A vidinha à portuguesa ‘on-line’

Um homem chega à casa. Janta em paz e conversa com a família, sem ligar a noticiários ou entrevistas televisivas. Acaba a pitança,  senta-se diante do computador, acede ao ‘Público’ on-line e dá de caras com estas notícias:

  1. Um funcionário e dois ex-trabalhadores das Finanças suspeitos de corrupção
  2. Holanda dá mais garantias às iniciativas privadas, diz Alexandre Soares dos Santos
  3. Escritório de Júdice condenado a pagar 2,5 milhões de euros a antigo cliente
  4. Líder parlamentar do PSD e quadros da Ongoing juntos em encontro maçónico

Bolas, o que é isto? Interroguei-me. De uma rajada, quatro notícias perfiladas segundo o actual ‘design’ nacional. Há funcionários anónimos suspeitos de corrupção – já não bastavam os mediáticos!;  temos a ingrata Holanda, para onde no passado encaminhámos judeus aos montes, a fazer  concorrência desleal em garantias às iniciativas privadas; ficámos informados de que há um escritório condenado a pagar 2,5 milhões de euros – sim o título diz que é um escritório! – e, no fim, revelam-nos uma frustrada jantarada maçónica entre o líder parlamentar ‘laranja’, o pessoal da Ongoing e mais uns quantos notáveis. Para o ramalhete jornalístico ficar completo, faltou uma noticiazinha, pequena que fosse, a anunciar eleições para a Direcção Espiritual da ‘Opus Dei’.

Vendo bem, a minha estupefacção é injustificada. Como dizia o Eça, este País sempre foi e será assim; ou visto através de outra lente literária, a tese da clivagem social entre os vulgares e os invulgares, defendida por Raskólnikov em “Crime e Castigo”, tem neste recanto e nas suas terras pingadas no Atlântico o laboratório experimental que a personagem de Dostoiévski imaginou.

Servindo-se de feios, porcos, maus, lindos, partidos e inteiros, os jornais limitam-se a narrar ‘on-line’ a  vidinha à portuguesa. E dela não sairemos tão depressa, a menos que… alguém quebre o galho.

Ainda o Ajuste Directo ao Projecto de Francisco José Viegas


O meu prezado colega Carlos Garcez Osório aponta uma série de erros ao meu post A promiscuidade e as ligações perigosas de Francisco José Viegas. Elídio Sumavielle, por seu lado, veio ao Aventar dizer de mim o que Maomé não disse do toucinho.
Não tenho muito mais a dizer, a não ser que factos são factos:
. O Ajuste Directo em causa foi entregue no dia 18 de Maio de 2010. O Secretário de Estado da Cultura, nomeado em Outubro do ano anterior, era Elídio Summavielle.
. A Direcção-Geral de Cultura do Norte é um organismo tutelado pela Secretaria de Estado da Cultura e não me parece que possa fazer ajustes directos de quase 30 mil contos sem autorização superior.
. Francisco José Viegas foi o mentor, o coordenador e o apresentador de todo o projecto, sendo que, em nenhum momento, pus em causa a qualidade de documentários que nunca vi e de que nunca tinha ouvido falar.

Por último, se achei curioso ver o Carlos a defender a lisura de processos do Governo anterior, vi com compreensão a forma como Elídio Summavielle se defendeu. O sítio de onde o fez, o belíssimo Palácio Nacional da Ajuda, certamente inspirou-o a produzir aquele belo naco de prosa.
Quanto a Francisco José Viegas, e repetindo algo que já disse ao Carlos Garcez Osório pessoalmente, não reconheço qualquer integridade a alguém que ataca com todas as forças a construção da Barragem do Tua mas que, chegado ao Governo, esquece imediatamente tudo o que defendeu. Não tem qualquer integridade quem é nomeado para defender a Cultura e o Património e, ao invés, defende a EDP e os interesses privados.
No fim disto tudo, a única pergunta que pensei que fariam e que ninguém fez nem o próprio negou: Elídio Summavielle vai mesmo ser o próximo Director-Geral do Património?

Saúde está de baixa: troika que os pariu!

