Por favor, parem de cortar na despesa

Qualquer ilusionista sabe que um truque não se repete. Mas o nosso querido ministro das finanças já deve ser a terceira vez que faz o brilharete de anunciar que vai comunicar cortes na despesa pública e depois, com tremenda lata, tira novos impostos da cartola.

E ao certo, porque vamos pagar mais impostos? Porque temos boa saúde? Porque a justiça é célere? Porque estamos a formar uma geração altamente qualificada? Porque temos um país seguro? Porque vamos ter as reformas para as quais estamos a descontar?

Não. Estamos a pagar mais impostos porque a banca deu o golpe do baú, porque se fizeram obras públicas sem dinheiro para as pagar, porque se deram computadores como se fossem brindes de campanha, porque a torneira para a Madeira  continua aberta, porque alguém terá que pagar as eólicas, porque… A lista parece infindável mas pode resumir-se em meia dúzia de palavras: uns poucos pagam a mama de muitos.

Por isso, senhor Vítor Gaspar, deixe de cortar na despesa. A minha carteira está nas últimas.

Comments

  1. joão miranda says:

    não tirando razão à segunda parte do seu texto tenho a dizer: sim temos boa saúde e sim estamos a formar uma geração altamente qualificada

    • jorge fliscorno says:

      Bom deve ser por isso que quando quero uma consulta em tempo útil vou ao privado. Deve ser também pela mesma razão que a lista de espera por médico de família é de milhares e que é preciso ir às 5 da manhã para uma consulta num centro de saúde. Quando à geração altamente qualificada, só acho pena que não saiba fazer contas e escrever condignamente.


  2. É extremamente anti-democrático ir contra a vontade soberana do povo desta maneira! Afinal de contas toda a gente conhece o programa do governo. Foi este programa o votado em 5 de Junho. 😉

    O drama nesta questão é a inutilidade de todas estas medidas e das que lhes vão suceder. O verdadeiro problema é o seguinte:

    O ministro das Finanças anunciou, na semana passada, que ia introduzir alterações “cirúrgicas” ao Orçamento de Estado (OE) de 2011. A proposta de Orçamento Rectificativo que hoje se discute em comissão parlamentar prevê uma subida de 14 por cento no limite de endividamento, o que leva a que, no total, mais de metade do possível endividamento público seja para apoiar a banca.[in Público em árvore morta de 2 de Agosto]

    Não creio que tenhamos pobres suficientes para pagar esta factura (nem sequer se incluirmos os remediados)… Olha que chatice!

