A dor vestiu-se de mulher

adão cruz

A dor vestiu-se de mulher.
A dor vestiu-se de mulher de terra e flores e voou para lá das nuvens onde mora o vento.
A vida é um lugar muito longe lá para as bandas do sonho nas margens do silêncio na arte do encontro – desencontro na alegria de ser triste.

Nesta Galiza de poetas e água e céu e solidão onde um mar de rias baixas desagua dentro de nós pinta Jordi um rosto de mulher a ocre terra-siena e carmim.
…Que os cabelos e os jardins querem-se soltos e naturais como as aves e as manhãs.

Um homem nu toca Mussorgsky ao vivo como se Jordi pintasse Quadros de Uma Exposição.
Bem perto daqui há muito foi sonhada Nostalgia mas ninguém viu a luz vermelha fendendo as águas verdes e a dor já se vestia de terra e flores e a dor já fugia para lá dos montes onde moram mulheres de vento.

Comments


  1. tão lindo. (e esta mulher do lado de cá acaba de vestir-se de sorrisos) 🙂


  2. Estimado Adão, ainda bem que existem tão refinadas sensibilidades! Bem precisamos de beleza e poesia neste denso e sombrio emaranhado do quotidiano!
    Está de parabéns, como sempre aliás!


  3. Mulher, Mãe, Terra, Fertilidade, Alegria, Felicidade, Sensibilidade…
    Curioso todos estes sentidos se pintam em tons de palavras femininas.
    Mas, também a Dor, Saudade, Nostalgia…

  4. marai celeste ramos says:

    Que belo como sempre que escreve – e pinta- Quem disse que homem rodeado de beleza não entra em depressão ?’ alguém foi e não fui eu – mas sinto

  5. Adão Cruz says:

    A todos muito sensibilizado por tão gratificantes palavras

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