“Gasparzinho”, o inteligente mentor do OGE 2012

gasparzinhoTodos os políticos, da esquerda à direita, se prestam a caricaturas. Vítor Gaspar, o nosso Ministro do Estado, sublinho do Estado, e das Finanças não é excepção. Por azar seu ou do nome de baptismo, o esforçado e pastoso orador Gaspar não se livra do libelo; então, garantem as más línguas termos à frente das Finanças o “Gasparzinho”.

Nas cerimónias e festejos de posse do actual governo, a comunicação social e membros da actual maioria, em uníssono, proclamavam e publicitavam tratar-se de um homem muito inteligente. Um sábio de qualidades insuperáveis, naquilo que analisava, diagnosticava e decidia como terapêutica económico-financeira para o País.

Todavia, uma coisa é o conto acerca de um companheiro amigo, espécie de ‘Alice no País das Maravilhas’, outra é a actividade e os resultados das acções concretas do protagonista do conto. A demonstrar que entre fama e desempenho, frequentemente, há divergências de monta, a imprensa em geral, aqui, aqui, aqui e aqui – chega bolas! –, divulga que, afinal, o défice deste ano, 2012, se agravará para 5,4% do PIB, em vez dos 4,5% programados com a ‘troika’.

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Prelúdio

©Pedro Noel da Luz

O fabuloso destino de André Viola

O jovem algarvio André Wilson da Luz Viola, de 21 anos, apresenta um curriculum invejável, que não é muito comum em jovens da sua idade. Senão vejamos:
. em Maio de 2008, foi Voluntário no Rock in Rio/Lisboa.
. em Maio de 2009, foi escrutinador, em Lagos, durante as Eleições para o Parlamento Europeu;
. em Agosto de 2009, ganhou um convite-duplo para ir ao Amoreiras ver o filme «Charlie Bartlett — Psicanálise para Todos»
. em Setembro de 2009, foi candidato do PS à Assembleia Municipal de Lagos.
. em Janeiro de 2011, foi escrutinador, em Lagos, durante a votação para a Presidência da República.
. em Maio de 2011, recebeu um pagamento de 76 euros da Câmara Municipal de Lagos;
. nos primeiros dias de Julho de 2011, segundo estas informações, tirou a carta de condução.
. em 18 de Julho de 2011, aos 21 anos de idade, foi nomeado Motorista do Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, com um ordenado mensal de 1610 euros.

Eis o fabuloso destino que estava reservado a André Viola – com 21 anos apenas, ganhar como motorista de Francisco José Viegas 3 vezes mais do que os motoristas decanos do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.
O que se pode dizer mais deste ás da estrada, deste autêntico Fitippaldi, que ainda não tenha sido dito? Nada, a não ser uma pergunta: Por quê?
Aconselho ainda as leituras dos insuspeitos Insurgente e Portugal Contemporâneo sobre esta matéria.

A filha da PuTice digital terrestre

O caso TDT é muito fácil de explicar: em Portugal mandam as empresas e as empresas, como agora os seus criadinhos assumem, vivem para o lucro passando por cima do que for preciso.

O espectro radioelectrico faz parte do nosso património natural, digamos assim. Ao libertar o que estava ocupado pela tv analógica (que fica para os telemóveis de 4ª geração) e ao distribuir o digital (que tem capacidade para dezenas de canais) o governo onde ainda pontificava Augusto Santos Silva só tinha que garantir para os cofres do estado a renda das concessões e como contrapartida impor às empresas que ganhassem os concursos que todos os portugueses no mínimo continuassem com acesso à televisão de sinal aberto sem qualquer custo. Assim se fez noutros lados.

Aqui não. Aqui a PT ficou com a rede da TDT, e como é óbvio começou por impor que esta não lhe faria concorrência ao seu, ou seja ao Meo: nada de canais em sinal aberto, que ainda deixo de vender o cabo. Foi aprovado um a repartir entre RTP, SIC e TVI, que como é óbvio não se entenderam. E nas próximas semanas os que não têm dinheiro deixarão de ter vícios, como se sabe ver televisão é um vício, e pobre à noite que faça filhos, mesmo que já não tenha idade para isso. [Read more…]

Ensinar e Educar

Escola Pública - educar ou ensinar?

Escola Pública

As palavras têm valor: ensinar e educar podem ser vocábulos de sentidos semelhantes, mas para a reflexão em causa, vamos argumentar no sentido da diferença. A mãe de todas as enciclopédias diz que a Educação engloba ensinar e aprender.