  3. Vergueiro says:

    Finalmente começo a ver algumas críticas neste blog ao tão aclamado governo PSD. Estou parvo como até agora a comunicação social tem sido benevolente com as “Não medidas” do governo. Salvo alguns intelectuais como o Nicolau Santos, só a SIC vai criticando um pouquinho, mas ainda não declarou guerra aberta ao governo, com uma pequena esperança que a RTP não seja privatizada.
    Cada vez mais me convenço que a Comunicação Social tem um peso enorme na escolha do governo e/ou nas medidas tomadas. Como seriam os jornais se o 1º Ministro fosse o “Eng. Soccas”? Eu tenho uma pequena ideia, ” Soccas MENTIU ao país e vai agravar impostos!”, “Soccas MENTIU ao país e TGV avança”. Bom a diferença é que o Soccas não prometeu nada disso, ao contrário dos actuais governantes. O que seria se um ministro de “Soccas” tivesse utilizado escutas? O que seria dito se um ministro de “Soccas” tivesse convidado o jornalista Mário Crespo, para ser correspondente da RTP em Washington, passando por cima do conselho de administração da RTP, constituindo uma intervenção clara do poder político nos órgãos de comunicação do estado, para pagar favores de campanha vergonhosa de ataque pessoal ao antigo 1º Ministro?
    Assim, calmamente (como gosta de falar o nosso ministro das finanças), já foi metade do subsídio de natal, já foram aumentos de 20-25% nos passes dos transportes, já foi o aumento do IVA da energia (gás e electricidade) de 6% para 23%, tal como o aumento do Iva noutros bens e mais virão… E tudo calmo.
    Do lado da despesa, calmamente, foi a gravata (só foi pena não eliminarem as despesas de representação, que já não serão necessárias), foram os governos civis (cujo o único objectivo foi vender o património, porque todos os funcionários foram encaixados noutras instituições, o único cargo extinto foi o de governador), foram as golden share do estado (note-se que em quase todos os países europeus o estado mantêm maioria do capital para proteger as suas empresas), foi (ou não?) a ParqueExpo, que pelos visto até é uma empresa a criar riqueza e a diminuir a dívida deixada pela Expo98 – Já ouvi dizer que ia ser extinta para se criar outra semelhante, com outro nome e consequentemente com…. Novos dirigentes! (Yuppie tachinhos para distribuir pela malta do CDS! Andam todos aos saltitos!)
    Anunciam-se cortes que serão futuros e não presente, como progressões nas carreiras (há muito congeladas), ou admissões no estado, também elas há muito restringidas (excepção feita à administração local) sendo que o governo Soccas já tinha reduzido em 75mil funcionários desta mesma forma… Resumindo, um puro nada.
    Vai-se o que resta da Galp, PT, EDP, REN, CP CARGA, Refer, CTT, ANA e AdP. Note-se que refiro-me a empresas estratégicas de monopólio com lucros, nas quais o estado não coloca verbas e retirava dividendos, nem que fosse através dos impostos declarados, coisa que quando for privatizada vai ser mais complicado…
    Resumindo, tal como se fez e mal no passado vende-se o que se tem e que dá lucro, ou seja ajudava a equilibrar a balança do estado todos os anos, para equilibrar as contas de apenas UM ano. Depois nos anos seguintes, como tem sido sempre, espantam-se que o défice subiu. Se não se fez nada para organizar e reduzir as despesas e reduziu-se o lado da receita, é ÓBVIO!!! Tudo na MESMA!!
    Com este tipo de dirigentes, com este tipo de medidas, com este tipo de comunicação social que navega consoante os seus interesses, bem como alguns comentadores políticos cujo objectivo é apenas verem o seu silêncio comprado, querem que EU, um jovem ainda na casa dos vinte, tenha esperança no futuro deste país? Devem de estar a brincar comigo… Preparem-se porque piores dias virão.

    • jorge fliscorno says:

      Assim, calmamente (como gosta de falar o nosso ministro das finanças), já foi metade do subsídio de natal, já foram aumentos de 20-25% nos passes dos transportes, já foi o aumento do IVA da energia (gás e electricidade) de 6% para 23%, tal como o aumento do Iva noutros bens e mais virão…

      Mas para pagar as despesas de quem? Quem é que esteve no governo nos últimos 6 anos? E nos últimos 10 ou 15 anos, quem é que ditou os destinos do país? Sem esquecer os devaneios cavaquistas. É bom que não nos esqueçamos de quem inventou (e amplamente fez uso) as SCUT e as PPP; de quem perdoou a dívida à Madeira; de quem nacionalizou os buracos da banca.

      Quanto a empresas estratégicas, sem há-as. Têm sido estrategicamente usadas para colocar ex-quadros políticos.

      Dias piores virão, sem dúvida. Depois de anos de vacas gordas, alguma vez chegaria a factura.

      • Vergueiro says:

