Pilar-José-Saramago

Eu gosto dos livros de Saramago. Regra geral: são bem escritos, imaginativos e bem estruturados. Têm, contudo, dois defeitos notáveis: são ideologicamente repetitivos e francamente pobres em imagens (simbólicas). Ou seja, quer os romances quer os ensaios de José Saramago não são eruditos e talvez seja esse um dos componentes principais da fórmula do seu sucesso. De resto a maioria das pessoas que disser que adora Saramago, pode ter lido antes a National Geographic, 2 Paulos Coelho e, eventualmente, António Lobo Antunes. Compará-lo a Jorge Luís Borges, por exemplo, – autor que o supera largamente em estilo, erudição e gramática – é inútil. Não se comparam estrelas de grandezas tão diferentes. Mesmo apesar de cada um ter tido uma fiel guardadora. Mas, e daí, também não se pode comparar a simplicidade de Maria Kodama, com a boçal extravagância de Pilar del Rio…

Um outro aspecto do seu sucesso foi ter ganho o Prémio Nobel, atribuído, não pelo valor da obra em si, como sabemos, mas pela ideologia do autor e das suas palavras. Saramago foi um cínico. Cínico dos cínicos, príncipe dos cínicos. Não acreditava em Deus, nem na virgem, nem nos anjos e santos, não acreditava nas religiões, mas acreditava menos ainda nos Homens, na humanidade em geral. Depois de ter sido nobelitado, tornou-se semi-deus no mundo e deus no seu país que entretanto tinha abandonado (juntamente com o português, que castelhanizou). Acreditava em si e na Pilar, às vezes.

O documentário que acidentalmente vi ontem na SIC pareceu o coroar desse cinismo. Aliás, documentário, não. A novela. Certos lances, certos planos, eram cuidadosamente pensados por aquele Cérebro (atenção à grafia!) chamado Pilar, cão de fó do templo imaculado do asséptico e velho marxista Saramago, conservado até ao final numa cápsula de éter ideológico.

Todo o filme transparecia falsidade. Desde a ideia de mostrar uma história de amor onde não existia (apenas simbiose e mesmo assim desequilibrada) até à glória de um homem mais odiado que amado, mais temido do que respeitado. E pelo meio os comentários daquela terrível mulher – alguns desculpados pela menopausa – pareciam imprecações, histerismos, loucuras numa espécie de anel de fogo que continha o escorpião. No final Saramago viaja, diz o realizador. E nós também, dando graças pelo fim.

Sem menosprezo pela fotografia e pela produção da El Deseo que, como sabemos, tem tratado de forma excelente os filmes de Almodôvar, há muito tempo que não tinha visto algo tão postiço, tão francamente mau. Imagino que tenha sido isto, ou algo semelhante, que Almada Negreiros sentiu depois de ver a peça de Júlio Dantas, sendo a peça não o filme em si, que se desculpa pela realização, mas os últimos anos de Saramago.
Morra o Dantas, morra. Pim! (ou Plof!)

Comments


  1. Nuno,
    antes de mais quero deixar claro que não vi o filme (logo não me pronuncio sobre isso) e que não tenho, digamos, uma vontade “natural” de não concordar contigo. O que acontece é não concordar mesmo, apenas isso.
    Mas vamos por partes:
    Os romances de Saramago são “e francamente pobres em imagens (simbólicas)”. A sério? Leste o Memorial do Convento? O Ano da Morte de Ricardo Reis? O Ensaio sobre a Cegueira? Pobres em imagens simbólicas? Se calhar sou eu que não sei o que são imagens simbólicas…
    Jorge Luís Borges (um dos meus autores preferidos, do qual conheço a obra completa, ou seja, li mais do que dois “Paulos” Coelho) supera Saramago em estilo e gramática? A sério? Se calhar sou eu….
    Boçal extravagância de Pilar del Rio? É uma observação bastante deselegante e interessa tanto para o que Saramago escreveu antes de a conhecer como para o que escreveu Borges antes de Kodama. Pioraram depois desses conhecimentos? A sério?
    Saramago que, como dizes, não acreditava em certas coisas “acreditava menos ainda nos Homens”. A sério? Em que Homens, podes dizer? Em nenhuns? A sério? Eu também acredito pouco na “humanidade em geral”, logo, se calhar, sou eu que….
    “Desde a ideia de mostrar uma história de amor onde não existia”. Mesmo? Tens a certeza? Como?
    “Um homem mais odiado que amado”. Onde? Odiavam-no em Espanha? Em França? Na Alemanha? Eram mais os que o odiavam do que os que o amavam? Mesmo? A sério?
    Os últimos anos de Saramago foram isso tudo? Morra, plof? Assim tão maus? Mesmo e a sério? Deve haver muita gente cega neste mundo, a começar por mim…


    • Pedro,
      São perguntas a mais para quem não quer discordar, só por discordar.
      Por isso ficam sem resposta.


