Educação, a árvore e o beija-flor

O Ministério da Educação e Ciência pela mão do Ministro Nuno Crato tem estado a colocar no terreno um conjunto bem significativo de mudanças (está aí a segunda versão do documento da gestão), umas troikistas, outras nem por isso.

A legislação sobre a avaliação de desempenho está aí, mas basicamente atira tudo para amanhã: diz que este ano é só produzir papeladas, não há aulas assistidas e uma amostra de relatório serve.

Mas tenho uma dúvida existencial: não há progressão nas carreiras por força do congelamento na administração pública. Logo, fazer coincidir a avaliação com os escalões torna o processo uma coisa sem sentido – quando é que terminam os escalões de um tempo que não está a ser contado?

As alterações do MEC são inúmeras e começa a ficar claro o caminho que está a ser traçado. [Read more…]

Acordo Ortográfico: a gaguez de Francisco José Viegas

Esta entrevista a Francisco José Viegas (FJV) sobre o Acordo Ortográfico (AO) é um amontoado de gaguez, de indefinições e de disparates. Depois de ter ouvido atentamente, limito-me a aglomerar, também eu, alguns comentários, tentando gaguejar menos, definir melhor e evitar o disparate.

Francisco José Viegas começa por confessar que há coisas no AO de que gosta e outras de que não gosta, o que é irrelevante, porque a discussão sobre este assunto só faz sentido a partir do momento em que não se fale de gosto.

Depois, e após relembrar que o AO está a ser discutido há vinte anos, afirma que foi discutido à última da hora, o que é muito semelhante a um paradoxo. Sobre este arremesso alegadamente tardio, aproveita para ironizar acerca de uma tendência lusa para esperar até ao último momento e contestar uma medida há muito anunciada. FJV revela, assim, um profundo esquecimento acerca dos vários pareceres dados por especialistas.

Aproveitando a deixa de FJV, e analisando um outro tique português, a verdade é que, nas questões ligadas às Ciências Humanas e Sociais, há uma tendência do poder e da opinião pública para desprezar repetidamente os contributos dos especialistas nas matérias. Assim tem sido com a Educação, com o desprezo a que são votados avisos e contributos dos professores, e assim tem sido com a questão do Acordo Ortográfico, em que os muitos pareceres emitidos por linguistas foram ignorados e  considerados manifestações de mera caturrice. [Read more…]

Existe algo de muito especial…

… que une uma Nação, que nos faz grandes e, sobretudo, que nos faz diferentes. Não representa apenas uma Região, vai mais além. É uma forma de ser, de estar e de viver. Muitos estranham, boa parte não compreende. Competência. Rigor. Ambição. Paixão.

 

Nós somos ASSIM!

Orquestra CajaBucalho

Aviso prévio: sou amigo do João Carlos Rodrigues, por quem também tenho enquanto músico e professor uma admiração suspeita, é claro, mas que nem por isso deixa de ser merecida.

É natural que deixe aqui um apelo a que colaborem com os CajaBucalho no lançamento do seu disco. Além de achar que enquanto músico o João é do melhor que temos (quem tem a minha idade e é de Coimbra ou arredores lembrar-se-á da Banda do Arco da Velha, que teve o azar de terminar pouco antes de sair o primeiro álbum do Rui Veloso), sempre vos conto esta: perdi o João de vista quando ele foi para a Trafaria leccionar. Um belo dia encontro-o numa reportagem televisiva onde aparecia como professor modelo que num meio complicado ainda trabalhava com os miúdos depois de cumprido o seu horário (e os CajaBucalho também são um resultado disso). Passado algum tempo apareceu outra vez na comunicação social: pela primeira vez uma escola fazia greve em solidariedade com um professor agredido por familiares de alunos, era o João.

