Suas finas Excelências, os deputados da nação

São muito sensíveis, pobres coitados, não podem beber água da torneira. Felizmente, já que assim ao consumirem água engarrafada, poupam dinheiro aos contribuintes. Dizem que a água da torneira fica 30 vezes mais cara do que engarrafada porque foram incluídos os custos de pessoal “para o enchimento, limpeza, colocação e arrumo dos vasilhames”.

Vamos fazer de conta que levamos a sério a justificação apresentada. Acontece que na última vez que estive reunido com representantes dos grupos parlamentares serviram-me a tal garrafinha de água mas também tive direito a um copo. Lá se vai o argumento da “limpeza, colocação e arrumo dos vasilhames”. Sobra o trabalho de enchimento, mas aí este é bem menor do que o trabalho de encomendar, armazenar, distribuir e remover, depois de usadas, as garrafas de água (terá este trabalho também sido contabilizado?).

Mas já que andam com tantas preocupações de custos, façam como os restantes trabalhadores – sim, o deputados são trabalhadores – deste país: peguem no copinho e encham-no eles mesmos, ó finezas.

PS: ó deputados, lembram-se da lei que a AR aprovou, lá por 2000, a proibir a restauração de servir água em garrafa de plástico? Perguntem ao Guterres que ele esclarece-vos. Mas claro, o Parlamento não é uma casa de pasto, logo a lei não se lhe aplica…

Orquídeas XI: Catasetum

Brasil. Em dia de Carnaval, o destino não podia ser outro. Senhoras e senhores, a Catasetum:

catasetum

Catasetum (Manuel Lourenço, V.N. Gaia, Portugal)

 

Exemplar: Carnaval em Gaia

Pode ler-se hoje no Público: “O presidente da Câmara de Gaia, o social-democrata Luís Filipe Menezes, não vai estar hoje na autarquia, apesar de não ter dado tolerância de ponto aos funcionários, ao contrário do que fez Rui Rio no Porto. Menezes está a gozar umas curtas férias na neve.”

Salazar nunca morrerá

Acredito, intimamente, que isto de se ser democrata não está inscrito no ADN de nenhum animal e que, portanto, a solidariedade, o respeito pelo outro, a aceitação da opinião contrária faz parte do treino para que o homem seja diferente do resto dos animais. Dentro de cada um de nós, está o lobo do homem que pode chamar-se Salazar ou Hitler, mas que é sempre o mesmo animal.

Ser democrata é, portanto, uma aprendizagem e um homem será tanto mais humano quanto mais democrata conseguir ser. Julgo que não será muito arriscado dizer que foi a Europa que inventou a democracia e que a levou a patamares inimagináveis há menos de cem anos. É a mesma Europa que, comandada pelo instinto ditatorial, castiga jornalistas da TVI por divulgarem uma conversa sinistra entre um empregado português e o seu patrão, conversa essa que deveria ser do domínio público, porque diz respeito ao público.

Em Portugal, os homenzinhos que detêm poder não conseguem chegar a ser lobos, ficando-se pelo pior que há nas raposas, verdadeiros pilha-galinhas da liberdade de expressão, como se pode deduzir das decisões tomadas na RDP porque um cronista resolveu exprimir aquilo que pensa, atitude condenável pelos pequenos salazares que infestam administrações e chefias.

Professores: Avaliação de desempenho e ECD publicados

Estou de acordo com o Arlindo – o dia de Carnaval é perfeito para a publicação destes dois documentos. A ler com atenção.

Qual o momento da demissão?

O Chefe de Estado alemão C. Wulff demitiu-se na sequência de um escândalo de corrupção e tráfico de influências. Sentiu a pressão da opinião pública e não resistiu ao braço de ferro com os media. Finalmente, disse as palavras certas: “a confiança dos meus cidadãos foi abalada, pelo que não me é possível exercer as minhas funções”.

Faltando a confiança do povo que os elegem, o que estão lá a fazer? A cumprir o seu dever? Porque teimam em ser vaiados e criticados, fazendo ouvidos de mercador? A descida de popularidade é um sinal a que devem estar atentos. Refiro-me mais concretamente à polémica das despesas de Cavaco que atirou a sua popularidade para mínimos históricos. Não servirá este resultado para uma reflexão do nosso chefe de Estado?

Perdendo-se a confiança do eleitorado, o que os mantém no poder?

O próprio poder.

Vou expurgar o Centro de Saúde do Lumiar

msOs sábios quadros do Ministério da Saúde, a começar pelo titular da pasta e ex-bancário Macedo, têm uma imaginação prodigiosa e um apurado sentido de melhoria da produtividade na função pública. Segundo se depreende do divulgado na imprensa, em cada ‘centro de saúde’, diariamente, um funcionário passará a pente fino a lista informática dos doentes inscritos e quem não tenha recorrido ao centro há 3 anos será eliminado.

Os serviços contarão com a ajuda do sistema ‘SINUS’ que com o ‘SONHO’ são duas históricas obras de arte informática do Ministério da Saúde, pelo ex-IGIF e agora ACSS-Administração Central do Sistema de Saúde.

Se a finalidade principal da medida é “expurgar” das listas os falecidos, porque não criam um sistema integrado com as Conservatórios de Registo Civil relativamente a óbitos registados, procedendo, automaticamente, à eliminação, por telecomunicação entre sistemas? A interacção poderia ser feita até através do SINUS. Claro que também o ‘sistema de registo de doentes’ teria de ser implementado a nível nacional, com outras vantagens – processo clínico electrónico, por exemplo – de produtividade e economias na prestação de serviços do SNS e no atendimento de doentes.

[Read more…]

A crise vista da Alemanha

A Helena é uma portuguesa há muitos anos a viver na Alemanha, é dá-nos no 2 Dedos de Conversa a visão de quem lá está. A leitura deste artigo parece-me muito proveitosa para entendermos o assado onde estamos metidos.

Não concordo com ela, e muito menos com os portugueses que aqui também acreditam no discurso medinocarreirista, deixo de lado a questão das dívidas históricas da Alemanha, e retenho o que me parece fundamental: se em Portugal, ou na Grécia, muitos não percebem que por cada euro recebido apenas 19 cêntimos são utilizados pelo estado grego e que na prática as ditas ajudas vão direitinhas para os bancos, na Alemanha muito menos se entenderá o mecanismo da crise. Da crise dos banqueiros e da forma ardilosa como, eles sim, estão a ser ajudados, à custa da destruição da economia dos países que levaram com a especulação em cima, da crise que nenhuma austeridade pode resolver porque impede quem a aplica de pagar dívida alguma. [Read more…]

Problemas belenenses

Hoje dá na net: Especial Zeca Afonso na RTP Memória

Programa emitido a 23 de fevereiro de 1987, logo após a morte de José Afonso. Não sobrava muito no arquivo. A RTP nunca gostou do Zeca, que também não era muito de estúdios, e no pós-PREC houve uma limpeza de memória aos anos de 1974-75. Mas foi um bom esforço de Luís Andrade, Brito Macedo e Carlos Pinto Coelho,que coordenaram e de  António Faria e Luís Filipe Costa que realizaram.

O Luxo no Norte de Espanha. Sobre Carris.

Bilhetes a partir de 2.400 euros. É favor reservar com muita antecedência.