Sempre a “sacar”

Há cento e poucos anos, berrava-se até mais não com a questão dos Tabacos, com o “caso Hinton” ou com os negócios do Crédito Predial. Há bem menos tempo tivemos 1000 casos do “tipo crédito predial”, condensados apenas no BPN e no BPP. Os Tabacos foram mais de dez mil vezes ultrapassados por auto-estradas, sucatas quase novas, projectos para aeroportos, Expos, gabinetes de estudos de e para amigos, fundações, comissões instaladoras, contentores à beira rio, sacaria azul para os sátrapas, Euros da bola, PPP’s, etc, etc. Como estocada final, um regime caiu devido a “Adiantamentos” decorrentes de uma lista civil que não era actualizada há… oitenta anos! Imaginam Belém sobreviver com a dotação dos tempos do início dos mandato do Marechal Carmona?

Pelos vistos, o país não tuge nem muge e nem perante evidências como esta que o Correio da Manhã explicita, há qualquer remédio recomendável. O saque é mesmo à descarada, mas o Sr. Dr. Mário Soares “acha” que …“é preciso preciso ter uma coragem muito grande para aguentar o que ele aguentou” . Claro que não estava a referir-se ao povo português.

Comments


  1. Interessante este ‘post’, porque em vez de focar a sua atenção em todos os governos que beneficiaram e beneficiam de cartões de crédito e outro tipo de despesas bem menos evidentes, o articulista pretenda apenas a fixação habitual, é pena, para não lhe chamarmos outra coisa…

  2. Nuno Castelo-Branco says:

    Não, não é a fixação habitual. Sócrates foi populista e pior ainda, sabia que estava a sê-lo da forma mais descarada possível. Se a tal se atreveu, tal se deveu ao apertado controlo que hoje tolhe a imprensa “livre” e sustentada pelos grupos empresariais. Claro que estes cartões de crédito são inacreditáveis vergonhas julgadas naturais pelos donos do poder. Eles sentem-se – e são! – impunes, para não dizer irresponsáveis. Se a tudo isto somarmos os autênticos esbulhos que representam as fundações privadas-com-dinheiros-públicos, os gabinetes de “estudos” que se sobrepõem aos que existem nos departamentos do Estado, as comissões, as obras desnecessárias e perdulárias como um CCB que custou não sei quantas vezes mais que o orçamento original, então, estamos falados. É um problema do regime inteiro e não valerá a pena tentarmos encontrar paliativos sob a forma de palavras. Portugal está a saque. Se alguns sempre esgrimem com a “Estória de Portugal” eu prefiro utilizar factos da História. Acredite que é bem diferente.
    Este debate, onde o meu irmão falou por uns breves momentos, diz algo que talvez lhe interesse:


    • Já melhorou um pouco, mas mais interessante é saber quem afinal andou a gastar acima das suas possibilidades, e aí estranho que as inquiroções abranjam na generalidade períodos onde subjazem interesses político-partidários.
      Se queremos er honestos, queiramos saber das utilizações todas, sem exceção, desde as antes do 25 até às que se seguiram.
      Direita, esquerda, centro, meninos-bem ou arrivistas, monáqrquicos, republicanos ou apenas ditadores, todos por lá passaram, comeram e gastaram. Será bom que a história se debruce sobre todos e não só sobre alguns, e aí sim, estaremos a virar uma página e não apenas a fazer politiquice ou a brincar às ideologias.

  3. Nuno Castelo-Branco says:

    Tem razão, é tudo uma questão que se prende talvez, com aquele buraco negro que desde o fim do século XIX liquidou o espírito cívico do sistema Liberal (não estou a falar de economia). Se a isto juntarmos o ruir do parlamentarismo que para o bem e para o mal existiu durante setenta anos, então compreendemos. É que entre 1910 e 1976, não tivemos Parlamento consistente e isso fez toda a diferença.


  4. Bom o senhor soares é um mitómano
    agora os tabacos foram o 1ºlobby e já desde o tempo de Saldanha …200 anos de lobby’s é preciso ter respeito pelo pai de todos os lobby’s
    Soares e filhos & netos é um lobby muito posterior


  5. agora os tabacos até ao tempo de João Franco (e em menor escala depois)
    pesaram profundamente num portugal deprimido e dependente

    é só ler a MFilóMónica ou o Manel Esteves


  6. ao tempo do miguelismo Pinto Basto y el conde de Farrobo, depois tabacos foram a gleba de
    José Isidoro Guedes (que foi pra conde de Valmor),
    Ferreira dos Santos ( condadu de Ferreira)
    e José Maria Eugénio de Almeida….que curiosamente deixou descendentes para o lobby do regime seguinte
    os lobbys são hereditários nisso são monarquicos de raiz

  7. Nuno Castelo-Branco says:

    Ora, essa da hereditariedade dos interesses, é independente dos regimes. Resta é saber se os interesses económicos devem também controlar o árbitro do Estado. parece-me que não. Afinal de contas e talvez sem o querer, dá-me razão, apontando precisamente o nome de empresários nobilitados. Se um deles foi visconde e outro conde, no que é que isso os diferencia dos comendadores de Sampaio, Soares ou Cavaco? Mais ainda, decerto conhece o factor do “encarte do título”, uma fonte de proventos para o tesouro. A República tem Cavaleiros e Comendadores e na Monarquia isso corresponde aos tais Viscondes, Condes e Marqueses, por exemplo. Como vê, não se trata de hereditariedade e o nome convenientemente actual é “emprendedorismo” ou recompensa por mérito.
    Quanto à questão dos tabacos, a Monarquia-instituição nada teve a ver com o caso, como muito bem sabe. Na verdade, a oposição (violenta e anticonstitucional) ao regime, procurou sempre apontar as culpas ao facto do país liberal se revestir sob a fórmula de representação monárquica do Estado. Ora no caso desta República, o caso é bem diferente, pois como está provado até à saciedade, o Chefe do Estado está mesmo envolvido em casos bastante obscuros, para não dizer mais. Se ele pessoalmente é (ainda) pouco passível de ataque directo, os seus amigos políticos não o são. Veremos se a Censura inexistente em termos teóricos, deixará ou não passar as notícias que poderão chegar.
    A verdade é que quando tratamos dos casos que derrubaram a Monarquia, estamos a falar de ninharias se os compararmos com aquilo com que hoje o país do contribuinte depara. Atrevo-me mesmo a dizer que casos como o BPN ameaçam a própria existência do Estado. Um escândalo habilmente mitigado pela imprensa pseudo-livre e a soldo dos interesses financeiros, mas nem por isso menos verdadeiro. A verdade é esta: o regime está a tornar-se intolerável e é uma ameaça à segurança nacional. Segurança, sob o ponto de vista daquilo que respeita ao actual conceito de independência. O povo está a desesperar. O povo? Sim, eu, você e os demais.

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