Programa de merchandising eleitoral Magalhães suspenso

No TEK:

Os alunos do primeiro ciclo do ensino básico não vão este ano poder inscrever-se para ter acesso ao programa e-escolinha e ao computador Magalhães.

Limito-me a reproduzir o que havia escrito há dois anos e meio:

1. O Magalhães não se destina a permitir que os alunos tenho acesso à informática. Para isso criavam-se centros de cálculo nas escolas, garantindo em simultâneo que as gerações seguintes também pudessem usar estes recursos (alguém acredita que a fonte dos Magalhães ainda jorrará depois das eleições?). O Magalhães destina-se a comprar votos, os dos pais dos miúdos que recebem em casa uma pechincha. Nada que Valentim Loureiro não tenha já feito com frigoríficos.2. O estado é o maior cliente deste negócio e adjudicou à JP Sá Couto o fornecimento de serviços. Qual é a legitimidade de o estado ser o patrocinador de um negócio sem riscos para a Sá Couto?

3. Tenho uma ideia. Acho que os miúdos teriam muito melhor formação se estes praticassem mais exercício físico. Muitos até dizem que a destreza manual desenvolve o cérebro. Acontece que tenho um kit de ginásio que os miúdos podem usar em casa. Inclui uma corda para saltar, dardos e respectivo alvo e um trampolim desmontável. Tudo muito cómodo, resistente a choques e muito didáctico, já que vem com excelentes conteúdos multimédia para potenciar o seu uso. Para que o negócio seja um sucesso só me falta o mercado. Não queremos uma geração saudável? Não dizem que o sedentarismo está a tornar-se um problema entre as crianças? Não contribui esta ideia para resolver este problema da modernidade? Portanto, com que legitimidade poderá agora o estado dizer-me que não apoia esta iniciativa?

Alternativa aos Magalhães: não dar portáteis aos miúdos e equipar as escolas. Isto poderia ser feito com os mesmos valores de investimento usando desktops, permitindo:
– que os computadores não fiquem obsoletos ao fim de um ano (como com os Magalhães);
– que os computadores não acabem na feira da ladra (como com os Magalhães);
– que as gerações seguintes possam usar os mesmos recursos (contrariamente ao Magalhães).

O Magalhães não é uma aposta na informática. É merchandising eleitoral.

Comments

  1. Manuel Correia says:

    Frigiríficos? São necessários… e que eu saiba nunca ninguém os ofereceu a gente rica. Os ricos compram-nos. Não sou nem nunca fui Valentim… muito pelo contrário! Tomem bem nota disto. Magalhães? Pois claro! Os nossos miúdos hoje (os mais pobres e os quais os pais tiveram de enviar fotocópias dos seus IRS’s), sabem um pouco mais de computadores e informática, do que aquilo que em 10 anos de Governação PSD nunca ninguém lhes ensinaram, a não ser pagando e bem, às empresas criadas para o efeito, e a maior parte delas com conotações a esse partido. Foi a maneira mais prática dessas crianças terem acesso por poucos euros a um mundo que futuramente há-de ser deles. Quando se comenta uma notícia, quando se critica algo, devem os senhores “posteiros” saberem do que falam. E tomem nota que também nunca fui nem serei Socrático. Nem PS, nem CDS, nem quejandos políticos, porquanto para mim a política continua a ser uma PORCA que vai alimentando os seus porquinhos, e se vai alimentando dos seus chouriços… Boa noite e aprendam a ler, a comentar e a criticar.

    • jorge fliscorno says:

      Por acaso fez-me lembrar que o PSD de há uns anos e com esse mesmo intuito de “ensinar” também teve o seu momento Magalhães, mas com muito mais zeros: o Fundo Social Europeu, com os seus cursos que tantos enriqueceram.

  2. jorge fliscorno says:

    Agradecido pela recomendação. Indo nessa linha, aproveito para o convidar a ler, pelo menos, a parte a negrito.