Declaração de repúdio pelas declarações de Pedro Passos Coelho

O Grupo de Protesto de Professores contratados e desempregados acaba de lançar a seguinte declaração de repúdio sobre as declarações últimas de Pedro Passos Coelho:

Caro/a amigo/a

 

“Estamos com uma demografia decrescente, como todos sabem, e portanto nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que, das duas uma: ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou, querendo manter-se sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado da língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa”.
Pedro Passos Coelho, 18.12.2011

 

O primeiro-ministro aconselhou os professores desempregados a emigrar. Somos cidadãs e cidadãos portugueses. Entre nós estão professores, alunos, encarregados de educação. E não só. Exigimos respeito.

Ao contrário do que afirma Passos Coelho, o despedimento de professores não é resultado da demografia. É uma opção política. A escola pública tem hoje um corpo docente aquém do necessário e turmas sobrelotadas. Os professores desempregados fazem falta ao sistema de ensino.

As declarações do primeiro-ministro demonstram que dias piores esperam a escola pública. Toda a demagogia vale para mascarar uma política irresponsável. Passos Coelho está disposto a desperdiçar todo o investimento feito, ao longo de anos, pela sociedade portuguesa na formação de professores.

Ridicularizando os tiques do poder autoritário, Bertold Brecht perguntou um dia: “Não seria mais fácil o governo dissolver o povo e eleger um outro?”. Hoje, a retórica da austeridade fala a sério: o governo quer expulsar os que considera a mais.

 

Os interessados em formalizar o repúdio daquilo que é repulsivo façam o favor de seguir esta ligação. Os que defendem o esvaziamento físico e intelectual do país não se incomodem.

Comments

  1. Luis Gomes says:

    Para quando o apelo aos desempregados para que cometam suicídio colectivo como forma de baixar artificialmente a taxa de desemprego? Será antes ou depois de apelar ao suicídio entre os reformados como forma de reduzir os custos e rejuvenescer a população?
    Eu, apesar de não apreciar estes apelos e avisos, arriscaria propor à nossa classe politica que emigrasse em massa de forma a tornar viável este pais.

    As consequências desta e de outras idênticas falácias irresponsáveis de um irresponsável politico são graves e sugerem que podemos esperar um futuro sem educação, sem saúde sem habitação sem pão e sem paz.


  2. Está feito.
    Cumps.


  3. A ideia de fomentar a emigração de quem está a “mais” parece-me meritória. Porque não convidar o governo a fazê-lo?!… Neste caso (como em outros) o primeiro ministro teve um “deslize”: Disse o que pensa. O políticos veteranos raramente o fazem… Dizer o que se pensa revela muito daquilo que somos e isso é perigoso para quem tem aspirações e ambição desmedida… Uma das interpretações do que foi dito poderá revelar uma personalidade insensível, prepotente, e próxima do socialmente boçal…
    Não obstante, compete aos professores – como a outros profissionais -, procurar os melhores caminhos para a sua carreira, eventualmente adaptando-a às efetivas necessidades do mercado de trabalho. Não me parece correto que “exijam” postos de trabalho impondo-se ao Estado como necessários, da mesma forma que os pedreiros não se impõem aos construtores civis como imprescindíveis para a qualidade urbana…
    A subversão demagógica do interesse público afinal de contas tanto é apanágio do poder e dos políticos como das corporações profissionais (mesmo as mais folgadas como temos visto…). Já repararam que os pobres deste país quase não tem voz? Abandonamos e esquecidos definham pelos becos como criaturas invisíveis, sem direito a telejornal…

    NOTA: Os “pobres” vão ter agora algum “tempo de antena”. Está na altura da “caridadezinha”, da sopa quente de do sorriso patético perante as projetores de TV.

    • MAGRIÇO says:

      Parece-me pouco curial e infeliz comparar professores – de quem esperamos, de facto, a construção de um sólido edifício social, sem o qual a sociedade não sobrevive – com pedreiros, profissão digna e indispensável, mas que trabalham sobretudo para o lucro do empreiteiro. E, contrariamente ao que diz, não só os professores mas toda a sociedade têm toda a legitimidade para exigir do estado que cumpra o seu dever de promover e difundir o ensino. É para isso, fundamentalmente, que servem os nossos impostos.