        Não deve ter lido o meu comentário com olhos de ver, porque se tivesse lido teria reparado que eu fiz referência a que no passado fizeram-se erros e que, o que critico é que para quem andou a apregoar que o outro estava errado, agora não fazem diferente. E TUDO fica na mesma. Mas já agora, e uma vez que já percebi que é laranjinha, deixe-me que lhe relembre que grande parte das auto-estradas foram lançadas no tempo do Cavaquismo e ainda estão a ser pagas, como por exemplo a EXPO98 e a Ponte Vasco da Gama…
        Não compreendo o parágrafo que escreveu das empresas estratégicas, mas posso dizer-lhe que sempre foram usadas para colocar quadros políticos, quer por PS quer pelo PSD. Mas também lhe digo que é a primeira vez que a Caixa Geral de Depósitos não tem um único administrador da oposição, uma vez que era aceite e consensual que sendo o Banco do País, houvesse fiscalização pelos maiores partidos nacionais. Claro que a competência de alguns para fiscalizar o que quer que fosse é muito discutível, mas ainda assim o princípio parecia-me bem.
        Quanto à dívida da Madeira, foi perdoada tanto a da Madeira como a dos Açores, e creio que se cifrou, a da Madeira, em 550milhões de Euros. O mais curioso é que 12 anos depois existe novamente uma dívida de 500milhões!! E como é que o governo volta a pagar!!. Mas o que me choca mais, é ver o Sr.Alberto JJardim na televisão a afirmar que perante os cortes de Sócrates escolheu conscientemente o caminho do endividamento e que conta com o governo PSD para o ajudar, e agora nós todos vamos pagar a sua escolha ruinosa, com fins eleitoralistas.
        Mais, que moral existe para com as outras regiões? Para com as autarquias? Afinal pode-se endividar à revelia das ordens do Estado? Então mas as regras aplicam-se a quem?
        É fácil construir-se e evoluir às custas dos outros… Mas o que me entristece é que vou à Madeira e tenho sempre a sensação que havia ali potencial para mais. E que os dinheiros são esbanjados sem criar mais-valia. Fazem-se estradas e gastam-se milhões para povoações de poucas centenas ou dezenas de pessoas. Não quer dizer que não dê jeito, mas quantas vilas aldeias e até mesmo cidades não temos cá no continente cujos acessos são miseráveis?


        • Mas já agora, e uma vez que já percebi que é laranjinha

          Isto ilustra bem um dos maiores cancros do nosso país, a partidarite que cega as pessoas e destrói os argumentos. Se esquecermos o nosso clube, digo partido, qualquer pessoa consegue ver que as políticas do PS/D têm tido exactamente os mesmos efeitos, têm recorrido aos mesmos truques e só sobreviveram este tempo todo devido a externalidades para as quais não contribuíram, nem sequer controlaram (dinheiro barato, transferências da CEE/UE, petróleo barato). É claro que convém não esquecer as técnicas de desorçamentação mais ou menos criminosas e certamente imprudentes que têm sido usadas: PPP, contratos de concessão, venda de activos nas piores alturas, privatizações como as que aponta, venda de imóveis à Estamo financiados pela CGD, etc até à náusea.

          Há um exercício engraçado que se pode fazer sobre isto, analise a evolução dos grandes números nacionais e verá que a tendência destes ao longo dos anos não tem rigorosamente nada a ver com o parido que está no poder. Isto não é de espantar, se as políticas forem iguais. Veja aqui.

          Mas também lhe digo que é a primeira vez que a Caixa Geral de Depósitos não tem um único administrador da oposição, uma vez que era aceite e consensual que sendo o Banco do País, houvesse fiscalização pelos maiores partidos nacionais.

          Não costumo perder tempo com anedotas, mas esta é uma pérola que vale a pena destacar. Gostava de ouvir o que o BdP tem a dizer sobre isto! 😀

          • jorge fliscorno says:

            Também gostei muito dessa anedota 😀

          • Vergueiro says:

            Esse gráfico a mim não me impressiona (infelizmente) mas se é o mesmo que o Paulo Portas apresentou em campanha, está errado.
            Mas já agora diga-me, o cancro (melhor, o seu argumento) são só as PPP? É que vejamos, o que é o contrato de concessão da LusoPonte? Bom é que não está reflectido no gráfico tal como outros por não ser PPP, mas o estado desde 1992 já pagou 870milhões de euros (era suposto ter pago 0)
            Tem de colocar aí no “graficozinho” os 1,3milhões da Sociedade Parque Expo e os 870milhões da Lusoponte (este continua todos os anos a somar).
            Lamento informar, mas se fossem só as PPP do gráfico estávamos nós bem. Não deixa de ser grave claro!!
            Quanto à anedota podem guardá-la à vontade. Era um facto. E frisei que não concordo, mas era um facto e o principio estaria bem se fossem escolhidos técnicos competentes. Mas para quem acha que é uma anedota vejam os nomes escolhidos, isso sim é uma anedota que devem guardar. Tal como a privatização do BPN.