Poderia também ir por aí: ensinar é o que o “mestre”, “o ensinador” (desculpem o mau jeito da palavra que, confirmo, não faz parte do novo acordo), o “professor”, o que ensina faz – no sentido mais restrito, o que transmite. Num sentido mais amplo, o que faz a mediação entre o objeto de aprendizagem e o que aprende.

Aprender, normalmente coloca-se no lado do que recebe, na nossa sociedade, o aluno.

Mas, e esta é a questão: ensinar e educar não são só isto.

Educar é muito mais que escola e muito mais que ensinar! Pensem, por exemplo, no que foi ensinado nas faculdades de economia por esse mundo fora e para o que lá foi aprendido – vejam como é difente a teoria dessa gente e a prática que nos (des)governa. Como é diferente ensinar e educar. Ensinar é passar conteúdos, sejam eles práticos ou teóricos. Sejam eles andar de bicicleta ou o teorema de Pitágoras. Educar é isso, mas é também respeitar os mais velhos, não buzinar no trânsito, ouvir quando os outros falam ou não entrar de chapéu dentro da sala de aula.

Dizia em tempos um ex-ministo que o difícil é sentá-los. Ora nem mais! Hoje, como nunca – penso nas turmas C.E.F. – é impossível dar aulas em algumas turmas. IMPOSSÌVEL – assim mesmo, com as letras todas!

E é aqui que entra o ponto final desta reflexão: para o sr. comentador Nuno Crato chega ensinar, quando, de facto, o que o país precisa é que a escola eduque.

Há maternidade precoce, investe-se na Escola. Há acidentes, lá vem a prevenção rodoviária para a escola. Há droga, a Escola que resolva. Há falta disto ou daquilo e é logo culpa da Escola.

Esta instituição – a ESCOLA – é uma criação recente da humanidade e as Elites perceberam que poderia ser um instrumento de promoção social, logo, trataram de a adaptar ao que precisam, que é claro, de menos promoção social e mais reprodução das desigualdades porque essa situação garante a manutenção do poder. E quem tem o poder só precisa de assalariados cumpridores, tipo peça de uma simples máquina.

Todos os meninos ricos da linha, seja de Cascais ou da Boavista, além do colégio têm artes, piano, ginástica, esgrima, equitação. A Educação, no seu sentido mais amplo, é para as elites algo abrangente que toca o conhecimento puro e duro, mas toca também as artes, o desporto, etc…

O que fica para os pobres? Uma escola sem artes, sem desporto onde parece que só há lugar para a Matemática e o Português? E esta é, nos dias que correm, a discussão que todos temos de fazer – que escola pública queremos?

O que temos em cima da mesa é uma coisa muito simples: a Escola Pública deve ensinar ou educar?

Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 2 – Guilherme Felgueiras


«O povo, inclinado ao romance e à poesia e dotado de espírito imaginoso (por vezes pueril mas quase sempre devaneador), bordou a sorrir esta fantasiosa anedota de carácter parabólico, sobre os três rios que nascem nas serranias de Espanha – o Guadiana, o Tejo
e o Douro:
– Em tempos vagos, quando o mundo era ainda jovem e todos os elementos da natureza falavam, estes rios irmãos estiraçaram-se em seus “leitos”, dispostos a dormir. Combinaram que, mal acordassem, abalariam por caminhos diferentes em direcção ao mar.
O primeiro a despertar foi o Guadiana. Placidamente foi serpenteando, escolhendo chãs e vales aprazíveis, por entre meandros charnequeiros alentejanos e divagantes planuras algarvias.
O Tejo, acordou em seguida. Indo no encalço do irmão, apressou a marcha através de outeiros, sulcando as terras do centro, até encontrar vastas campinas e fartas lezírias, onde placidamente se espraia.
Estremunhado, o Douro acordou por fim, ciclópico e arrogante. Não vendo os irmãos, galgou com ímpeto erosivo, cavando seu leito em terras nortenhas, por ente muralhas petrificadas e estranguladas gargantas, rumorejando através de fraguedos bravios e cachoando em “gualgueiros” e sorvedoiros perigosos, vencendo a escabrosidade do trajecto.»

Guilherme Felgueiras, O Rio Douro Lendário (1973)

Outros textos:

1 – Francisco José Viegas

Bola de Ouro 2011: Ronaldo, Messi ou Xavi?

E melhor treinador? Ferguson, Guardiola ou Mourinho?

A cerimónia começa às 18 em Zurique e o leitor tem até lá para dar os seus palpites. Em qualquer dos casos tem 33,33% de hipóteses de acertar.

Os meus (simpatias aparte)? Desta vez ganham Xavi e Guardiola.

PS: Foi Messi, pronto, o rapaz merece, mas Xavi também mereceria, até porque é o único dos três sem Bola de Ouro.