      • Compreendo a sua opinião. A democracia (e a opinião acrítica dos telejornais) fez-nos crer que aos professores compete “a construção de um sólido edifício social”, do mesmo modo que aos médicos cabe determinar o modelo para a saúde na nação, etc. etc. E sem a dedicação destes profissionais, “a sociedade não sobrevive”…

        Esta ideia, que poucos ousam contestar, levou-nos a “acreditar” que existem “castas” profissionais que se podem substituir aos desígnios do povo (expressos através da representação política a nível governativo). Acaba assim por se misturar (na mesma betoneira), “luta profissional” com argumentação estrutural acerca de opções de gestão e alcance dos serviços públicos.

        Não, caro Magriço, apesar da sua simpatia para com os “pedreiros” – coisa muito politicamente correta – não concordo que os professores (ou outros) devam ter “papéis especiais”, ou correspondentes responsabilidades e privilégios. É ao poder político, como correia de transmissão do povo que compete esse papel.

        Vamos simplificar as coisas. “Os professores” não podem sustentar permanentemente a sua luta (legítima) por melhores condições profissionais com base na argumentação da sua “importância” ou papel na determinação do modelo de ensino que o país precisa. A competência profissional é uma questão individual e não coletiva. E neste caso, a sociedade – e o governo da nação, seja ele qual for – é que “sabe” quantos e quais os professores que quer ter. Neste aspeto, quer se queira, quer não, o poder é o “empreiteiro”, e os professores deverão demonstrar (cada um) das competências que tem na feitura da argamassa que renova as gerações.

        Deixemo-nos de ilusões: alguma vez os professores irão achar que são demais? Talvez comecem isso sim a tentar limitar (“internamente”) o acesso à profissão, como já o fazem por exemplo os advogados, entre outros…

        • MAGRIÇO says:

          Caro Luís F, se há coisa que não defendo são as elites, castas ou privilégios pessoais ou de grupo e, muito honestamente, não sei como tirou essas conclusões do meu comentário. E sim, também defendo uma hierarquia de competências entre os docentes – já aqui o defendi! – como em qualquer outra actividade. Concordo consigo quando diz que compete ao governo fazer a gestão do ensino, mas o problema aparece quando os governos se esquecem que foram para isso mandatados através das urnas eleitorais, que é o caso presente. E quando o governo não cumpre a sua obrigação perde legitimidade democrática e sujeita-se à indignação e contestação geral. E temos todos, não só o direito mas o dever, de o manifestar.


          • Verdade! É precisamente por aí que devemos começar. Somos um povo muito acomodado que aceita tudo tal como nos é “vendido”. Deveríamos questionar mais, exigir mais, e, ter memória…

        • António Fernando Nabais says:

          Concordo em absoluto com o Magriço e acrescento que não me passa pela cabeça que uma área de governação deva ser entregue à corporação profissional. De qualquer modo, e com todas as perversões que pode causar, o corporativismo está para as classes profissionais como o instinto de conservação está para qualquer animal, sendo compreensível que se reaja a ataques.
          Daí a pensar que, após o povo se ter pronunciado nas eleições, devemos comer e calar vai uma grande distância, como é um absoluto disparate ignorar os contributos de especialistas para as áreas em que trabalham (nem um engenheiro sensato desdenhará o contributo de um pedreiro). É evidente que aquilo que pensam os professores sobre a Educação tem de ser tido em conta e isso faz tanto mais sentido quando o poder político revela incompetência, ignorância e, sobretudo, má-fé, como tem sido o caso destes últimos sete anos. O grande problema está na destruição da Escola Pública de qualidade e não apenas nem sobretudo nos prejuízos causados aos professores. Quem souber o que se passa nas escolas, sabe que não há professores suficientes para que o serviço tenha a qualidade que deveria ter e se o governo não sabe isso (ou não quer saber), é preciso dizê-lo.
          Entretanto, mesmo sabendo que vão ser acusados de mero corporativismo, os professores devem exigir condições de trabalho, devem contribuir para a determinação do modelo de ensino e devem fazer referência à sua importância social (e quando um país não reconhece essa importância, está moribundo, na melhor das hipóteses). Alcançar competência profissional depende também desses factores, embora seja, efectivamente, uma questão individual.
          Não sou ingénuo ao ponto de acreditar que os professores são sempre bem-intencionados ou que estão isentos do pecado do corporativismo. O Luís parece-me demasiado ingénuo nessa crença de que o povo escolhe e os políticos actuam de acordo com essa escolha e que, portanto, está tudo certo. Não é assim.