Já ouvi falar num Portugal democrático e civilizado e gostaria muito que me avisassem quando o descobrirem, porque deve ser um país em dá gosto viver. Nesse Portugal democrático e civilizado, não poderia haver um único reumatologista no Algarve e nenhum nos distritos de Beja e de Portalegre. Nesse Portugal utópico, as decisões acerca dos horários dos centros de saúde não poderiam estar dependentes de contabilistas para quem os doentes são números e para quem a Saúde é uma área que deve dar, necessariamente, lucro e não um direito ao alcance de todos os cidadãos, porque isso faz lembrar socialismos e outras coisas igualmente pútridas e porque é importante que o Estado deixe de cumprir os seus deveres, para que os privados possam tratar da saúde aos portugueses que tiverem dinheiro para isso.

Neste Portugal em que vivemos, o doente tem de ser, no mínimo, um nómada, e estar disposto a, corajosamente, enfrentar viagens constantes, o que é o ideal para um reumático. Em Guimarães, o doente, se não quiser pagar o dobro por uma consulta de hospital, deverá adoecer, disciplinado, dentro do horário do centro de saúde. Devemos todas estas benesses aos filhos da troika que continuam a imolar os portugueses no altar do combate ao défice. Ao governo nada devemos, porque governo não é certamente quem decide assim.

Presidente dos EUA = Presidente da Guerra

Quando Obama foi eleito muitos exultaram e chegaram a falar em novo mundo e nova ordem mundial.

Tolice e ingenuidade.

O presidente dos EUA, seja ele quem for, é o presidente de um império que tudo fará para se perpetuar como tal. O presidente dos EUA é, acima de tudo, o presidente da potência que, desde a 2ª Guerra Mundial, se afirma pela força das armas para estabelecer os desequilíbrios que lhe sejam estrategicamente convenientes, independentemente dos valores que o discurso oficial americano possa, num momento ou outro, propalar. Acontece que, após a Guerra Fria, o mundo se tornou mais ameaçador para os EUA, com menos aliados seguros e inquestionáveis, com mais frentes de “consolidação” da sua força, com maior dispersão de vontades e de movimentações. Assim, de “vitória em vitória”, as forças militares americanas foram-se exaurindo e exaurindo os cofres do estado, ainda que para benefício dos grandes interesses privados e senhores da guerra internos.

Obama, o presidente do país que mantém a sua supremacia pelo recurso ao aparelho militar, é, neste contexto, obrigado a redefinir prioridades e, sobretudo, a redimensionar o dispositivo bélico. Além disso precisa de focalizar e concentrar-se no único país que poderá a médio prazo substituir a América como próximo império mundial. E veio dizer, se tal fosse preciso, que os EUA não perderão a hegemonia pela via paz ou, por outras palavras, que enfrentarão pela guerra e pelas armas qualquer desafio à sua posição de império mundial. E veio, claro, desmentir quem – Academia Nobel, etc.- pensasse que poderia ser diferente nas atitudes, nos processos e no xadrez internacional. O cargo de presidente dos EUA depende pouco da pessoa que o exerce.

O Ajuste Directo ao Projecto «O Douro nos Caminhos da Literatura»: A resposta de Elísio Summavielle

Foi hoje introduzido no V. blogue, um texto assinado por Ricardo Santos Pinto -“A promiscuidade e as ligações perigosas de Francisco José Viegas“, cujo conteúdo, em que sou particularmente atingido, e ferido na minha honra, está pejado de mentiras caluniosas. Concretamente, nele é referido um projecto, do qual só conheço o resultado final (a produção de 7 DVD relativos à obra de 7 escritores durienses), e com o qual não tive absolutamente nada que ver, quer na ideia, quer na tutela, na responsabilidade executiva, quer a qualquer outro título. São por isso completamente falsos os TODOS dados ali constantes sobre essa matéria, e sinto-me por isso lesado pessoalmente pelo vosso gesto irresponsável. Quero, no entanto, ainda acreditar que V. Exas se fiaram em fontes urdidas de má fé, e por isso aguardo que o referido texto seja rapidamente retirado do V. blogue, com o pedido de desculpas que me é devido. Caso contrário, assistir-me-à o Estado Democrático de Direito, em que teimo acreditar. Como em tudo na vida, há limites, na honra e na integridade dos indivíduos, que não podem ser ultrapassados.
Sem outro assunto, atento,
Elísio Summavielle

Francisco José Viegas

Porque reconheço em Francisco José Viegas uma enorme integridade, não posso deixar de reagir a alguns posts que aqui no Aventar têm sido publicados, nomeadamente, este escrito pelo Ricardo Santos Pinto.