Angelina oferece cascata a Brad Pitt

Há quem dê voltas à cabeça para decidir o que oferecer aos seus. Não por falta de ideias, mas por falta de dinheiro. Mas há também quem dê voltas à cabeça – claro que esses são em muito menor número – para descobrir o presente ideal a dar a quem já tem tudo. Angelina Jolie – que promove causas humanitárias e é também embaixadora do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados –  deu voltas à cabeça para descobrir o melhor presente de Natal de 2011 para o seu Brad. Até que teve uma ideia brilhante, luminosa e musical: uma cascata!

Há gente que tem dinheiro para comprar até o que não tem preço…

A Esquerda parlamentar está contra a Democracia

O acesso generalizado a bens como a saúde, a educação ou a cultura constitui o exercício pleno da Democracia. Num país democrático, o acesso a esses bens deve ser fiscalizado, com certeza, mas tem de ser, sobretudo, facilitado.

O progresso arrasta consigo virtudes e defeitos, novos perigos e novidades extraordinárias. A possibilidade de armazenar e transportar bens culturais em formato digital constitui um progresso extraordinário, uma revolução no conhecimento, por muitos efeitos perversos que suscite.

Num país ainda em desenvolvimento, por muito que o novo-riquismo das classes dirigentes o queira desmentir, é fundamental incentivar os cidadãos a uma utilização responsável de todos os meios de formação e de informação ao dispor.

Num país em que os rendimentos desses mesmos cidadãos diminuem e as despesas aumentam, contribuir para o encarecimento de meios de reprodução e de armazenamento digital é mais um acto antidemocrático a somar aos muitos que têm sido cometidos na espiral regressiva dos últimos anos. Que uma medida dessas seja aprovada pelos partidos do costume não é de espantar; que a esquerda participe nesta estúpida unanimidade é escandaloso.

Lojas, saldos, compras, vendas

Ministro tem aulas de introdução à política

O Álvaro, o ministro que mais aspeto tem de fazer parte dos 99% mas que ainda assim consegue ser o que pior resultado tem nas sondagens relativas às preferências do povo mostrou neste sábado que anda a ter algumas aulas de introdução à política.

A propósito de uma vista de protesto, disfarçada de janeiras, por causa do ramal da lousã e aproveitando o facto de já ter anunciado previamente medidas que iam ao encontro do que os protestantes pediam, lá surgiu o ministro, em modo casual friday, como deve gostar mais de andar, junto com a familia a deixar palavras simpáticas para todos os media que lá estavam.

Correu-lhe bem, esperemos que o resto do trabalho no seu mega-ministério também corra.

Hoje dá na net: Opium Brides

Opium Brides é uma reportagem sobre a troca de crianças por dinheiro, de abusos e de humilhação numa terra sem lei. Com a entrada do exército dos EUA no Afeganistão e com a consequente remoção do poder dos Taliban, a plantação de papoila e o tráfico de ópio floresceu, transformando o Afeganistão no maior produtor mundial. Numa terra paupérrima os agricultores são forçados a aceitar empréstimos dos traficantes de droga para poderem fazer as suas sementeiras. Se não pagam, por qualquer motivo, são obrigados a dar os próprios filhos em troca.

Esta reportagem cumpre outro propósito, dá um rosto aos habitantes do Afeganistão, coisa que só muito raramente vemos na nossa comunicação social.

Em inglês, sem legendas.

“Cracolândia Privê”, pois então!

domingo, 8 de janeiro de 2012

ANO 91 Nº 30.230

Uma espécie de cracolândia privê funciona em casas e apartamentos de bairros como Vila Mariana, Bixiga, Paraíso, Penha e Bela Vista, ínforma Afonso Benites. São espaços discretos e seguros destinados à venda e ao consumo local do crack. Para entrar, é preciso ser apresentado por algum conhecido do traficante e só consumir a droga “da casa”

O Brasil está ficando chic. Chic mesmo! Se você, professor, recém-licenciado ou aluno, seguir as orientações do governo para emigrar para terras brasileiras e estiver habituado a adquirir e a consumir tranquilamente o seu ‘crack’, está safo. Se for residir para um dos bairros citados na folha de são paulo, terá a possibilidade de encontrar um traficante de confiança e, no final, aceder a uma “Cracolândia Privê” para consumir na boa o ‘ckrackzinho’ do dia.

‘Crack’ à parte, também já beneficiei. O meu vocabulário, respeitando o Acordo Ortográfico, ficou  enriquecido. Sei agora que “Cracolândia” significa Terra do Crack e, em português actual e elegante, passarei a pronunciar e escrever “Privê”, em vez de Privado.

Don’t Iraq Iran

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(Roubado daqui)