          • Concordo completamente, até na ingenuidade que me atribui… Pena apenas que ela – neste caso -, tenha mais de ironia que de credulidade.
            Uma das coisas que, como povo, não sabemos fazer é ponderar. Dar às coisas o peso e medida que devem ter. Tendemos a resumir tudo nas causas primárias, ou motivações básicas, esquecendo a análise fina… Claro que os professores, os médicos e os pedreiros tem uma palavra a dizer… Não podem é ter a pretensão (como por vezes acontece) de que são eles quem “sabe”, vestindo as suas lutas (legítimas como referi) com a roupagem do interesse público. Quando assim é trata-se pura e simplesmente duma trapaça pintada de virtude.

            Quanto ao governo eleito. Ele realmente resultou da maioria dos votos… Será referendado mais tarde de acordo com as regras do sistema… Não obstante – e convém ter presente o “pequeno” atributo da memória, a verdade é que, sejam quais forem as causas, mentiu despudoradamente. A opinião pública deveria ser mais exigente e cobrar desde já por isso… A “crise” (essencialmente do Estado e deste para a economia real…) não justifica aldrabice pegada…
            Uma das “regras” que o “sistema” deveria adoptar é impedir que governos eleitos se escudem na ignorância para virem dizer que afinal os cofres estavam vazios… Os deputados, e os partidos, não tem acesso privilegiado às contas do Estado? A cassete começa a cansar após décadas desta conversa recorrente e alternada entre PS e PSD…

          • MAGRIÇO says:

            Caro Luís F, deixe-me felicitá-lo por estes dois últimos comentários que revelam modéstia e bom-senso. A maioria, infelizmente, não tem capacidade de auto crítica e é suficientemente arrogante para achar que tem sempre razão e são incapazes de admitir os próprios erros. Isso é próprio de espíritos superiores e por isso o felicito.

  4. quintas says:

    Não sei porquê tanto contestação a afirmação do 1º Ministro que os professores deviam emigrar. Para mim foi a coisa mais sensata e verdadeira que o Passos Coelho falou. Ou preferem que os politicos continuem a mentir. è obvio que este País não gere empregos para tantos professores nem para outras profissões.O que se passou neste país nas ultimas tres decadas foi uma miragem uma falsidade que agora estamos a pagar.Quando é que este País cai na realidade.

    • António Fernando Nabais says:

      Em que se baseia o seu conhecimento acerca da necessidade de haver mais ou menos professores ou os mesmos ou qualquer número? O país cairá na realidade quando perceber que se está a matar a Educação, entre outras coisas fundamentais. Nos últimos trinta anos, o que tem esgotado o país tem sido a corrupção legalizada, com os partidos do arco do poder a sorver os dinheiros públicos. Quando é que este país cai na realidade?

      • MAGRIÇO says:

        O comentário do Quintas é infeliz e revela eventualmente duas causas possíveis: ou é um indefectível defensor de Passos Coelho e só vê virtudes onde outros vêm defeitos, ou não conhece a realidade do ensino público e, lamentavelmente, fala do que não sabe. É sabido que já há turmas no ensino público com frequência de alunos superior ao desejável, e com estas doentias medidas economicistas essa situação vai agravar-se. Esqueci uma terceira hipótese: a soma destas duas…

    • Jorge Anyous says:

      O que me custa já não é ouvir o despudor do 1ºministro. O que sinceramente me custa é vir sempre alguém defender o indefensável.Qualquer dia o 1º ministro cospe em qualquer um e virá um iluminado dizer que está a chuviscar.
      Irra não há pachorra!Talvez seja bom emigrar e levar o Passos Coelho consigo. Uma pessoa que acaba o curso aos 37 anos não está preparado para as tarefas que exerce.O maior problema dele e nosso é ser incompetente.É que passar dez anos nas empresas do amigo Correia não dá propriamente prestigio.

