Troy Davis, homicídio de estado

Mesmo depois de eleito um preto para presidente, nos States continuam os assassinatos de pretos, condenados à morte apenas por serem pretos. Se isto é uma democracia, eu não sou democrata.

Fotografia: Tami Chappell

Nota: antes que me venham com a música do não se diz preto, diz-se negro, de um lado ou do outro, conto uma experiência de vida: dei aulas a uma turma constituída maioritariamente por africanos, adultos. Um dia lá calhou, nunca soube policiar a linguagem, e sai-me um preto, onde deveria estar um negro. Fiquei um pouco atrapalahdo, confesso, e pedi desculpa aos presentes. Resposta imediata:

– Professor, isso não tem mal nenhum, o que conta não é a palavra, mas a maneira como a dizem. Já me insultaram chamando-me negra, e como a disse agora, aqui ninguém se ofendeu.

Isto dito com o melhor sotaque guineense.

Comments


  1. Troy Davis não foi condenado à morte «apenas por ser preto» mas sim porque foi considerado culpado do homicídio de um polícia (branco).

    No mesmo dia foi executado, no Texas, um branco que assassinou um negro. É «curioso» que não tenha merecido tantos destaques noticiosos e tantos protestos.

    E, para que conste, sou contra a pena de morte.


    • Homicídio “testemunhado” por pessoas que negaram o seu testemunho, até porque não tendo sido ele, foi um branco.
      Quanto ao Texas, a consideração que ainda tenho pelos States leva-me a nem considerar esse território um estado americano. Estava a falar de pessoas com alguma saúde, e não de um estado governado por um doente mental. Ao pé do Texas o Irão é um paraíso.


      • «Ao pé do Texas o Irão é um paraíso».

        Sabe, com certeza, que no Irão também existe a pena de morte. Que pode ser aplicada a «adúlteras» e a homossexuais.

        Mas, se é um «paraíso», de que está à espera para ir passear até lá? E leve consigo pessoal da ILGA e da Opus Gay… eles iriam adorar!


        • Parece que ser homossexual no Texas também é divertido. Mas aí basta ser latino-americano para a vida correr sobre rodas.


          • «Ser homossexual no Texas também é divertido»? Talvez. Mas é bem «menos» do que no Irão, onde uma das maiores «diversões» é fugir e esconder por se ser homossexual… e/ou opositor do actual presidente e demais islamofascistas. Nos EUA, incluindo o Texas, não se é preso nem morto pelo Estado por se ser gay ou protestar contra quem está na Casa Branca – seja Bush ou Obama.

            E, sim, no Texas, estado com uma das mais prósperas economias do país, a vida «corre sobre rodas»… até para os latino-americanos e membros de quaisquer outras etnias – desde que, claro, tenham a sua situação regularizada. Porém, Rick Perry, o actual governador e candidato à presidência, abriu uma excepção… para os filhos dos imigrantes ilegais, que, em seu entender, devem receber apoio escolar. Uma atitude, sem dúvida, típica do «doente mental» que ele é.

  2. A. Pedro says:

    Pena de morte é pena de morte. Ser morto no Texas ou no Irão, é ser morto. Às vezes o sr. de la Palisse parece fazer falta.


  3. Já agora, e sobre o outro homicídio de estado ocorrido na mesma altura:

    No mesmo dia da execução de Troy Davis, houve outra nos EUA – Lawrence Brewer. Neste caso não há qualquer dúvida sobre a sua culpa e o crime parece-me muito pior: Brewer e dois cúmplices (supremacistas brancos) ataram James Byrd Jr. (aparentemente escolhido apenas por ser negro) à parte de trás de um camião e arrastaram-no durante quilómetros, até à morte.

    No entanto, até à execução, houve quem tentasse salvar a vida de Lawrence Brewer, tendo apelado para que a pena fosse comutada – o filho da vítima:

    http://viasfacto.blogspot.com/2011/09/ainda-sobre-pena-de-morte-nos-eua.html

Trackbacks


  1. […] por João José Cardoso A prisão de George Wright é mais uma demonstração do carácter homicida do sistema de justiça norte-americano: por aqueles lados os crimes não prescrevem. Extraditar […]

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.