores? Claro que não! O grande número pertence aos que, escondidos e mascarados, aguardavam a sua oportunidade. Eles aí estão, assim vivem… e que ninguém lhes diga que não são democratas, que eles juram que sim, e até apresentam fotografias em que aparecem no Rossio, por volta do meio-dia.

    Aliás, o País tresanda a democracia, fede, porque o que não falta é “mamas” por todo o lado. O Salazar é que era um malandro, mas mais malandro, agora, porque, desaparecido, desapareceu o pretexto, e descobriu-se, pouco após o golpe, que o País não tem tido mais do que ditadores.

    Olho, de facto, para algumas figuras como Vítor Alves, o capitão Lourenço, e mais um ou outro, e não vejo a qual das histórias pertencem. A esta , não é, porque os tenho em boa conta; tanto que estão desaparecidos —um porque morreu, o outro porque não entra aqui. E é incrível como só vejo duas figuras com carisma, com categoria, ainda que em polos opostos, mas que se fundem no idealismo: Salazar e Cunhal. O resto é tudo gente que vale poucas nozes; pequenos ditadores sem coragem, porque são feitos de interesses, logo, invertebrados, lesmas. É o que resta de uma noite de insónias —ou várias—, porque as pessoas pensam que basta ter “letra”… e cravos. Quando muito, Portugal deixou de ser campo de concentração para passar a luna parque; palco de vendedores de ilusões, sem dinheiro e sem sonhos.

    Como já deixei escrito, alimentava a esperançade que um governo formado por figuras entrangeiras, que, depois do diagnóstico, viesse e impusesse, sem cedências, o necessário programa de recuperação.

    Em vão. Continuo a ouvir os mesmos vendedores; os que continuam, quase quarenta anos depois, a culpar a ditadura, como se não tivessem tido tempo de crescerem e fazerem correcções. Pelo menos, Salazar e Caetano deixaram os cofres cheios, o que teria permitido que se pensasse com tranquilidade. Mas nunca foi esse o objectivo; o objectivo foi gamar; foi conseguir regalias vitalícias para os ex-presidentes da República, e reformas para marmanjos com 8 anos de Parlamento, como se fosse possível sustentar tanto madraço e sem que o País produza.

    A entrada na Comunidade Europeia foi a retoma do destino de um povo de marinheiros que sempre preferiu as descobertas à cração de infra-estruturas e ao desenvolvimento do espaço onde se encontram as raizes… Óptimo! Eles compram-nos tudo sem que nós tenhamos que lhes vender. E, de descoberta em descoberta, decobriram, agora, que estão tesos e, pior ainda, que não têm nem onde trabalhar nem propensão para o trabalho. Fazem, quando se lembram e de acordo com a coveniência de classe, umas manifestações que não dão em nada, por mais não serem do que parte integrante do calendário turístico.

    A pergunta é: quem são os quer, tendo privilégios, estão disponíveis para fazer cedências —já estou a ver uma ranchada de manguitos! E vejo, também, um cortejo de delegados sindicais que, antes, não conheciam o sabor do bife, e que, passado algum tempo “refizeram” as suas vidas, alicerçados na credulidade daqueles que os viam como defensores do interesse geral —há aí um cuja cara, penso, não me engana; mais tarde ou mais cedo, acabará por chegar onde pretende. Assim que se tornar incómodo, realmente incómodo, alguém lhe vai oferecer a fatia que ele procura.

    Salazar, meus caros, sem o desculpar, era um anjinho…

  5. voluntariamente anónimo says:

    Democracia Real Ya – tem propostas:
    http://democraciarealya.es/?page_id=234

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  1. […] quando se acaba o emprego, tem fome ou lhe falta dinheiro para comprar o novo modelo de telemóvel. As revoluções são como os cravos que estão outra vez em moda: ou se plantam num vaso e se regam […]