Cavaco: o discurso da contradição em dia de reflexão

O Presidente da República foi muito pouco interventivo na campanha eleitoral. E, para deixar uma mensagem deveras contraditória em dia de reflexão, melhor seria que mantivesse o silêncio.

Nem é preciso alongar-nos muito. Basta reproduzir os títulos das notícias da comunicação presidencial em dois jornais:

No ‘Público’

“PRÓXIMO GOVERNO NÃO FICA LIMITADO PELO ACORDO COM A TROIKA, DIZ CAVACO”

No Jornal “i”

“CAVACO CONDENA A ABSTENÇÃO E DIZ QUE PRÓXIMO GOVERNO TEM DE CUMPRIR COMPROMISSOS INTERNACIONAIS”

Ainda li e reli os textos integrais das duas notícias, mas é mesmo assim. Não há erro jornalístico. O presidente Cavaco refere ao País o objecto  das responsabilidades da acção do governo que se segue, através de afirmações desconexas. O acordo da troika não limita a acção do próximo governo?  Não é, de facto, esse acordo o pesadíssimo ‘caderno do encargos’  dos compromissos internacionais a cumprir?

À excepção do resultado da selecção nacional, vencedora da Noruega por 1-0, a vida dos portugueses, nem em dia de reflexão eleitoral, correu de feição. Houve bastonada no Rossio (Lisboa) e, no final, fomos presenteados com um atabalhoado e contraditório discurso  do Prof. Cavaco Silva.

São efeitos da estratégia do mar profundo em que submergimos. Nem os famigerados submarinos  nos valem. É O NOSSO FA(R)DO!

Comments

  1. a.marques says:

    NÃO VOTEI NAS PRESIDENCIAIS E VOU CRITICAR O PRESIDENTE CAVACO SILVA

    Peço desculpa, mas a nossa Constituição não restringe o direito á critica em função da ausência ou presença nas urnas. Um direito pode não ser exercido, tanto mais que quem pretenda abster-se conscientemente, é obrigado a ficar nas rua em vala comum de incertos sem lápide. Ao contrário dos senhores deputados que na AR para optarem pela abstenção tem que marcar presença, apesar da reprovável disciplina partidária a que se submetem.
    Fica o ptotesto.
    Abstenção no acto como voto validamente expresso porque não?.
    Concluindo, um espaço com uma cruzinha (X) para abstenção (querendo) em cada boletim de voto.
    Desta vez foi durante o dia de reflexão que resolvi ir votar mesmo assim.

    • Carlos Fonseca says:

      Também me abstive nas presidenciais. É um direito. De resto, tal como a lei estabelece, votos brancos e nulos contam tanto como a abstenção.

  2. Lufino says:

    Se não tivesse asumido que hoje vou votar, simplesmente tinha-me abstido de o fazer. Por momentos pensei mesmo fazê-lo! O Presidente da República terá o dever de apelar ao voto, por isso é presidente, mas não tem o direito de decidir como cada cidadão deve fazer em relação aos seus direitos. E sim, vá ou não votar, vote em quem votar, tenho direito a criticar os que nos (des)governem.

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