Salvem o euro – livrem-se da Alemanha

salve_se o euro

“Acalmem-se! Alguém terá de ser o primeiro …”

Ilustrado por esta imagem, o “The Times” publica um artigo bastante interessante sobre o  euro e o domínio da Alemanha; o afastamento deste país é a medida recomendada a todos os outros países da moeda única; isto, com o objectivo de salvar o euro.

Do citado artigo, Anatole Kaletsky, reproduzimos o 1.º parágrafo, de conteúdo elucidativo:

Ao impor austeridade fiscal aos seus parceiros da Zona Euro, ao mesmo tempo que recusa teimosamente o reforço do papel do BCE e um maior apoio mútuo às dívidas nacionais, a Alemanha é mais um obstáculo do que uma ajuda para a moeda única, argumenta Anatole Kaletsky.

Estas palavras, só por si, justificariam que os governos de Portugal, Espanha, Itália, Grécia, Irlanda e França agissem no sentido de estabelecerem um plano de salvação do euro, ignorando pura e simplesmente a Alemanha (Alemanha, diga-se, da Sra. Merkel que, ao contrário de Willy Brandt, Helmut Schmidt, Helmut Kohl e Schroeder, tem usado e abusado de um estilo ditatorial germanófilo, característico do capítulo mais negro da História da Europa).

(Se pretender ler na íntegra, poderá aceder ao artigo, na Presseurop).

Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 8 – Sant’Anna Dionísio (Fim)

(continuação)

« – 83,7 km Macedo de Cavaleiros, est (E); (537 m. de altura)

A via férrea cruza duas vezes a estrada de Mogadouro, seguindo em plano através das extensas folhas de cultivo (milhos, centeios, trigais, pomares, vinhas, campos de morangos), que nos acomoanham, de um lado e outro, mas principalmente do lado da montanha tranquila que se desenha a meia distância.

– 85 km Castelãos, ap. (D.)
Sucedem-se as colinas alongadas, ao mesmo tempo familiares e sem nome. A pouco e pouco, o perfil da serra de Bornes modifica-se. A linha sobe, cortando pequenas trincheiras, ao longo da ribeira de Azibo. À esquerda, ergue-se a ermida de S. Bartolomeu, cuja romaria anual é muito concorrida.

– 89,4 km Azibo, est. (E.)
A partir da Ponte de Azibo, a via férrea obe continuamente. A cada passo se descobrem neste belo pedaço do mundo, tão impressivo, chamado Trás-os-Montes. É ver aquele formoso souto, hermético e misterioso como todas as florestas desconhecidas, vistas de longe. [Read more…]

Abolição de feriados ou corveia?

corveia (do latim corrogare, exigir, através do francês corvée) é o trabalho gratuito que no tempo do feudalismo os servos e camponeses deviam prestar ao seu senhor feudal ou ao Estado durante três ou mais dias por semana

Para já levamos com quatro dias de corveia este ano. Portugal sempre em frente, a caminho da plenitude feudal.

OGE de 2012 – Moedas, Trocas & Baldrocas

Homens felizes

Carlos Moedas publica no “The Wall Street Journal” um artigo destinado, claramente, a contraditar notícias adversas e recentes, naquele mesmo jornal. Noticiava-se, antes, que “Portugal dificilmente terá capacidade de voltar aos mercados em 2013, em função da persistência e dimensão da crise…”.

Moedas – Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, note-se –recorre a um estilo superficial e hiperbólico. Contornando as difíceis realidades sociais, económicas e financeiras do País, declarou:

A descida do défice abre espaço a corte de impostos.

Moedas agora nega ter dito que vai baixar os impostos. Tem razão. No entanto, ao valer-se de um discurso meramente teórico, usou um princípio elementar (descida de défice público => corte de impostos) que, correcto em matéria de teoria de finanças públicas, se distancia da realidade da Economia Portuguesa; sobretudo, dos efeitos da política de austeridade que, respeitando e/ou excedendo as medidas da ‘troika’, o governo, de que faz parte, aplica de forma brutal.

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O Kim da Megaupload, o FBI e a Democracia

Que o Kim(zinho) da Megaupload não é flor que se cheire, é claro e óbvio. Que a Megaupload fazia tábua rasa de direitos de cópia e de autor, também parece evidente. Que a maior preocupação do FBI e do pessoal da SOPA não são propriamente os autores, os criadores e os artistas, também não carece de desenho.

