Palestina na UNESCO, retaliação de Israel e dos EUA

A UNESCO, estrutura da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura, aprovou por larga maioria o ingresso da Palestina, como 195.º membro da organização – 107 votos a favor, 14 contra e 52 abstenções.

Portugal esteve entre os abstencionistas. Fontes do MNE, e segundo julgo saber o próprio ministro, Paulo Portas, justificaram a abstenção de Portugal com a necessidade de alinhamento no seio da UE. Um falsa desculpa, visto que a França votou a favor e, portanto, não houve uma posição concertada a nível dos 27 estados-membros. De resto, a UNESCO é dirigida por Irina Bokova, uma búlgara e cidadã da UE, cujo discurso não poderia ser mais entusiasta, como se prova por esta versão em francês.

Do tom reprobatório do embaixador de Israel, Nimrod Barkan, nada há a estranhar ou a comentar. É um acto que se inscreve na política da agressão e da anexação ilegal de territórios pelo seu país.

Contudo, e embora para mim também não seja surpreendente, o voto desfavorável dos EUA é sintomático do que ainda é a América. Um negro na presidência não transforma a estratégia e menos ainda a postura de uma potência imperial, em estado degenerativo diga-se. Negra ou branca, a cor da epiderme não é factor decisivo para distinguir os grandes homens e políticos do mundo. Há-os negros, mestiços, amarelos, brancos e de  outras matizes, embora a raça seja só uma: a humana.  Porém, negro por negro, bastará ter presente o caso de Nelson Mandela e ver que a grandeza humana provém da grande dimensão da alma e do culto efectivo do humanismo.

Obama, ao contrário de expectativas criadas ‘ab initio’, é um obcecado pela sua carreira política e pela manutenção da presidência e o ‘lobby’ judeu, dos mais poderosos da América, infunde respeito, garantindo dinheiro e votos.

Barack Obama, justamente ciente do poder do dinheiro, não esteve com meias-medidas; decidiu castigar a UNESCO com o corte da contribuição dos EUA, ou seja, uma  redução de 22% do orçamento da organização, a que se juntam 3% de Israel, conforme destaca o New York Times, no fragmento de texto que nos permitimos traduzir:

A decisão vai custar à UNESCO um quarto do seu orçamento anual —  22% financiados pelos Estados Unidos (cerca de US $70 milhões), mais outros 3%, da contribuição de Israel. Victoria Nuland, uma porta-voz do departamento de Estado, disse que contribuições americanas à Unesco, incluindo US $60 milhões prevista para este mês, não serão pagas.

No mundo imundo de hoje, já quase nada ou pouquíssima gente me ilude. O dinheiro fala sempre mais alto, ignorando a justiça e o respeito pelas condições de vida de milhões de seres humanos – ou milhares de milhões? Já somos 7 mil milhões.

Comments


  1. O racismo já não é uma questão de preto e branco nem sequer de cristão e muçulmano mas sim entre países e nem sequer uma guerra de religiões – o que é Israel a quem deram aquele espaço para não serem mais massacrados onde quer que tenham sido e agora são mais nazistas do que os nazistas orriginais – Arafat por razões que só alguns conhece, passou de terrorista e criminoso a Nobel da Paz – foi bonito esse “perdão” do mundo que o condenou durante décadas – quem é a srª Golda Meiyr e Moshe Dayan ??? – o POVO ESCOLHIDO para quê ?? escolhido ?? que desde a sua instalação em Israel nunca quizeram a paz para ninguém e tal que já muitos deles estão fartos – os mais jovens – que se misturam com palestinianos
    Porque foram expulsos até de Portugal com o Marquês ??? mas tantos ficaram e estão em paz neste país – muitos terão ido para a Turquia e parecem er a fisionomia de judeus portugueses quando na rua os olhamos (soberuto Ankara foi o que vi e pareciam “portugueses”)
    Não teriam sido apenas “agiotas” apesar da sua maior qualidade intelectual em muitos ramos do saber e acumularem prémios Nobel ???
    Porque foram perseguidos na europa – claro que não quero pensar no extermínio a que foram sujeitos – não quererei nunca visitar Dakau nem mais a nenhum lugar da Germânia de que não gostei – parece que da terra sai energia pesadamente negativa e cheira àquela guerra que devastou mais de 80% daquele espaço geográfico – os locais emanam a energia de quem nela vive – como uma casa emana os cheiros da sujidade mal limpa – terra infectada de ódio
    Mas foram os palestinianos que os massacraram ??? Há quantos anos – desde 1947 pelo menos – e porque foram um povo errante e expulso do mundo – já não sei história suficiente

    • Carlos Fonseca says:

      Maria Celeste,
      O exemplo de Mandela, citado no texto, é bem a demonstração de que fomentar ódios e violência fundamentados no mal que nos fizeram no passado não dignifica um ser humano ou um povo – os judeus, entenda-se os judeus devotos do ideal sionista, assim não pensam. Quando se impõe a um povo a cedência da soberania territorial e política pela força das armas, não se pode esperar que esse povo, os palestinianos, não usem também a violência perante o invasor.
      Uma discordância: a expulsão em massa de judeus portugueses deu-se bastantes anos antes de Pombal, no auge da inquisição, fundada em Portugal em 1532. Além da Turquia, a Holanda foi outro dos destinos importantes dos judeus expulsos. O Marquês de Pombal, a nível conflitos político-religiosos, teve maiores desafios com os ‘Jesuítas’ que pretendiam governar o Brasil. Esta é, pelo menos, a interpretação histórica que colhi em vários livros, entre os quais um intitulado ‘A História dos Jesuítas’.
      Obrigado pelo comentário.

  2. MAGRIÇO says:

    Devo confessar – acho que já aqui o disse – que não nutro qualquer simpatia pelos EU. Repugna-me a hipocrisia, a paranóia militarista, o falso moralismo, a sua saloia convicção de superioridade mora e, sobretudo, a sua desmedida avidez por bens alheios que os leva, em nome de uma muito conveniente cruzada contra o terrorismo, a ultrapassar todos os limites de respeito devido à soberania de outros países. Poucos são os americanos que se interrogam sobre as motivações que levam a acções como o 11 de Setembro, e quase todos ficam satisfeitos com as explicações dada pela propaganda do regime de se trata tão só de ataques à liberdade. De facto, são ataques à liberdade de outros praticados por eles que estão no cerne destas acções. Mas o americano médio está tão habituado a que o executivo pense por ele que ficou completamente incapaz de usar os seus próprios neurónios. A formatação da sociedade americana é hoje tão evidente que ultrapassa mesmo a do povo chinês do tempo de Mao. Não é raro vermos entrevistas a pais de soldados que participam nos aventureirismos militaristas dos EU que mostram “grande orgulho” por os filhos estarem a servir o país, mudarem completamente de opinião quando recebem a notícia de que o filho foi morto em combate. Isso aconteceu na guerra do vietnam em que o orgulho foi substituído pela realidade crua de que o país estava a hipotecar o seu próprio futuro ao imolar a juventude em nome de uma mais que duvidosa liberdade que nem sequer lhes dizia respeito. Mas nem com a História recente aprendem! Considerei a eleição de Barack Obama um marco na minha vida, porque nem de longe supunha vir a ser testemunha de tal mudança num dos países mais conservadores do mundo. Infelizmente, como disse acima a Maria Celeste, não se trata de uma questão de cor e o meu desapontamento é total.