Keynesianos e liberais, quando convém…

-Não me surpreende que os madeirenses possam eleger para novo mandato Alberto João Jardim. Eu próprio se trabalhasse na Madeira e pagasse lá os meus impostos, talvez votasse também no homem, afinal quem não gostaria que as medidas difíceis que todo o país tem de enfrentar, lhe passassem ao lado? Um político que afirma com o maior desplante, ir continuar a política despesista que conduziu a região ao desastre financeiro, com graves consequências para todo o país, só poderia ter uma resposta à altura do governo da República, isto se tivéssemos governantes à altura, que pelos visto não temos, era ver imediatamente fechada a torneira das transferências financeiras entre o Estado e a Região até que o resultado fosse 0 cumprimento das metas a que o governo regional está obrigado. Mas o PSD já se prepara para ajoelhar uma vez mais diante do mais despudorado caciquismo, procurando agora no governo justificar o que durante anos, com razão, criticou aos governos socialistas, a utilização de dinheiros públicos ao serviço do interesse partidário, sem atender à realidade do país. Estranho e lamento que alguns liberais, possam pactuar com políticas keynesianas no arquipélago, em tudo semelhantes às que combatem no continente. Ou será que para eles a opção pelo investimento público como modelo de desenvolvimento, indiferentes a derrapagens e compadrio é aceitável se o governo for da cor e beneficiar amigos?

Comments


  1. Eu não sou licenciado em economia, mas não me lembro do Keyes defender essa ideologia… Devemos ter fontes diferentes.


    • Keynes defendia o investimento público como motor do crescimento económico. Precisamente o modelo da Madeira, com as suas intermináveis obras públicas, que o PSD combate no continente.
      Obviamente a corrupção e derrapagens ninguém defende, eventualmente justificam, quando da responsabilidade dos amigos, mas aqui já não estamos no domínio da teoria.

  2. Pedro M says:

    Não percebi onde é que estão as políticas keynesianas na Madeira- queria dizer Chavezianas?


    • Investimento público para lá da sua própria capacidade de endividamento. Sim, também concordo que A.J.J. tem um estilo parecido com Chavez….

      • Pedro M says:

        Sabe a diferença entre investimento público e delapidação de património público? O que sei da maneira é que investimento público, por exemplo na reconstrução e rectificação das áreas afectadas pelo temporal, ocorreu delapidação, gastas para distribuir pelos boys:

        http://www.publico.pt/Local/verbas-para-reconstruir-a-madeira-gastas-em-despesa-de-funcionamento_1506928

        Se isto é “investimento keynesiano” o Pinochet é um liberal imaculado.


        • Além de concordar consigo na questão da delapidação dos dinheiros públicos, que ninguém subscreverá, por acaso tem consciência do peso do governo Regional e Estado na economia madeirense? Como julga que foi possível criar a rede tentacular que condiciona a ilha e perpetuou o poder?

          • Pedro M says:

            “Como julga que foi possível criar a rede tentacular que condiciona a ilha e perpetuou o poder?” Corrupção. Do tipo mais tradicional que tira partido do investimento público de forma escandalosa, minando qualquer efeito distributivo e de estímulo que pudesse ter na economia. Se quiser também há a corrupção que vai à boleia da supostas “liberalizações” de monopólios e serviços essenciais, mas esse tipo é mais apreciado no “cont’nente”, independentemente dos autores se auto-entitularem “socialistas” ou “social-democratas”.

            Mas os resultados são sensivelmente os mesmos.

  3. Konigvs says:

    João Jardim está para os madeirenses, como Pinto da Costa para os portistas. Também os portistas sabem que o presidente do FC Porto compra os árbitros – as escutas até estão no u tubi – mas nunca houve sequer outra candidato à presidência do clube para disputar as eleições porque todos estão contentes com o trabalho dele, mesmo sabendo que ganham com recurso à trapaça e à batota. Mas o que é que isso interessa? O que interessa é o fim e ganhar, a ética é coisa para os perdedores.
    Também os madeirenses devem saber muito bem o que a casa gasta – ou então são muito burros – e claro João Jardim voltará a vencer as eleições.

    E nem é preciso “chegar à Madeira” eu mesmo tenho aqui em “casa” outro gatuno – provado em tribunal portanto não é insulto – e continua alegremente a enterrar o concelho. Ainda assim Gondomar é “só” a segunda câmara mais endividada do país, ora para quem vai fazer vinte anos que está à frente do município acho que conseguia fazer melhor que isso!!!!

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