      • Podem ficar sem resposta, mas não é pela razão que dizes, porque cada pergunta corresponde a uma afirmação e há afirmações que nem questionadas foram. Por exemplo: “Um outro aspecto do seu sucesso foi ter ganho o Prémio Nobel, atribuído, não pelo valor da obra em si, como sabemos, mas pela ideologia do autor e das suas palavras.”

        Foi?

  2. Pisca says:

    Vá lá, neste caso parece que ainda leu um oi dois livros.
    Não há muito tempo dizia-me um fulano que Saramago nem escrever sabia, quando lhe perguntei que livro tinha lido só respondeu:

    – Nenhum, mas é o que dizem !!!!

    resta acrescentar que para esta peça a leitura das legendas dos filmes já é um suplicio

  3. Daniela Major says:

    Finalmente alguém que diz o que eu penso sobre os livros de Saramago…basta dizer que o Nobel foi um prémio que Churchill também ganhou….todos sabem que lhe queriam dar o da paz mas isso era muito flagrante, logo deram-lhe o da literatura. Para ver os critérios desta gente.

    Saramago tem muito imaginação e é brilhante no conteúdo. Mas compara-lo a Borges, a Gabriel Garcia Marquez (quantas pessoas sabem o começo do memorial do convento de cor?) ou mesmo a a Kafka. Para mim os livros de Saramago não me comovem, não me sufocam, não me fazem chorar.

    Sei bem que qualquer pessoa que crítica Saramago é imediatamente linchada. Mas afinal temos todos direito a ter opinião ou não?


  4. Interessante esta troca de comentários.
    Aqui vai o meu – mais um!

    1- Gostei de alguns livros de Saramago: Levantado do Chão, Memorial do Convento, Ensaio sobre a Cegueira, O Evangelho segundo Jesus Cristo… Desinteressei-me de outros, sobretudo depois desse enorme equívoco que foi o Ensaio sobre a Lucidez.

    2- Detestei o Saramago que se erigiu em profeta da tribo. O homem do dedo em riste. O rosto severo com que fustigava a humanidade. Se tivesse vivido no séc. XVII teria sido inquisidor. Se vivesse na URSS de Stalin teria sido um carrasco dos resistentes ao colectivismo. Teve um pau na mão e foi vilão, no caso Diário de Notícias de 1975. Fustigou as religiões mas nunca se demarcou frontalmente da religião em que se tornou o seu velho PCP.

    3- Levou-se demasiado a sério no caso do livro que foi retirado do prémio europeu, por Sousa Lara. Exilou-se, melindrado, sentiu-se perseguido. Pareceu-me que agarrou a mãos ambas a grande oportunidade da sua vida. Para além da espanhola que lhe caiu no quintal, escolheu uma freguesia mais vasta onde pregar o seu ezedume.
    Com uma avença na Caminho, passou a produzir para garantir a viabilidade da editora, em apuros com o recuo dos comunistas.

    4 – Pilar? Uma ex-freira que passou da fé católica para o radicalismo feminista e que encontrou em Saramago um bom presente e um bom futuro. Vi o documentário e detestei a mulher. Insolentemente opinativa, a impor a um homem de saúde frágil, recém escapado da morte, um programa social de loucos, com viagens longas e constantes, sessões de autógrafos com centenas de clientes, entrevistas a metro. E o pobre homem, aflito, sem querer dar parte de fraco, a protestar que já nada tinha para dizer… E ela a puxá-lo, a fazer render a farinha, a tender a massa…

    5 – O que eu vi no funeral dele não foi uma mulher devastada pela dor, recolhida no luto. Foi uma atriz de olhar prazenteiro, que já se via a passar para a boca de cena, sem ter de arrastar a quase múmia que era Saramago nos últimos meses de vida.