A luta é pelo controlo da internet e pela limitação da liberdade aqui instituída. A vontade é a aquisição de ferramentas legais para o encerramento de sites e para o cerceamento de correntes de opinião mais “inconvenientes”, o silenciamento de vozes incómodas. Não são, sequer, os prejuízos causados a utilizadores anónimos e a gente sem rosto, ou decisões de tribunal, que vão fazê-los recuar. O que os faz recuar (por enquanto) é o facto do conhecimento estar desequilibrado a favor dos utilizadores da internet. O que os faz recuar é o facto de serem atacados e terem muito a perder.

Defender a liberdade na net não é defender o Kimzinho da Megaupload nem subvalorizar os direitos de autores e criadores. Defender a liberdade na net é defender a última frincha popular que ainda náo foi tomada e controlada. É defender a última sombra de democracia que ainda tem alguma autenticidade. Nada menos do que isso.

CGTP – E agora?

Carvalho da Silva, CGTP

Uma imagem da RTP, por Tiago Petinga, Lusa

Está a decorrer o Congresso dos Trabalhadores Portugueses, isto porque considero que a CGTP é a única organização que realmente representa quem trabalha!

Com uma cobertura mediática nunca antes vista, milhares de sindicalistas estão reunidos em Lisboa para, entre outras coisas, assistirem à passagem de testemunho entre Carvalho da Silva e Arménio Carlos, sendo que, como todos têm afirmado, a CGTP é muito mais do que uma só pessoa. Mas, ao contrário sou dos que pensa que o Carvalho da Silva dos últimos anos, valeu sempre mais que a Central.

Já escrevi sobre esta questão antes, mas há ainda algo mais por dizer. [Read more…]

Preços de bens e serviços vão aumentar após privatizações

Durante anos, a ofensiva ideológica neo-liberal foi passando a sua cartilha baseada em algumas “verdades” salvadoras. Repetiu-se até à exaustão que o estado era o papão e os privados, coitados, as vítimas. Entre os argumentos mais usados, havia dois que fluíam sempre na boca  dos novos evangelizadores:

– O estado faz mal, os privados fazem melhor.

– A presença do estado no mercado impede a concorrência e a livre concorrência faz baixar os preços.

Apesar dos factos desmentirem estas “verdades”, apesar de nunca termos visto uma descida sustentada dos preços após uma privatização, estes argumentos, de tão repetidos, passaram para o senso comum. O Provedor de Justiça vem agora dizer que teme uma subida de custos para o consumidor nos serviços públicos que vão ser privatizados e frisou que

a privatização de serviços como os CTT, EDP, Águas de Portugal e empresas de transporte vai reflectir-se num aumento dos preços

Da próxima vez que falar num estado-papão e em privados-santinhos, pense duas vezes antes de dizer asneiras e ampliar uma mentira que não passa a verdade só porque é dita por gente aparentemente séria. Como o meu avô me ensinou, o estado somos nós. Quando algo que é nosso passa para a posse de outrém, quem perde somos nós.

Um Comunista Seguidista e Ortodoxo à Frente da CGTP

CARVALHO DA SILVA VAI DEIXAR SAUDADES
CGTP PERDE AUTONOMIA FACE AO PCP
Vai ser desta que a CGTP se reforma e reformula. 69 membros dos seus conselho nacional, comissão executiva e secretariado, saem por força do novo regulamento, prevendo-se que sejam substituidos por membros mais afectos à linha comunista seguidista e ortodoxa do PCP, a começar pelo novo líder, Arménio Carlos.
Ao longo dos últimos quatro anos, a autonomia face ao partido comunista conseguida durante mais de vinte anos por Carvalho da Silva, tem vindo a esmorecer, por via do aumento de protagonismo do novo líder a eleger entre hoje e amanhã no XII congresso da CGTP, conhecido por ser obstinado, rigoroso, competente e exigente e pelas suas fortes ligações à linha ortodoxa do PCP.
A julgar pelas últimas declarações ouvidas, a CGTP prepara-se para endurecer a luta dos trabalhadores, de uma forma que se traduzirá num enorme erro que a médio prazo dará os seus frutos.
Os trabalhadores Portugueses não embarcam facilmente em lutas obstinadas que, em defesa de certos princípios, lhes faça perder os poucos empregos que ainda há.
Os trabalhadores Portugueses procuram estabilidade, coisa que a CGTP nunca conseguiu ver muito bem, e se prepara para ver ainda pior.

Antropologia da criança. Losotros haulamos doh’s idiomas

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Para Ana Paula Vieira a Silva, no dia do seu aniversário, Antropóloga que me acompanhara a escrever em português, antiga discente dos cursos noturnos que ela e eu apoiávamos, hoje amiga íntima. Como este texto, o primeiro escrito para a Página, no primeiro numero, no dia 28 de Setembro de 1998 comigo em trabalho de campo entre os Picunche, na Cordilheira dos Andes, altura Chile [Read more…]