        • jorge fliscorno says:

          Mas já agora, e uma vez que já percebi que é laranjinha, deixe-me que lhe relembre que grande parte das auto-estradas foram lançadas no tempo do Cavaquismo e ainda estão a ser pagas, como por exemplo a EXPO98 e a Ponte Vasco da Gama…

          Percebeu que sou laranjinha? Uau. Ainda bem que me explicou essa parte, pois tinha-me escapado. E chegou a esta brilhante conclusão porquê? Pois está enganado, não vendi a alma a ninguém e a política não é como a bola.

          Quanto ao seu argumento das autoestradas que ainda estão a ser pagas (presumo que se refira às PPP), face à incorrecção do argumento, será melhor ler isto:
          http://aventar.eu/2011/05/16/o-relatorio-das-ppp-ii

        • jorge fliscorno says:

          Lamento, não costumo seguir o marketing de Paulo Portas. O gráfico em causa fi-lo eu, com dados oficiais, como lá consta. Se o tivesse analisado, teria nisso reparado.

          Quanto ao que nos levou para o buraco, basta ler os casos enumerados no post.

          Ao contrário do que diz, a lusoponte está contemplada no
          graficosinho. Siga os links do post que citei que agora não me apetece procurar.

          Por falar em custo zero, no graficosinho não constam os estádios do euro 2004, que ao contrário do que afirmou o seu ídolo, estão longe de se terem pago a si mesmos.

  4. Faroleiro da Berlenga says:

    Eles realmente são o máximo. Durante a campanha eleitoral fartaram-se de apregoar o emagrecimento das gorduras da máquina governamental e agora após terem sido eleitos continuam a atirar-nos areia para os olhos dizendo sistemáticamente que agora é que é, agora é que vão anunciar medidas de contenção inéditas e nunca vistas e… pimbbbbaa!!! sai mais um aumento de impostos para os pobres otários pagarem porque os ricos não podem por causa da fuga de capitais. E ainda atiraram mais areia quando falaram de um tal desvio colossal !!! sem dizer claramente onde é que era e quanto era pois não lhes convinha nada falar das tropelias finaceiras do compadre João Jardim lá na Madeira e dos 1000 milhões de dívida desse território que pelos vistos está á margem da crise geral do país. Viva a mudança!!! Os socialistas são uns incompetentes, os sociais-democratas é que vão salvar isto. Ora tomem lá o que é bom para a tosse! E eu nem sou socialista muito menos social democrata e comunista ou monárquico nem pensar mas sinceramente já me doi o cu de aturar estes espertalhões do centro. A pata que os pôs a todos.

  5. Pisca says:

    Pelo meio do saque ao pobre que trabalha, vão despejando medidas para encher o olho e os comentadores tipo “medinas-carreiras”, baterem palminhas e dizerem, “Boa é cascar nos gajos”.
    – Gravatas para poupar no AC – logo este verão que tem sido o que se vê
    – Fim dos Governos Civis – Pois fim da função e o resto ? atiram-se da ponte mais perto abaixo, matam-se, quando não houve ponte atam-se à linha de comboio mais perto (depressa antes que a parem)
    – Redução dos Vereadores – Mas nem todos os Vereadores eleitos têm funções executivas, nalgumas câmaras até são em numero diminuto 4 a 6, pois aquilo ficava bem era com um amigo do partido a tratar das coisas como se fosse o dono da coisa

    Só falta dizerem que por não terem Ministério do Trabalho pouparam o orçamento todo, por exemplo

  6. Mário Patrício says:

    E onde está o nosso presidente???
    Onde está a fiscalização feita por um economista de renome mundial (mas que só é conhecido no país).
    A verdade é que quem vota, é enganado, ou deixa-se enganar, constantemente pelos mesmos grupos económicos e políticos.
    Quem terá coragem de escrever na constituição que o programa dos partidos/coligações que vão a votos deve ser conhecido antes das eleições e qualquer alteração aos mesmos, após as eleições que os sufragaram, devem ser referendados.
    Acho que esta ideia é demasiado boa (modéstia à parte).

    Para desanuviar devo informar que, apesar de todas as tentativas do PC e do PP, a minha carteira não está mais pequena, tem é mais ar.

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