    6 – Palavras cruéis? Possivelmente. Opiniões pessoais, nada mais. Mas suscitadas pelas imagens do espectáculo em que Saramago se constituiu voluntariamente. Na mira da ganhunça e da fama.
    Que diferença para outros vultos da literatura, que se refugiam no recato e mesmo no silêncio…

  5. maria monteiro says:

    “Bom, falar de Pilar [del Rio] é ao mesmo tempo fácil e difícil. Ela nasceu em 1950, eu em 22. Sinto-me um pouco estranho quando penso que houve um tempo em que eu já estava e ela não. É estranho para mim entender que tivessem de passar 28 anos desde o meu nascimento para que chegasse a pessoa que seria imprescindível na minha vida… Ela é, aqueles que a conhecem sabem-no, uma mulher extraordinária, além de muito bonita. Ela nasceu para servir os outros, e os outros são toda a gente, a mãe, os 14 irmãos, as amigas, os amigos… Ela está sempre disponível. Ela nunca diz não a uma chamada e dá toda a atenção à pessoa com quem está a falar, que naqueles momentos é a mais importante do mundo. E bom… Quando a conheci, eu tinha 63 anos, era um homem já mais velho. Ela tinha 36. Os amigos diziam-me: «Isto é uma loucura, um disparate! Com esta diferença de idades! … E eu sabia, mas não me inquietava. Agora já não consigo imaginar a minha vida sem ela, não consigo conceber nada se Pilar não existisse… Quando ela não está, a casa apaga-se. E quando volta, reactiva-se” «No coração de Saramago», Elle, nº246, Madrid, Março de 2007. [Entrevista de Gema Veiga] Obrigada Saramago!

    Obrigada Saramago!
    Obrigada Pilar!


  6. Aquele documentário … deveria ser enquadrado no género filme de Terror … Bem visto, Nuno.


  7. A propósito: os Suecos não passam de uns parolos com manias … Prémios da Indústria de Morte do Sr. Nobel, quem ficará regozijado?


    • Bem, essa era outra questão pertinente. O que quer dizer, afinal, o prémio Nobel? Que tudo o que não é nobelitado não presta? É o que parece…


  8. Seja nessa obra ou na sua mais famosa O evangelho segundo Jesus Cristo Saramago sempre usou de uma ironia ferina um sarcasmo acido contra a fe crista..Lembro-me que no post acima citado terminei com uma frase uma coisa e certa o acerto de Jose Saramago com Deus ainda nao e definitivo..Embora sabendo que se tratava de um homem incredulo um impio que levou a vida a imprecar contra Deus ainda assim sinto uma tremenda pena do grande escritor. E Deus tira o sopro de vida quando lhe convem..Jose Saramago travava uma luta contra a morte demonstrando medo incerteza do que viria apos a cessacao da vida mesmo afirmando a nao-existencia de Deus. O mesmo terror o mesmo desespero que sempre acometeu os existencialistas com a sua eterna incerteza a respeito do Criador..No entanto aquele que cre verdadeiramente em Cristo tem a vida eterna o que nao cre porem ja esta condenado..Ao fim deste curto texto quero finalizar com uma frase diferente daquela com a qual finalizei o outro post uma coisa e certa o acerto de Jose Saramago com Deus agora e definitivo..Bendito seja o nome do SENHOR em toda a sua gloria.. Fonte …………

  9. berto says:

    Não vi o filme. Mas Saramago levanta algumas questões. Por exemplo, muita gente diz que ele escrevia mal ou que não gostava do que ele escrevia. Quantos livros de Saramago essas pessoas terão lido? Admito que algumas tenham lido um (e um só) livro de Saramago e não gostado, ficando-se por aí. Acho masoquista andar a ler livros de alguém de quem se detesta a escrita ou o escritor, não faz sentido. Eu que li quase todos os livros de Saramago, gostei muito de uns, não tanto de outros, e detestei alguns, penso ter conhecimento suficiente para opinar sobre o escritor ou sobre o homem que transparece na sua escrita. Não me venham com a tanga que o homem escreve mal sem conhecer mínimamente a sua obra.
    Já agora, se Saramago recebeu o Nobel pela sua ideologia e pelas suas palavras, Vargas Llosa, Hertha Muller, Coetzee, Naipaul, Gao Xingjian, Camilo Jose Cela, que não têm nada a ver com a ideologia de Saramago, receberam o Nobel porquê?


