Um Parlamento mais nobre

 
Foto da “Visão”

Aplaudo a eleição de Assunção Esteves para Presidente da Assembleia da República.

Não por ser mulher, mas por ser a mulher que é.

Não adiro à lógica de que fica bem eleger mulheres para certos cargos ou para quebrar tradições. As escolhas devem ser por mérito, e não por género. Acho mesmo que é de um paternalismo sexista sem sentido a existência de quotas para mulheres em órgãos políticos, da mesma forma que é idiota nas fotografias oficiais as mulheres terem de ficar no centro do grupo, como se precisassem de amparo.

Aplaudo a eleição de Assunção Esteves pela deputada que sempre foi. Por ser alguém com princípios, valores e – coisa também cada vez mais rara – ideias próprias, como demonstra a sua conduta política. Só em segundo lugar é que me apraz saber que é a primeira mulher a presidir à casa da democracia, porque prefiro o mérito ao género, pois que é assim que se consolida a nobreza das instituições.

Comments

  1. a.marques says:

    Acabe-se com o fantasma das segundas escolhas e o mito dos insuperáveis e infalíveis. A essência da democracia reside na elementar possibilidade e vital capacidade de abrir caminhos e ponderar alternativas que nunca diminuem a fina selecção nem os que finalmente eleitos se tinham disponibilizado. A sensação que se respira é de libertação e alívio, com cidadãos que para além das competências que venham a demonstrar, dão uma imagem de pessoas normais prontos para a tarefa sem ilusões nem esconderijos. O exemplo de simplicidade lúcida, abertura, transparência e alegria de servir sem sofismas, dado pela Senhora eleita Presidente da AR, foi um hino ao carácter, á seriedade e aos altos valores que revelou transportar consigo. Portugal vai ter que combater a doença, mas nota-se que já caminha e respira sem constrangimentos nem grilhões. Em todos os quadrantes da sociedade sopra uma saudável aragem. Apesar de jornalistas comentadores que parece terem contrato vitalício com a protecção do sombrio passado recente.

  2. Eu acho que toda agente deve ir votar, porque assim pode manifestar-se contra aquilo de que não gosta.
    Eu quando eles os salazaristas condicionavam o direito de votação, como podia votar fazia-o e até era em listas de cor diferente, mas nunca tive medo de o fazer.
    E sabem o que acontecia,era alvo de represálias de muitos que infelizmente ainda por cá andam

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