Na última dúzia de anos temo-nos cruzado  em coisas das recriação histórica, deu-lhe para inventar instrumentos e refazer sons, muito no que hoje chamamos música de fusão, com base na portuguesa. Agora lança-se na aventura de meter cá fora um disco, já gravado, sem editora a intermediar. Todos temos orgulho nos nossos amigos mas às vezes uns merecem mais orgulho do que outros. É o caso. Por 10 euros podem pré-comprar o álbum ou um bilhete para o espectáculo de apresentação. Deixo-vos o texto que podem ler no local apropriado para contribuírem[Read more…]

Souto Moura é a vergonha da Arquitectura portuguesa


Ao fazer um novo projecto para a Barragem do Tua, que em quase nada altera o projecto original, Souto Moura passa à História como um dos agentes da destruição do Vale do Tua e do Douro Património Mundial.
«De enorme qualidade», proclama, fremente de excitação, o presidente da EDP António Mexia. De «qualidade superior», carcareja o edil Artur Cascarejo de Alijó.
Afinal, onde está a pretensa genialidade de Moura? O enorme e disforme paredão continua por lá. A linha de alta tensão Tua – Armamar vai atravessar, com postes de mais de 60 metros de altura, dezenas de quilómetros do Douro Património Mundial. A linha férrea vai desaparecer. A paisagem única do Tua vai desaparecer. Genialidade aonde? Só se for na ponta do paredão.
O Regulamento de Deontologia da Ordem dos Arquitectos refere logo no Preâmbulo que o Arquitecto é «intérprete e servidor da cultura e da sociedade de que faz parte, devendo ter sempre presente que a arquitectura é uma profissão de interesse público.» Ora, Moura será intérprete e servidor, sim, mas da Cultura do dinheiro – aquele que a EDP lhe paga.
Passando ao lado da dignidade que todos os Arquitectos devem demonstrar na sua profissão, dignidade essa de que Souto faz tábua rasa, o artigo 3.º deste Regulamento é bem claro: «Orientar o exercício da sua profissão pelo respeito pela natureza, bem como pela atenção pelo edificado pré-existente, de modo a contribuir para melhorar ta qualidade do ambiente e do património edificado».
Parece-me que está tudo dito. Não é por ter ganho o Prémio Pritzer, por ter feito um estádio de futebol e por ter projectado apartamentos para ricos que Souto Moura vai ficar na história. Depois de deixar o seu nome indelevelmente ligado à destruição do Tua e do Douro Património Mundial, ficará na história, sim, como a vergonha da arquitectura portuguesa.

Ministério da Saúde: guerra aos bombeiros!

Guerra contra bombeiros e taxistas, em favor de transportadores anónimos

O Ministério de Saúde (MS), dirigido pelo bancário Macedo e pejado de protegidos ‘laranjas’ que há anos têm a garantia do “tacho” pelo “tacho”, está a comprar uma guerra contra os bombeiros, metendo-os, inclusivamente, no mesmo saco dos taxistas; e juntando à festa uns outros, cujo perfil não é nítido, mas que, diz o governo, estarão habilitados a transportar doentes não urgentes.

O MS está, pois, a criar mais um imbróglio na saúde em nome do economicismo. Mas, ponderadas as contas, poderá causar graves prejuízos – até o mais grave de todos, a morte – a gente idosa e sujeita a elevadas prevalências de doenças crónicas no interior do país. Que é o caso da maioria da população do interior.

Um pergunta óbvia urge ser formulada:

Como é que os tais outros, alternativos aos bombeiros, estão em condições de se garantirem que os doentes que transportam não têm carácter de urgência?

Um esclarecimento simples: até bombeiros socorristas, por vezes, enfrentam dificuldades em súbitos agravamentos do estado do doente tido por não urgente à partida. Não devendo esquecer-se de muitas situações de sucesso  – atente-se ao número de partos que realizam em plena estrada.

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Leituras de moralidade duvidosa

O Luís M. Jorge desembrulha um feitor em cada Camilo pregando a nossa salvação no teclado.

O Ricardo oferece memória a Cavaco, o privatizador das rádios livres (tordesilhasmente divididas entre o bloco central e pouco mais).