  5. José Silva Almeida says:

    Estamos na presença de um menino mimado que não tem noção do sentimento que envolve a necessidade de “deixar tudo para trás”. a familia, amigos o lar…aliás este menino está rodeado de outros meninos inconscientes que ainda não perceberam que estão a brincar com o fogo… sim, porque tudo tem um limite e o pacifico povo Português está a atingir o limite. Não digo que não seja movido por boas intenções, a grande questão é que como menino que é nunca sofreu nada na “pele” e certamente sempre foi protegido, não sabe avaliar os danos que está a causar ao bom povo Português ( como se fossem poucos os danos causados pelo seu antecessor que agora vive feliz e sem qualquer tipo de responsabilização em Paris, quando provavelmente deveria estar a viver no local onde se vê o sol aos quadrados).
    Como cidadão correcto, maduro e pessoa de palavra deixo-lhe um pequeno desafio, aliás um exercicio mental:
    Caro concidadão Passos Coelho, já pensou no numero de promessas e assumpções de palavra que assumiu perante os Portugueses (que viram em si homem de palavra) que não cumpriu ? pense nisso…
    Não seja” pau mandado” de quem não nos quer bem. Oiça e interprete os sinais do povo, lute pela nossa soberania, porque foi com esse sentimento que a maioria do bom povo Português o elegeu. Seja adulto e pense que a dita Sra Alemã, está a conseguir pelo estrangulamento financeiro dos paises europeus aquilo que Hitler não conseguiu através da blitzkreag.
    Invista nos nossos recursos. Pense que a garantia do nosso país está centrada nos nossos jovens. Dê-lhes condições para se deslocalizarem internamente e criarem riqueza (para não terem que renegar o seu país como aconteceu com a minha filha que teve que emigrar para a Bélgica).
    Pense de forma superior… não é criando mais dificuldades aos Portugueses; portagens, aumentos constantes de impostos, encerramento de escolas e hospitais, facilitismo no despedimento de quem muito deu a este país, subjugação aos interesses dos monopólios, pedir que aceitemos o empobrecimento de animo leve, etc, etc, que este pequeno (mas muito grande país) entra nos eixos.

    Seja rebelde, seja maduro, seja adulto e já agora rodei-se de pessoas competentes, assisadas e que tenham perfeito conhecimento da nossa realidade e necessidades, independentemente da cor da ideologia ou da idade.

    Reflita para o bem de todos nós.

    Nota: a minha esposa tem 54 anos, foi professora do ensino básico durante 26 anos.
    Com o encerramento da escola onde leccionava ficou no desemprego há sete anos.
    Nunca foi colocada, o fundo de desemprego terminou há muito e não usufrui de qualquer provento além do meu salário.
    A reforma está prevista para os 65 anos(será ?) como vai viver ?

    Melhores cumprimentos
    José Silva Almeida

    • Jorge Anyous says:

      Lamento que lhe dê um conselho que sou mais novo,mas não acredite em melhoras, só pior.Este 1ºministro mente descaradamente como o video resumo das suas maiores mentiras demonstra.Ele genuinamente pensa que o povo tem de sofrer para ser regenerado pelo sofrimento.Ele que publicamente defendeu a intervenção externa antes de mandar o governo abaixo, sabia que determinadas políticas só seriam aceites impostas por estrangeiros,portanto é coerente com o que pensa.Ele não quer saber da situação da sua esposa para nada.Ou se reconverte ou emigre é o que ele pensa.E diminuí a estatística do desemprego.

      • José Silva Almeida says:

        Amigo

        Não podia estar mais de acordo consigo.
        Pelo que entendo é jovem informado e desiludido (infelizmente).
        Um abraço
        José Almeida

  6. josé says:

    …lembram-se do “crachat” que os Stôres usavam na lapela em anteriores campanhas eleitorais “SOU PROFESSOR, NÃO VOTO PS”. Pois é…afinal revelou-se o vosso epitáfio…é a vida!!!

    • António Fernando Nabais says:

      O epitáfio, na realidade, está escrito no túmulo da Educação. Os professores são um pilar fundamental desse edifício, mas não deixam de ser danos colaterais. Quem começou a escrever esse epitáfio, no entanto, foi o incompetente que está em Paris. O incompetente que está em São Bento está a acrescentar uns pormenores, porque, depois do trabalho sujo ter sido feito ao longo de seis anos, já não há muito para destruir.

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