O buraco

Como sair do ciclo recessivo? Tivémos o engenheiro a despejar dinheiro na Parque Escolar,  nas estradas, nos moinhos eléctricos,  nas barragens, nas… A lista é considerável. Se o tivessem deixado ainda faria o mesmo num aeroporto e no TGV. Ficámos melhor? Obviamente que não, basta ver que perdemos a independência legislativa! Nem a porcaria de um orçamento de estado agora podemos aprovar sem a bênção de um trio não eleito.

Fala-se muito que se estão a fazer políticas recessivas mas eu gostava é que me dissessem que alternativa há e com que dinheiro se implementaria. Está última parte é particularmente importante.

A partir do momento em que a Europa acabou com as barreiras alfandegárias face às “chinas”, nomeadamente pela possibilidade de se importarem produtos feitos sem as condicionantes salariais, ecológicas e de segurança que os europeus exigem – e bem – às suas empresas, a Europa assinou o seu declínio. Este, associado à negação da sua existência e ainda com uma enorme dose de irresponsabilidade, levou empresas, pessoas, bancos, Estado a gastarem muito para além do que tinham. Mas a factura era real. É real.

Estamos no buraco e dele não sairemos sem uma radical alteração da ordem mundial. E político que prometa algo diferente não passa de vendedor de banha da cobra.

os senhores vieram nesta época por alguma razão…

Um manifesto simples

 

 

(óleo sobre tela de Fernando Ikoma)

 

Queremos a normalidade e a simplicidade no nosso quotidiano, sem sobressaltos

Queremos o pão de cada dia

Queremos a manutenção dos nossos postos de trabalho

Não queremos ser ricos – basta-nos o suficiente para viver com dignidade

Não queremos precisar de ganhar a lotaria – antes desejamos a felicidade de ter trabalho e uns trocos ao fim do mês para o mealheiro dos nossos filhos e para oferecer um jantar aos amigos lá em casa

Não quis, não pedi o Euro 2004

Não quero o TGV nem o aeroporto da OTA nem autoestradas que não me levam a lado nenhum

Não quero mais decisões erradas dos nossos Governos – Basta!

Perguntem-nos primeiro o queremos, o que precisamos! Afinal não vivemos em Democracia?

PSA Mangualde: mais 450 para o olho da rua!

penia e porosPenia, Poros e Eros

Na mitologia grega, Penia é a personificação da pobreza. Uniu-se a Poros, a esperteza, no Banquete platónico, tendo, dessa união, nascido Eros, deus do amor. Esta é uma das versões da origem de Eros. Existem outras.

A trilogia da penúria, da esperteza e da felicidade simbolizam a preceito o actual momento político do País. A penúria do empobrecimento como objectivo apologético governamental, a esperteza, reles e grosseira, usada a eito pelo governo de Coelho e Portas; e finalmente, o paraíso como capciosa visão do PM e Vítor Gaspar, entoada em baladas e balelas do ‘ponto de viragem’.

Em relação à concepção da política da pobreza e a sua inevitabilidade, já há muito que a contestação transbordou para o interior de círculos próximos dos partidos do governo.  Bagão Félix, de resto na continuidade de críticas anteriores, discorda da ideia fatalista de que o País tem de empobrecer. Concordo. Rogo-lhe que, entretanto, o transmita ao seu amigo Paulo Portas. Sempre seria um serviço aos portugueses, embora desconfie do sucesso da iniciativa.

As multinacionais servem as crueldades à 6.ª feira

Na senda da liberalização das leis laborais, e conquanto o governo ainda não tenha finalizado o processo de agravamento decorrente do famigerado ‘acordo de concertação social’, a PSA Mangualde anuncia o despedimento 450 trabalhadores.

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Orquídeas IX: Portuguesas

O Aventar fica por cá!

Orquídeas Silvestres Portuguesas

Orquídeas Silvestres Portuguesas (Manuel Lourenço, V. N. Gaia, Portugal)

Onde ardem as “ajudas” à Grécia?

