A Guerra contra o Irão já começou

Mapa roubado daqui.

A luta pelo controlo dos recursos energéticos não pode parar. É por isso que a Europa faz a ameaça pueril de cortar as importações de petróleo do Irão (fundamentalmente por pressão do eixo EUA/UK). A ameaça da Europa poderia chegar a ser cómica, não estivessem em jogo a vida de milhões de pessoas.

 

Em primeiro lugar, o embargo não vai ser completo. Longe disso, a Europa importa cerca de 20% do petróleo produzido pelo Irão. Os grandes mercados asiáticos, de momento, não estão a aderir ao embargo. Logo o impacto sobre o Irão dificilmente produzirá algum efeito no regime político actual.

Depois, a produção mundial de petróleo está a perder a elasticidade a cada ano que passa. Isto é, não há produção disponível no mundo para preencher o vazio deixado pela retirada do mercado do petróleo iraniano. Como consequência o preço do petróleo vai aumentar, exactamente na pior altura possível, quando a Europa e o mundo Ocidental, de uma forma geral, lutam para escapar à crise financeira.

A consequência directa dos dois parágrafos anteriores vais ser a Índia e a China divertirem-se à grande com toda esta situação. Vão continuar a comprar o petróleo ao Irão e a seguir vão revende-lo (com o lucro que quiserem, praticamente) à triste Europa que paga desta forma o preço de não ter política externa ou qualquer tipo de estratégia razoável.

O Irão, por outro lado, tem algum espaço para respirar, o suficiente para poder renovar as suas ameaças de fechar o estreito de Ormuz. Isto tem sempre o efeito agradável de subir os preços do petróleo, enquanto poderem, de certeza que não vão parar com as ameaças!

Parece-me pois que este embargo Europeu não é coisa para ser levada a sério.

Para acabar, convém não esquecer os factos:

  • Não há provas do Irão estar a desenvolver armas nucleares;
  • A Agência Internacional da Energia Atómica tem inspectores no Irão e está a conduzir inspecções nas instalações nucleares iranianas;
  • O Irão assinou o Tratado Internacional de Não Proliferação de Armas Nucleares e até agora não quebrou esse tratado de nenhuma forma;
  • Os países que têm armas nucleares, não são tratados da mesma forma que o Irão, ver por exemplo o que passa com a Coreia do Norte.

Todo este clima faz lembrar os meses que antecederam o inicio da guerra no Iraque. Os argumentos apresentados têm a mesma qualidade dos apresentados por Bush, Powell e companhia em 2002 e 2003. Para todos os efeitos a guerra já começou.

Comments

  1. marai celeste ramos says:

    Irão essa Pérsia distante e sábia agora que não aguentou tanta grandeza

  2. Carlos II says:

    Ameaça pueril? Nem parece que sabe o que diz.


  3. contra o Irão e …. não só

    https://www.youtube.com/watch?v=4cNv7K-yFTs&feature=player_embedded#! (via shareaholic.com)


  4. Zuruspa says:

    Isto é dos maiores tiros no pé da História. Os EUA estäo bem mais dependentes do petróleo que a Europa. Ahn? Pois. Os americanos que vivem naqueles subúrbios-dormitório a 100km (ou mais) das cidades onde trabalham näo têm um autocarro para saírem de lá, quanto mais um comboio. A economia dos EUA näo é só a finança de Wall Street, quem os financia säo os pacóvios que passam 1/3 do dia encafuados no tränsito, naquelas banheiras que säo esponjas de gasolina.

    Entretanto, os portugueses aplaudem o fecho de linhas e o país vai-se “americanizando”. Teräo o que merecem.


  5. Os conflitos armados envolvendo europeus no pós II Guerra Mundial, exceptuando pequenos “episódios” privados, tem sido apenas brincadeiras (mortais!) de crianças… Os franceses vão escapulir-se do Afeganistão só porque perderam quatro soldados… E a verdade é que no estado calamitoso em que a economia mundial se encontra (ou seja a economia do “ocidente”…), aquilo que está mesmo a faltar é uma guerra “à séria”… Uma daquelas lavagens de sangue redentoras a que se sucede sempre um período de crescimento, música e cerveja!…

    Daí que, nas catacumbas prodigiosas onde se abrigam os senhores ocultos do mundo; aqueles seres implacáveis que disparam com precisão milimétrica as crises económicas, “esticam a corda” ao limite e controlam as sociedades no brilho dos ecrãs da TV estupidificante, depois de “sangrarem” os povos e rebentarem com o humanismo dos sistemas sociais, agora – cereja no topo do bolo – só precisam mesmo é duma “bela” guerra em grande escala.

    Como a história mostra que “eles” ganham sempre, resta apenas esperar pelo primeiro tiro… Logo a seguir pode começar tranquilamente a faturação dos mísseis…


  6. Porque é que a guerra é inevitável?
    Porque é necessária aos dois campos.
    é necessária ao regime iraniano para calar a oposição interna e criar um clima de patriotismo artificial através duma agressão estrangeira.
    é necessária ao ocidente por duas razões : 1- necessidade imperialista de controlar a produção de petróleo. 2- distrair, também ele, as populações dos próprios problemas a través duma guerra “santa” contra uma “ditadura”.

    O mais grave disto tudo é que os comentaristas se dividem entre prós e contra regime iraniano.
    Ou seja, esta gente tem as mãos livres, em ambos os campos, para angariar simpatias para uma guerra onde, como sempre, quem se lixa é o mexilhão, mas que pode degenerar num conflito mundial.

    Tito Lívio Santos Mota

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  1. […] nessa grande quantidade artigos é difícil encontrar alguma menção ao facto deste embargo dificilmente poder ter grande impacto nas receitas iranianas resultantes da venda de p…, ou mesmo nas políticas nucleares iranianas. Basta ter em conta que o petróleo é um bem […]

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