Passos em falso

Santana Castilho *

1. Pareceria elementar que alunos, famílias e professores pudessem confiar no Estado quanto às regras por que se pautam. Parece de senso mínimo que elas não mudem a meio do ano. Mas mudam. E não é de agora. O que é de agora é a incoerência de Nuno Crato, que faz hoje o que, ontem, impiedosamente criticava. Poderemos teorizar sobre as vantagens e as desvantagens de permitir aos alunos que escolham entre apresentar-se ou não à primeira fase dos exames nacionais. Podemos admitir que apenas os casos excepcionais recorram à segunda. Mas o que não podemos aceitar é que se decida sobre isto a meio do ano e, sobretudo, não se preveja alternativa para um impedimento forte, que escape à vontade do aluno e tenha por consequência a perda de um ano. Tal aberração está contida no despacho nº 1942, de 10 de Fevereiro, da secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário. Para que fique mais fácil de entender: um cidadão português, aluno de 18, que não entrou em medicina no ano passado, por insuficiência de média, num país que contrata médicos de 10, estrangeiros, e que tenha passado este ano a estudar para fazer melhoria de nota, se tiver o azar de ser atropelado a caminho do exame da primeira fase, ao qual tem obrigatoriamente que se apresentar, esse cidadão, caros leitores, dizia eu, perde outro ano e volta no próximo. Se não for piegas, ou não emigrar.
2. Na proposta de novas regras para a contratação de docentes, o Governo invoca o “princípio da igualdade” para permitir [Read more…]

A catequese e a sexualidade infantil. Um manifesto

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Hoje em dia sabemos a verdade. Sacerdotes célibes abusam às crianças. Antes, sem saber deste latrocínio, deste abuso ou crime de pedofilia, escrevi isto.

No seu texto inédito Pragtamisme et Sociologie, (manuscrito na minha posse) proferido na Universidade da Sorbonne de Paris, durante o ano de 1913-1914, o velho socialista e materialista histórico, Émile Durkheim, comentava que os velhos deuses estavam mortos e que a religião estava em vias de mudança.

Mas, acrescentava, nem tanto assim, porque todo o ser humano precisa de ritos, ideias, ética, interação moral, orientação na criação dos seus descendentes. Donde, a Religião, seja ela qual for, pelo menos define as relações emotivas e pedófilas (o meu acréscimo) entre pais e filhos, voir mães, pais, filhos, filhas. A nossa língua não tem ainda um conceito para designar estas relações, apenas excepto ascendentes e descendentes, palavras sem música e indefinidas. Era o que eu pensava antes de saber da existência da pedofilia[1], incesto[2] e adultério[3], que não são definidas na catequese, por conveniência de sevicio. [Read more…]

Carta do Canadá: Ou vai ou racha

Fernnanda Leitão

Há dias podia ler-se num editorial do New York Times, todo ele dedicado à situação na União Europeia: ”Porque é que os líderes da Europa se empenham em negar a realidade? A chanceler Angela Merkel,da Alemanha, e o presidente Nicolas Sarcozy, da França, mostram-se incapazes de admitir que vão por caminho errado. Estão deslumbrados com a sedutora mas ilógica noção de que todos os países devem copiar o “modelo exportador” da Alemanha, sem décadas de investimento público e taxas artificialmente baixas, cruciais para o sucesso germânico?  A Sra Merkel também parece determinada a inclinar-se perante os preconceitos dos eleitores alemães, os quais acreditam que o sofrimento é a única maneira de a Grécia,e os outros países da Europa do Sul, entrarem no bom caminho”.

Que esses dois líderes pensem de forma tão redutora e pobre, não surpreende quem tem boa memória ou o salutar hábito de ler o que a História ensina. Há países onde as televisóes se preocupam em não deixar apagar-se a memória do sofrimento que a Alemanha, por má liderança, e a França, por cobardia das elites, inflingiram a milhões de pessoas. O Canadá é um desses países. Devo acrescentar que a cada passo oiço canadianos dizer a propósito da situação na UE: “A Alemanha, outra vez!”. E anglo-saxónicos puros e duros desabafando: “A França é  sempre a mesma doida”. Nestas expressões há receio, há desagrado, há um escondido grito de alarme. Dirão: é a mania da superioridade dos ingleses. Será, mas têm boas razões para isso: se não fossem eles, patriotas, a dar o primeiro grande passo da resistência, a Europa teria sido esmagada e abastardada por um punhado de facínoras. [Read more…]

Hoje dá na net: Ouro Azul

“Ouro Azul” / “Blue Gold – World Water Wars” é um documentário sobre a água e os negócios que se foram construindo à sua volta nomeadamente a privatização da sua exploração.
Baseado no livro “Blue Gold: The fight to Stop the Corporate Theft of the World’s Water” foca um tema absolutamente atual quando falamos na privatização das Águas de Portugal e que apresenta alguns casos práticos como o dos EUA e alguns países sul americanos.

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