Diz o ministro holandês das finanças:

temos de certificar-nos que o dinheiro que emprestamos não é consumido pelas chamas.

Por cada euro que entra apenas 19 cêntimos se destinam a gastos do estado, 40% vão direitinhos para a banca internacional. Ou seja, a Holanda empresta à Grécia para pagar à finança.

É percebendo isto que se entende o sentido do “não pagamos”. Diga um outro governo grego que acabou a zorba para os especuladores (incluindo por exemplo o “nosso” BCP) e a música será outra, obviamente com efeito dominó. Faça um governo português o mesmo e cai a Espanha, e a Espanha deve sobretudo a banqueiros franceses e alemães. Entendidos quanto aos interesses em jogo, e percebido quem está a ajudar quem?

fonte do gráfico

Não me dês um título

Dorindo Carvalho

Não me dês um título entre este rígido corpo e o cosmos.

Deixa-me o traço fino deste constrangedor aperto entre o que
sou e o que não sou.

Se fores capaz de me abrir estes braços cruzados entre o ser
e não ser  não me importa que me vejam
o rosto. [Read more…]

A familiaridade do insulto em Portugal

Apercebo-me por uma crónica do Ricardo Araújo Pereira (a que cheguei via Joana Lopes) ter Sócrates chamado mansa à mãe de Vítor Gaspar (numa altura em que provavelmente nem sonhava com a sua existência) e agora Santana ter tido o flope de chamar Salazar à senhora de um ministro das finanças do Esteves*, partindo do princípio que o tio de Fernando Rosas era casado.

O problema de Portugal é ser Lisboa, e Lisboa ser muito pequenina. O resto é paisagem.


* Esteves, alcunha de Salazar; por razões de segurança nunca se noticiava onde o homem ia meter as botas, mas apenas “o sr. presidente do conselho esteve ontem em“… sem ofensa, falta pouco para Cavaco Silva recuperar este hábito lusitano.

Presidente Acagaçado

O Presidente Piegas

É verdadeiramente vergonhosa a atitude do senhor Presidente da República ao fingir que um impedimento de Estado, de última hora, o tenha impedido de cumprir a visita que estava programada.

Todos sabemos que as criancinhas metem medo ao mais avisado, e que o senhor Presidente, homem avisado e já por diversas vezes protagonista de “não atitudes”, tem medo delas, talvez, digo eu, por não saber lidar com jovens. No fundo, o homem é um piegas.
Ora, se não sabe lidar com jovens, por favor senhor Presidente, não queira ser Presidente deles, e se não sabe ser Presidente deles, não nos serve para nada, ainda para mais sendo piegas, que é coisas que nós não gostamos mesmo nada.
Com a suas idade, aproveite as reformas de dez mil euros, calce os chinelinhos, ligue a lareira e escreva memórias. Pode ser que assim o dinheirito lhe chegue até ao fim do mês.
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Contra o Acordo Ortográfico: mais homografias

O AO90 contribui para o aumento das homografias, ou seja, com a sua aplicação o número de palavras que se escrevem da mesma maneira e se pronunciam de maneira diferente. Tal facto poderá dar origem, como vimos anteriormente, à alteração da pronúncia, para além de poder dificultar o entendimento de enunciados.

Na Nota Explicativa dedica-se o ponto 5.4 a esta questão, o que, de certo modo, corresponde ao reconhecimento da existência de um problema.

Um dos primeiros argumentos é o da preexistência de outras homografias na ortografia portuguesa. Ora, se é reconhecido que a homografia pode trazer problemas, qualquer acordo deve, na medida do possível, evitar a sua multiplicação. Relembre-se uma das contradições apontadas ao AO90, quando defende a manutenção do acento em “pôr” para evitar a homografia e a supressão do acento em “pára”, apesar da homografia. [Read more…]