    • Saramago levanta todas as questões. Pertinentes, muitas delas. Acho que há aqui uma leitura diversa do meu texto. E quanto à ideologia dos autores nobelitados convinha informar-se melhor pois os nomes que indica têm algo em comum.
      De resto, volto a frisar, há muito tempo que o Prémio Nobel não é indicador de nada bom. Sobretudo desde que Obama recebeu o prémio da Paz e foi brincar às guerras para o Afeganistão e afins.
      Mas, de facto foi bom ver um marxista empedernido a fazer uma vénia ao rei da Suécia. A espinha de Saramago era de uma elasticidade impressionante.


      • Pronto, lá volto eu às perguntas: e o que é que os autores que o Berto cita têm em comum e sobre os quais ele deveria informar-se melhor?
        Sobre a questão do Nobel: generalizações sobre ser sempre bom ou sempre mau são apenas isso – generalizações.
        Já agora, como pode o comité Nobel prever o que vai fazer um premiado depois de nobelizado? É que a critica à atribuição do Nobel a Obama (não ao Obama ele-próprio) pode ser feita em relação ao que fez antes para merecer o prémio, nunca ao que fez depois. Críticas em relação à conduta posterior devem ser assacadas ao próprio Obama, não ao comité ou ao prémio.


      • “há muito tempo que o Prémio Nobel não é indicador de nada bom. Sobretudo desde que Obama recebeu o prémio da Paz”. Portanto estamos a falar “sobretudo” dos últimos dois anos

  10. berto says:

    Um Nobel da Paz pode ser atribuido por imposição ou conveniência política. Quando Kissinger o recebeu certamente não foi pelas mesmas razões de Madre Teresa de Calcutá. Se existe conveniência na atribuição do Nobel da Literatura esta não será, na minha opinião, tão evidente como o da Paz.
    Mas voltando aos escritores por mim citados (e existem muitos outros) o que têm em comum é…escreverem livros. Ideológicamente não vejo convergência possível entre Saramago e Vargas Llosa, por exemplo. Creio que Harold Pinter não é marxista, nem Coetzee, mas Doris Lessing é esquerdista 100%.
    E reporto-me apenas aos galardoados mais recentes, pois se formos mais para trás Hemingway, Steinbeck, Sartre e Pasternak, por exemplo, são como azeite e água.
    Pode-se discordar da atribuição de um Nobel, divagar sobre a escolha de uns e a recusa de outros, mas apesar deste prémio deixar muitas dúvidas e reticências isso não ofusca a grandeza de um escritor português o ter recebido, goste-se ou não do que escreveu, da sua vida privada, das suas posições políticas, da sua postura pessoal.


  11. Estou admiradíssimo, no bom sentido!
    Tomara que aparecessem mais proselitistas literários destes não só para defender o bom nome e a obra de Saramago, mas para defender a língua e já agora reabilitar Camilo, lembrar padre António Vieira, Fernando Namora, Sophia, os clássicos e os menos clássicos tantos que ficaram ofuscados por meia dúzia de entrevistas e um perfil polémico.
    Mas estamos no bom caminho.

  12. Rodrigo Costa says:

    … Independentemente da sua capacidade de escrita —que não vou, aqui, dsicutir—, Saramago, enquanto o Saramago que se conhece, sem a estrutura comunista, não existiria. Ele está para a Literatura como Siza para a arquitectura, embora não me choque dizer que Saramago é melhor escritor do que Siza arquitecto. Um e outro —e outros—, sem o Partido… seriam pouco mais que zero, independentemente, como digo, das suas capacidades.

    De Saramago —que é de quem se fala—, não invejo o carácter, porque me é difícil aceitar que alguém passe parte da vida a persguir o “capital” e, assim que lhe é oferecido o Nobel, desata a comprar uma labita —um dos símbolos do mesmo “capital”—, para ir beijar a mão ao Rei, e agasalhar os 70 mil contos, sem dar a “comissão” ao Partido.