Todos temos direito a opiniões próprias. E quase todas as opiniões devem ser respeitadas. Agora fazer extrapolações de alguns factos reais para, expressa e literalmente, se pôr em causa o carácter de um Homem bom, sério e competente, é algo que nos deve inquietar. Assim:

1.- No ajuste directo em causa, a empresa adjudicatária denomina-se “Ideias e Conteúdos – Produções em Comunicação – Sociedade Unipessoal, Lda”., que, como a própria firma diz, tem apenas um sócio que se chama Ana Paula de Sousa Bulhosa (informação pública disponibilizável em qualquer Conservatória do Registo Comercial).

2.- O montante do ajuste, obviamente, que não foi entregue a FJV, mas sim à empresa adjudicatária que, presumo, com ele deve ter pago os necessários custos de produção (estudos, projecto, deslocações, filmagens, staff, etc.), bem como, garantido a sua legítima margem de lucro.

3.- Sinceramente, não sei nem posso asseverar que 138.600,00€ são ou não exagerados para pagar a produção de 7 documentários (para TV e DVD) de aproximadamente 1 hora cada. O que sei é que, na minha confessada ignorância, o valor em causa não me sugere, sem mais, quaisquer suspeitas.

4.- FJV foi a pessoa escolhida para coordenar e apresentar os referidos documentários. Como não disponho de quaisquer informações privilegiadas, presumo, novamente, que deva ter recebido honorários por tais serviços. O que é natural, normal e legítimo.

5.- Em defesa da verdade, o ajuste foi efectuado pela Direcção Regional de Cultura do Norte e não pela Secretaria de Estado da Cultura ou pelo Ministério da Cultura de então.

6.- O pagamento do montante da adjudicação teve o co-financiamento do Programa Operacional Regional do Norte, da Fundação EDP, da RTPN e das autarquias de Mesão Frio, Peso da Régua, Lamego, Sabrosa, Sernancelhe, Moimenta da Beira, Tabuaço, Mogadouro e Freixo de Espada à Cinta.

7.- A opinião dominante aponta no sentido dos referidos documentários além de possuírem qualidade, proporcionaram à região retorno económico (como resulta de breve procura na net).

8.- Por último, mas de maneira nenhuma menos importante, a decisão de fazer os documentários através da referida empresa estava tomada pela DRCN em Janeiro de 2009; Elísio Costa Santos Summavielle só se tornou Secretário de Estado da Cultura em 31 de Outubro desse ano.

Ó pingo doce vais para a Holanda? levas com a popota não tarda nada

Pegar no bocado de cinema mais replicado do youtube e meter-lhe umas legendas mais ou menos com piada é já um ritual português, uma tradição, uma rotina, uma obrigatoriedade.

Mas este além de curto tem a popota e mesmo muita piada.

Ainda o falecido 2011

Reparei que o leitor Tomaz de Albuquerque (Lisboa) comentou hoje no DN um texto meu que intitulei de «Ainda 2011» mas que a redação do jornal achou por bem dar-lhe o nome de «O ano de 2011 não foi assim tão mau» e publicar no passado dia 3 (online e papel).
O leitor ficou estupefacto e disse que eu estava a ser mais que otimista. Pois bem. Sabemos de cor todos os números catastróficos que apresentou na sua argumentação, como os quase 700 mil desempregados no último ano. Todos os dias ouvimos números assustadores. E dizem ainda que 2012 será pior.
Afundados como já estamos, pensar negativo é morrer.
Qualquer tabuazinha de salvação é bem-vinda. Não quero ver tudo cor-de-rosa, mas acredito que nos devemos esforçar por destacar e estar atentos ao que de mais positivo vai surgindo (nas nossas vidas como no país) de forma a não sucumbirmos de vez.
Há um provérbio chinês interessante: “O passado é história, o futuro é mistério, e hoje é uma dádiva. Por isso é chamado de presente!”

Francisco José Viegas está um político feito

Para todas as actividades e profissões, há estereótipos raramente inofensivos e muitas vezes maldosos, mesmo quando há um fundo de verdade. O grande problema surge quando os estereótipos, sobretudo os menos simpáticos, se aproximam demasiado da realidade.

Sobre os políticos, o estereótipo diz-nos que prometem seja o que for para não cumprirem quando chegam ao poder ou que se desdizem para depois tentarem explicar que não se desdisseram ou que foram mal compreendidos ou que as aquilo que disseram foi retirado do contexto ou que os tempos mudaram, ao contrário dos burros, que, como se sabe, não mudam.

