A maturidade dos mais novos e o quarto mandamento

Escrevo este texto enquanto a filha médica toma conta de uma súbita doença da mãe médica.

É o Quarto Mandamento dos Cristãos e Muçulmanos em ação. Lamento a doença, mas é um facto que apoia o meu argumento. A mãe era para viajar, a doença não lhe permitia. A filha ordenou e a mãe obedeceu. Há maturidade na mais nova, aprendida dos seus ancestrais.

 

Para Paula van Emden e Camila Ilsley essas novas senhoras, antigamente Iturra-González….

 Os descendentes são a lei da vida. Essa lei que diz que o amor é uma força da natureza [1] que, de dois, faz quatro, cinco ou mais. Essa paixão definida por muitos analistas, entre eles, Sigmund Freud, que entendia a paixão [2] como parte do jogo do amor, referido em nota de rodapé. Bem como essa lei da vida definida por Wojtila como Papa Romano João Paulo II, em 1992 [3], posteriormente publicado em todas as línguas [4], antes de ser Beato Wojtila.

Não estou certo se as citações definem o que acontece na vida real. Ou, será o inverso, é da vida real que estas são retiradas. Para não perturbar a vida dos seres que crescem e um dia vão para outros sítios, os seus progenitores ficam sempre na ansiosa expectativa de saber deles. A filiação é um mandato para orientar os mais novos para se empenhar em fazer uma nova criançada, consequência do amor entre eles, dessa paixão que não pensa mas age, por ser o amor uma definida força da natureza. Esta força da natureza leva à procriação de outros. Procriação que muda a hierarquia entre os membros da família. Parece metáfora, mas não o é. É apenas o direito livre e soberano de dois seres que, encontram-se por acaso, gostam um do outro, desenvolvem uma paixão que une e orienta à construção do seu próprio lar. De um lar, que por sua vez, mais tarde na vida, irá dar lugar a outro. Há um certo atordoamento nos sentimentos dos seres situados mais acima da hierarquia familiar pois gostariam de estar sempre junto dos seus rebentos e, ainda mais, dos rebentos destes. Direito que na realidade não existe se soubermos entender e respeitar essa força da natureza. Baseado no entendimento desses sentimentos, transferimos os nossos descendentes para um outro lar, a sua própria fundação, digna e respeitável, que remete os mais antigos, a reaprenderem a sua vida pessoal. Na transferência até parece que falamos de mercadorias, e quase o é: há um contrato que consiste em não abandonar os novos casais, mas sim ver, ouvir, calar e, intervir apenas quando a nós recorrem. Foi o que aconteceu em 8 de Setembro deste ano, entre salvas de palmas e rituais, cerimónia inserida numa excelente festa. Festa que marca a iniciação dessas novas hierarquias familiares já referidas. A filha chorava de felicidade durante a cerimónia, o seu pai e mãe também porque a melhor mulher do mundo tinha sido entregue ao melhor homem da terra. Pranto de alegria que permite estarmos em paz; nascida de nós, haverá outra geração, para perpetuar a nossa vida. Todos estes galimatias de palavras são apenas para referir que a nova Ilsley soluçava porque ia continuar uma família. Soluçava, porque o homem da sua vida, era, a partir desse dia, o seu marido.

O matrimónio, é este respeito mútuo de dois que se amam. Viva! Haja vida e felicidade com respeito! Essa ideia, por si só, define a maturidade que intitula o texto.

 

1] A frase não é minha, é do diálogo do filme denominado em português O Segredo de Brokeback Mountain. Diálogo que pode ser lido em:  http://pt.wikipedia.org/wiki/Brokeback_Mountain  

 [2] Freud pensa o amor articulado à sexualidade. No Manuscrito G e no texto Tratamento Psíquico, trata da paixão amorosa quando analisa a melancolia e chama a atenção para o facto dos melancólicos possuírem um anseio pelo amor na sua forma psíquica – uma tensão psíquica de amor. Textos em o autor teoriza a relação passional, em função do amor da criança a seus pais, e a situação de dependência estabelecida entre o hipnotizador e o hipnotizado. De 1910 até 1918, Freud escreve Contribuições à psicologia do amor; em 1914: Sobre o narcisismo: uma introdução, e em 1921 Psicologia de grupo e análise do ego. Textos comentados em:  http://www.marciopeter.com.br/links2/ineditos/ineditosFreudAmor.html  . Textos completos em:  http://classiques.uqac.ca/classiques/freud_sigmund/freud.html  

[3] Wojtila, Karol, denominado Papa na confissão católica, João Paulo II, que mandou definir estas ideais para serem transferidas entre gerações. Diz no artigo §2199: O quarto mandamento dirige-se expressamente aos filhos em suas relações com seu pai e sua mãe, porque esta relação é a mais universal. Diz respeito também às relações de parentesco com os membros do grupo familiar. Manda prestar honra, afeição e reconhecimento aos avós e aos antepassados, vivos ou falecidos. Escrevo este ensaio no dia da comemoração dos defuntos. Estende-se, enfim, aos deveres dos alunos para com seu professor, dos empregados para com seus patrões, dos subordinados para com seus chefes, dos cidadãos para com sua pátria e para com os que a administram ou a governam.

Este mandamento implica e subentende os deveres dos pais, tutores, professores, chefes, magistrados,

[4]  http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/m/m-4.html