    Mais tarde, diria, inclusive, que a “esquerda é tonta”, e que se deveria votar em branco. O que possa escrever, a mim não me interessa, porque não gosto de gastar tempo com pessoas incoerentes, das quais tenho que esquercer, muitas vezes, aquilo que escrevem e que eu leio. Ora, se é para esquecer, o melhor é nem me lembrar. O seu último livro, então, é uma barbaridade, não por ferir uma figura ou figuras que me dizem pouco, mas por ser um chorrilho de disparates que alguém pretendeu incorporar nos escaparates da Literatura —Aliás, bastou-me ouvi-lo na apresentação do conteúdo, em debates televisivos, para pensasr como a Pilar poderia ter sido bem mais amiga dele.

    Sobre a Pilar —que não conheci nem conheço—, sempre achei que se ri demasiado, para poder ser levada a sério.

  13. Artur says:

    Quiçás uma mulher a lutar para se incluir na “eternidade”, à boleia do Saramago.

  14. Artur says:

    Há que saber separar o escritor da sua obra. Se as grandes obras da Literatura mundial tivessem sido escritas por gente como Hitler, Estaline, Bin Laden, ou pelo Bibi, deixariam as mesmas de ter o mesmo valor literário? O que é que interessa aqui é o conteúdo e o estilo da obra ou é a vida que o escritor levou? Hemingway era um bebedo e sei-lá-mais-o quê. Valem menos ou valem mais os seus livros por isso?
    Isto para dizer que achei o texto do Nuno Resende impregnado de uma maldade excessiva e despropositada. Uma coisa é julgar a obra por aquilo que ela é. Agora, fazer criticas pessoais, levantar suspeições, rebaixar os aspectos da vida privada de pessoas, algumas das quais ainda vivem, é sadismo. Lembre-se que as palavras também magoam e muito, sobretudo de forem injustas. Há coisas, que embora possam ser verdade, não devem ser escritas, por uma questão de humanidade.


    • Não costumo responder a quem não se identifica convenientemente, mas vou fazer-lhe uma pergunta. Viu o documentário? Viu quantas vezes Pilar ou José Saramago “fizeram criticas pessoais, levantaram suspeições ou rebaixaram os aspectos da vida privada de pessoas, algumas das quais ainda vivem?”. Se não viu, veja.
      E volto a repetir, pela enésima vez, que gosto da obra de Saramago. Mas ética, num escritor humanista, ou universalista, não ficava nada mal.


      • Já tenho sido criticado pelas minhas opiniões sobre J Saramago. Contrapõem-me que não critico as ideias mas sim o homem. E que é deselegante criticar a senhora D. Pilar
        Li por aqui alguns comentários que vão na mesma linha.
        Respeito as opiniões de toda a gente, na expectativa de que respeitem a minha.
        Apenas digo a concluir: quem se chega à frente do palco e prega sermões aos outros, está sujeito a ouvir pateadas de quem não concorda com o sermão. Eu simplesmente não aturava o tom moralista de Saramago.

        Hoje é feriado, dia do Corpo de Deus ( espantosa designação!). Altura para reler a belíssima descrição da procissão do Corpo de Deus em Lisboa no Séc. XVIII, no “Memorial do Convento”. A páginas 149-157 da minha edição de 1982!

  15. Tânya says:

    Aprecio a inteligência, a coragem, a “raça” deste portugues, odiado por muitos portugueses, que esquecem, que é o único escritor de língua portuguesa que recebeu o Prémio Nobel da Literatura. Romancista, poeta, dramaturgo, autodidacta, José Saramago usa a palavra como arma, desde os dias difíceis do salazarismo até à descoberta da literatura. Saramago apenas concluiu os estudos secundários, dadas as dificuldades económicas da família. Desenvolveu um percurso profissional do jornalismo à política, com experiências em serralharia, produção e edição literária, além de tradução. Pratica a literatura dos extremos. É um pessimista que faz da ironia a sua esperança. “É um português de sete estrelas!”, diz o fadista Carlos do Carmo.
    Suas ideologias, não tiram seu valor. Era ateu? Socialista? Comunista? O que era, afinal?…Nada disso me importa, na minha visão e experiência de vida, se elevar de um meio pobre e humilde sem nenhum suporte familiar, é muita gana, muita vontade de vencer!!! Se todos fossem como este portugues “raçudo”, lutassem, ao inves de reclamar, haveria menos miséria e ignorância em um País que continua com visão estreita, e cultura de aldeia, um povo que não avança, está estagnado em seu pequeno mundo….Tânia. taniacarvalho@brturbo.com.br

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