Em Portugal, os políticos são iguais aos estereótipos. Exemplo disso é a contradição entre as declarações de Passos Coelho e as medidas que tomou quando chegou ao poder: parecem retiradas de um filme com um mau guião ou de uma farpa queirosiana.

Francisco José Viegas, há cerca de dois anos, condenava o crime que está a ser cometido no Tua e, agora, aceita ser cúmplice desse crime. No fundo, é uma questão de coerência: se fosse coerente com as suas afirmações anteriores, não poderia ser um político.

Atente-se na Qualidade e Pertinência dos Oradores

A Nova Diáspora Portuguesa – Emigrar no Séc. XXI” é o tema de uma conferência apadrinhada por Passos Coelho e com o alto patrocínio do governo da repúdica e do Prof. Dr. Cavaco Silva (autor de frases emblemáticas como “voltem-se para espanha” ou “virem-se para o mar”).

O cartaz, recebido, como tanta outra pornografia, na minha caixa de correio, não identifica mas assumo que o local da conferência seja a pesporrência televisiva. Todos os dias pelas 20h. Entrada scut (grátis).

A promiscuidade e as ligações perigosas de Francisco José Viegas


O Governo anunciou recentemente a criação de um novo organismo, a Direcção-Geral do Património Cultural. O Aventar sabe de fonte segura que Francisco José Viegas se prepara para nomear Elísio Summavielle como director-geral desse organismo. Elísio Summavielle, relembre-se, foi Secretário de Estado da Cultura no segundo Governo de José Sócrates.
Dando mostras de um súbito sentido democrático, invulgar na política portuguesa, Francisco José Viegas reconduziu também dois elementos que tinham sido nomeados por Elísio Summavielle, Manuel Correia Baptista e Henrique Parente.
Dando mostras de um súbito sentido democrático. Ou se calhar não.
Em 18 de Maio de 2010, o então Secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle, entregou por Ajuste Directo o projecto «O Douro nos Caminhos da Literatura», constituído por 7 DVD’s sobre escritores durienses, no valor de 138.600 euros. Pagaram o projecto, entre outros, a Estrutura de Missão do Douro e a Fundação EDP. Tudo gente boa, como se sabe…
E quem foi o feliz contemplado por esse Ajuste Directo e o responsável pela concepção e apresentação dos DVD’s? Acertaram, o actual Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas.
Há coisas fantásticas,não há?

O último a sair apaga a porta e fecha a luz

Coitado do Soares dos Santos afinal não é só ele, os nossos grandes capitalistas, perdão, os nossos grandes empreen-dedores estão a dar de frosques e as nossas (salvo seja) grandes empresas há muito que beneficiam das Holandas e Luxemburgos destas Europa e outros locais sossegados nos impostos do resto do mundo.

Esta última parte sempre se soube mas finalmente fica clara: a pátria deles é o dinheiro e a fuga legal e ilegal aos impostos mera rotina, um pecado remissível com uma esmola aos pobrezinhos coitadinhos que também não são tributados. Então não se pode ser rico? perguntam como se o problema fosse esse.

O desinvestimento em Portugal já é uma novidade. Significa que sabem muito bem ser hora de fechar a loja, começando pelos hiperrmercados que vão ficar às moscas, fazer as malas ao dinheiro e partir. Quando têm o governo mais à direita de sempre assumem que a austeridade rebenta com a economia e a direita não sabe governar, dando razão à esquerda pelos seus actos, embora continuem a negá-lo nos sermões aos seus devotos.

Façam boa viagem. Já vi este filme em  1974-75, não foi por isso que Portugal deixou de existir, e alguns bem souberam aproveitar a sua ausência (Belmiro que o diga). Esta é a emigração de que precisamos e que nos pode salvar. Mas façam-nos um grande favor: levem os vossos políticos convosco, inventem um governo no exílio. A malta agradece e cá se há-de amanhar a pátria com os que ficarem.

Hoje dá na net: The coming war on general computation

Na 28º Chaos Communication Congress que se realizou em Berlin, no fim do ano passado, Cory Doctorow fala sobre o futuro do computador generalista e das ameaças que este enfrenta e com ele a liberdade de expressão e de inovação na Internet. Ele mostra como somos ameaçados pelo aparecimento de sistemas fechados (como os smartphones e tablets), pelos chamados jardins murados (walled gardens) que restringem e censuram a nossa utilização da Internet como por exemplo o Facebook, Myspace e outros sites que acabam por negar ao utilizador o uso do resto da Internet. Em inglês, sem legendas.