Saber Aprender. Araucania e Europa

mapuche

Cidadãos Mapuche a cantar.

Para os meus filhos britânicos, o casal Camila e Felix Isley, que acabam de pôr no mundo Weñe Javier para acompanhar a sua irmã May Malen, nome Mapuche (Malen: menina linda). Não uma Elisa como eu pretendia… uma Elisa, como a de Beethoven… que sabem aprender ao estar sós à espera do… aparecimento do irmão, o Weñe Javier – sendo Weñe outra palavra mapudugum da Nação Mapuche que habita o Chile: rapaz lindo e inteligente. É assim como aprendemos… para saber

São dois verbos aparentemente contraditórios. O primeiro parece indicar a actividade de conhecer o que se faz; o segundo, a de colocar na mente de uma pessoa, ideias novas. Parecem contraditórios e, no entanto, são actividades que precisam de andar juntas. O aprender está normalmente associado a educação. No entanto, no meu entender, é um acto contínuo ao longo da vida. Pelo que podemos dizer que o conceito está associado a ir adquirindo conhecimento ao longo da vida. Adquirir conhecimento, este também associado às primeiras ideias que nos aparecem. Primeiras ideias que se pensam ser do abc ou abecedário. Mais uma vez, a escola. Mas, será a escola o sítio adequado da aprendizagem? Não será antes necessário distinguir entre as pessoas que andam perto de nós e de quem dependemos? Parece-me impossível pensar que seja o abecedário essa primeira aprendizagem. Onde ficam as emoções, os rituais, o acarinhamento, a dependência que os mais novos, em primeiro lugar, precisam, para desenvolver essa arte de amar no decorrer da vida? Ou a aprendizagem para ao acabar os graus básicos, o secundário e, eventualmente, a vida académica? Não será necessário desenvolver no ser humanos princípios de emotividade, ética e estética antes de aprender a ler essas necessárias primeiras palavras? Como esta escultura de Michelángelo Buonarroti ou Buonarotus, esculpida no Século XV, por ordem de um cardeal para a antiga Basílica de Roma. Quem vê a escultura em desenho ou em imagem, fica trespassado de ver uma mãe sofrer a morte de um filho. As lágrimas correm pela cara de mármore de Carrara, sem um soluço, resignação de uma mulher que sabe que um dia o seu filho deve desaparecer. Bem sabemos que faz parte de um crer ocidental sobre a divindade, um mito bem narrado na escultura: não precisa de palavras. O sentimento fala[1].
la pietá

Pietá não é apenas uma palavra italiana que em português seria piedade na nossa língua. É o profundo sentimento de uma mulher que dá origem a um filho e, a seguir, o perde. Não soluça, aprende a saber que a vida tem duas medidas: dar à luz, alguém aparece na vida, criado dentro do seu corpo e saber apagar quando a luz se perde. Buonarroti não apenas se comove, como diz a História, ao ver a sua imagem, para quem tinha perdido pai e mãe em pequeno, por causa de ter que sair de casa para ser aprendiz de escultor, aos cinco anos, e nunca mais viu aos seus familiares. Aprender é colocar numa obra o sentimento perdido.

Como o saber. Entende que as palavras falam não quando estão escritas, mas quando estão dentro da nossa afectividade e sabemos ser solidários com os outros. Michelangelo ou Michel Ângelo, para nós, foi, tanto, que nunca descansou para ensinar a saber aos outros da sua terra. Desde o seu primeiro dia, aprende o mais importante que todo docente deve saber: a paciência, a serenidade e o esforço de definir. Durante 90 dos seus 95 anos de vida, foi capaz de entregar a sua solidariedade em textos que falam a partir da sua forma e das suas cores.

Será assim que vamos mudar o saber aprender em Portugal, após a mudança do Poder Executivo Será que os mais novos vão aprender com imagens e/ou pinturas as letras necessárias para viver neste desesperado neoliberalismo que nos tem conduzido à pior crise dos últimos tempos? Quem se encarregue da educação, será um novo João de Deus, um continuador de Veiga Simão e saberá entender que se aprende a saber a partir destes textos, para que ninguém se zangue pela falta de habilitações para o magistério? Com a maior das confianças a esse elo central que é o mediador entre os que já sabem e os que estão a aprender, derivado destes textos:

capelasistina

Teto da Capela Sistina, pintada por Michalengelo ou Michel ângelo, entre os anos 1508 e 1512, Roma, Vaticano. Informado na ligação:  http://pt.wikipedia.org/wiki/Teto_da_Capela_Sistina
Os nossos docentes combinam os textos e falam entre si, sobre os que dever ser lidos e explicados. De certeza, Saber Aprender, começa como trabalho para o docente, a união dos progenitores perante a sua descendência, e essa descendência encontrada com a novidade das nossas obras de arte portuguesas, que têm….tantas palavras que ensinam a saber…..

Raúl Iturra

lautaro@netcabo.pt

Com a colaboração da fixação da sintaxe de Ana Paula Vieira da Silva, Antropóloga.

[1] A imagem está colocada na primeira avenida do lado direito da Basílica de São Pedro e o seu tamanho é de 174 centímetros por 195 centímetros e é feita em mármore. Informado em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Piet%C3%A0 , como corresponde citar por causa dos direitos de autor e para que o público aprenda, que é a parte mais importante de este texto. O escultor era de Florença e tinha 22 anos quando acabou a escultura.


Comments

  1. Raul Iturra says:

    A Nação Mapuche apenas existe para ensiar ciência e entendiento aos mais novos, de forma ritual. Vivem no meio da natureza base da sua aprendizage. Após morar co eles ao longo e dezenas de anos, enttendi qu toda criaça é descendent de todos, sendeo esses todos, os seus professores que explicam a reprodução da vida com sereninade e spiência. Cada clã é uma escola, cada clã, uma famíia interessada na aprendizagem da criança, o que obriga ao adulto a saber para ensinar. Adultos be filho(a)s, estudam juntos

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