Coelho, o agente de viagens, Relvas, o épico, e Amorim, o guia-intérprete

Vídeo encontrado aqui.

Passos Coelho aconselha os professores desempregados a emigrar. Miguel Relvas chama epicamente “missão universalista” à necessidade de emigrar decorrente da endémica incompetência governativa de cuja história também ele já faz parte. Carlos Abreu Amorim faz de conta que explica as palavras de Passos Coelho, limitando-se a dizer que foram mal percebidas, o que é do mais pedagógico que pode haver, para além de usar o velho truque – o que é sempre bom em políticos novos – de dizer que o importante é o conteúdo da cerimónia em que está a participar.

Mesmo que eu não pensasse isto, não consigo conceber a ideia de um governo que se limita a desistir de ajudar os cidadãos de um país e nem sequer admito a ideia de que um país seja governado de tal modo que as pessoas sintam necessidade de emigrar, a fazer lembrar perigosamente outros tempos demasiado recentes. Que um Primeiro-ministro chegue ao ponto de aconselhar a emigração de qualquer mão-de-obra, ainda por cima qualificada e sobretudo se necessária, só pode defendido por marialvas neoliberalóides, cultores acéfalos da mobilidade e da reconversão, porque para os fundamentalistas as palavras têm um valor absoluto que os dispensa de pensar.

Passos Coelho, se fosse dono de um restaurante, certamente passaria o tempo a aconselhar os clientes a irem à concorrência, em vez de tentar resolver os problemas de conservação dos alimentos ou da gestão do pessoal. Adivinhem o que aconteceria ao restaurante.

Comments

  1. MAGRIÇO says:

    A falta de sentido de Estado destes pára-quedistas da política era já um dado adquirido. As declarações destes três cromos e as anteriores proferidas por um secretário de Estado só o confirmam . Um Primeiro Ministro que aconselha à emigração do povo cujos direitos tem a obrigação de defender, está a admitir o seu fracasso como governante e, se tivesse um pingo de vergonha, deixava o cargo a quem tenha competência para o desempenhar. Mas competência e vergonha não fazem parte do seu léxico.

  2. Rui Daniel says:

    Sem dúvida que isto é de um país de anormais a começar nos governantes sem vergonha e a acabar no povo, isto só lá vai à cacetada,e por estas e por outras é que todos têm que pensar que está a chegar o momento de pôr termo a este descalabro,custe a quem doer,é preciso fazer uma limpeza geral na sociedade para acabar com esta pouca vergonha de gatunagem que só quer ir para o governo para se governarem pondo os seus interesses acima dos demais portugueses trazendo de ano para ano a desgraça a toda a NAÇÃO.São uns traidores e por isso têm que ser julgados e condenados pelas suas mal feitorias. Está chegado o momento para Portugal e os portugueses mais uma vez na sua História chamar a si a responsabilidade da mudança e manter a sua independência como Povo e NAÇÃO.Isto é uma missão que todos os portugueses têm obrigação de cumprir.Viva Portugal.

  3. Jorge Anyous says:

    Noutros tempos isto era traição à pátria. Hoje é considerado por alguns falar verdade e um homem com visão.Estas declarações só revelam um homem incompetente e mal preparado.O problema de fundo é este.Passos chega a 1ºministro com que passado,curso acabado na Lusíada aos 37 anos e 10 anos de gestão de empresas do amigo Ângelo. Pouco, muito pouco para 1º ministro.Depois como é natural surge um estadista de mão cheia…Relvas de seu nome.Normal.
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  4. jorge fliscorno says:

    Isto sim, é blasfémia, ó pobreza de espírito.

  5. Pentesileia says:

    Carlos Amorim já quando era comentador residente em “O Eixo do Mal” não escondia um sectarismo parolo e quase doentio. Para um doutorado parece-me bastante limitado de ideias, e agora como defensor oficial das atoardas de Passos Coelho desempenha um lamentável papel de lacaio. É um indivíduo absolutamente intragável que não prestigia nada a Casa que devia ser da Democracia.

Trackbacks


  1. […] professores estão errados. Tudo começou com mais uma declaração infeliz do Primeiro-Ministro, logo secundado por Miguel Relvas e reforçado por Carlos Abreu Amorim, ainda com o apoio de insurgentes e outros marialvas defensores da reconversão, da emigração, da […]


  2. […] de Portugal aos mercados, dúvidas desfeitas, um dia depois, por Miguel Relvas. A qualquer momento, Carlos Abreu Amorim virá a público afirmar que ambas as declarações foram lidas fora do contexto e maldosamente […]


  3. […] As declarações de Miguel Relvas podem ser encontradas no vídeo incluído neste artigo: Coelho, o agente de viagens, Relvas, o épico, e Amorim, o guia-intérprete. […]

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