Esquerda moderna

-Não pretendo entrar na discussão interna do B.E., nem tão pouco tomar partido por Daniel Oliveira, Luís Fazenda ou debater a continuidade de Francisco Louçã na liderança da esquerda moderna. Por mim até é positivo que tudo continue como está. Fico apenas um pouco surpreendido que alguns bloquistas, venham agora criticar a comunicação social por dar relevo às posições de militantes que divergem da liderança. Mas são assim tão ignorantes, ao ponto de estarem convencidos que o estado de graça seria eterno? Não perceberam o protagonismo que foi dado a Manuel Alegre durante o primeiro governo de José Sócrates? Até o relevo que Ana Paula Vitorino, Henrique Neto ou mesmo Luís Campos e Cunha foram recebendo, derivou da necessidade de ouvir as poucas vozes dispostas a divergir com a corrente dominante. Nesta matéria o PSD ao longo dos anos tem sido terreno fértil, até mesmo durante as maiorias absolutas de Cavaco Silva. Quando está na oposição então é objecto de notícias quase diariamente. O CDS/PP também já viveu momentos conturbados, com a comunicação social próxima dos protagonistas, como seria seu dever. E até mesmo o PCP, avesso a debater problemas internos na praça pública, já viu partir muitos destacados membros com estrondo, embora tenha sempre conseguido minimizar os estragos. Alguns até foram parar ao BE. É pois no mínimo curioso, que algumas pessoas próximas do BE, considerem as posições de Daniel Oliveira, Joana Amaral Dias ou mesmo Rui Tavares, que nem sequer é militante, mas eurodeputado eleito pelo partido, logo figura pública próxima, como irrelevantes. Podem até não ter expressão interna, esse é um problema que apenas aos próprios diz respeito, mas ouvir vozes dissonantes das lideranças partidárias, faz parte da tradição da comunicação social em Portugal, por muito que desagrade aos líderes. E bem! Provavelmente estariam convencidos que seria diferente com o BE, mas são apenas um partido igual aos outros, por muito que isso lhes custe ou afecte o complexo de superioridade de que alguns enfermam, felizmente nem todos.

Comments

  1. Rodrigo Costa says:

    Cro António de Almeida,

    … Farto-me de dizer que são todos iguais; basta que a oportunidade chegue, para que se perceba que o destino é a incoerência —não é assim, quando os ladrões são roubados, vermo-los a chamar a polícia?…

    O Bloco de Esquerda estará condenado, porque é integrado, maioritariamente, por pessoas que nunca souberam o que é ter dificuldades; que têm vivido economicamente conforáveis, sustentados por famílias que lhe podem suportar os devaneios. De resto, tenho dúvidas de que haja partido que integre maior número de pessoas elitistas, no mau sentido, porque as elites são necessárias para a prosperidade e a robustez dos grupos…

    Mas de que elites falamos?… Das constituidas por pessoas que pensam, que podem —através do que procuram e do que sabem— ajudar a encontrar soluções, sendo o suporte realmente intelectual das sociedades, e não acéfalos de nariz empinado, vestindo “casual” com roupas de marca. As elites não são nem nunca poderão ser “sets” de pessoas mimadas que não fazem ideia do que é, de facto, a vida.

  2. Trafaria says:

    De onde vem este menino?
    Dizer que, as pessoas do BE nunca passaram por dificuldades, é no mínino brincadeira de…!
    Acho que o menino, deve ter os seus pontos/ideias, deve apresentar e discutir as ideias do BE, ou não.
    Neste momento o BE, apresentou no Parlamento duas propostas: Renegociação da dívida e Auditoria sobre a dívida.
    Nos proximos anos, não vai haver aumentos dos ordenados, bem como das reformas (como é o meu caso).
    Pergunto, concorda ou não?
    Sobre o subsídio de desemprego, o mesmo, ou seja, os proximos desempregados, vão ser uma vez mais roubados?
    As PPP para mim são o roubo do século, acha bem?

  3. Artur says:

    A Esquerda ( a moderna ou a outra) nunca lidou bem com as dissidências internas. É como a Igreja. Têem receio (e com razão) que demasiadas mudanças na doutrina deia origem a que os crentes comecem a por em causa as “verdades” que apregoam. As mudanças impulsionam a reflexão, o que não convém muito se se quer manter o status quo.

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