Corrupção, o pasto dos “boys”

Não há ninguém, da esquerda à direita, que negue a necessidade de pagar o que se deve, falemos de países ou de pessoas. Existem, no entanto, algumas diferenças: há quem defenda que é necessário saber exactamente quanto se deve, que é importante saber que parte da dívida resulta de corrupção ou de incompetência e que é fundamental negociar, acto diferente de simplesmente aquiescer e que não se confunde com a recusa de pagar dívidas.

No Público de hoje, é possível ler uma reportagem de São José Almeida sobre a inexistência de “uma estratégia de prevenção e combate da corrupção em Portugal”. Trocando por miúdos, para quem tiver ou quiser ter dificuldades de leitura, isto quer dizer que não houve combate à corrupção e que tudo indica que continuará a não haver. A propósito, recomenda-se, entretanto, a visita a um blogue criado recentemente.

Convém não esquecer que a corrupção não é levada a cabo apenas por malfeitores façanhudos escondidos em caves suspeitas e fumarentas. Se assim fosse, seria fácil detectá-los. A corrupção está, também (e, provavelmente, sobretudo), no uso indevido que sucessivos governantes têm feito dos dinheiros públicos, mesmo que aos bois se lhes chame outros nomes. A vantagem de gastar mal o dinheiro dos outros é a de deixar a dívida exactamente para quem não o gastou.

É por essas e por muitas outras razões que concordo, em absoluto, com o conteúdo do “Apelo a Iniciativa Unitária por uma Auditoria à Dívida Portuguesa”. É claro que algumas pessoas mais sensíveis poderão ler a lista de subscritores e descobrir que aquilo está cheio de sindicalistas, comunistas, bloquistas e outros perigosos bombistas. No entanto, ó almas sensíveis, olhem, por um instante, para o conteúdo e esqueçam os mensageiros: não fará sentido saber se faz sentido todo este empobrecimento? Imaginem que se descobre que, afinal, não faz sentido.

Comments

  1. Francisco Gomes says:

    O problema é que os politicos até hoje não deram UM PASSO para que a legislação fosse alterada quer na criminalização da gestão danosa dos dinheiros publicos e condenação dos autores de tais atos, quer na criminalização e condenação dos politicxos que fazem campanhas criando determinadas expetativas nos eleitores e depois de eleitos fazem tudo ao contrario (isso é fraude, isso é burla). E porque os politicos não estão interessados??? porque pensam que os proximos a estar la vão sr politicos …..

  2. Rui Daniel says:

    Infelizmente somos um país que necessita de chegar ao fundo de todos os dilemas que nos apoquentam,após este caminho percorrido e atingido,aí sim, surgiremos com uma nova dinâmica e com uma nova visão nacional, que nos levará à mudança.Só lastimo que em pleno século xx| e com gente bem formada, independentemente do que se diz do ensino em Portugal,toda essa gente de uma maneira ou de outra se manteve no silêncio, nada fazendo para que não chegasse-mos ao ponto a que chegamos.Viva Portugal viva os portugueses.

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