Loucura total

Quem é que contou esta piada? Está mesmo boa! Imaginem que ouvi dizer que o João Jardim é o mandatário do Passos Coelho nas eleições internas do PSD! Este pessoal tem uma imaginação.

Então não se lembram deste vídeo, ou deste, ou… ou…

O Álvaro diz que Portugal está melhor

Álvaro Santos Pereira, Álvaro para os inimigos, o inventor do pastel de nata franchisado e o criador do gestor de carreira para desempregados, o Álvaro-emigrante-com-orgulho, apareceu agora a dizer que Portugal está “em condições muito melhores” do que quando o Governo tomou posse.

Ciente da minha profunda ignorância sobre as cerimónias religiosas que o Álvaro praticará no altar dos mercados e ignorando que fumos inebriantes inalará durante os sacrifícios humanos em que participa, ficarei sempre espantado com esta ideia, decerto miraculosa, com certeza salvífica, evidentemente estúpida, de que é possível um país melhorar à medida que a vida dos cidadãos piora, porque, de acordo com alguma ciência oculta, parece não haver nenhuma relação entre um país e os seus habitantes. Deve ser possível, porque o Álvaro até é professor de Economia e, portanto, deve perceber imenso acerca de dinheiro e de pastéis de nata e era o que faltava que o Álvaro, coitado, se pusesse a falar de pessoas.

Antecipar o futuro: MEC e sindicatos não chegam a acordo sobre concursos

É só uma questão de tempo, mas algures ali para o meio do mês de Março vamos ter uma notícia deste tipo. E isto vai acontecer por duas razões:

– a proposta tem elementos que são inaceitáveis do ponto de vista dos professores;

– os sindicatos não podem assinar, nos dias que correm nada com o governo.

No que diz respeito a este último ponto, a  FENPROF com a GREVE GERAL marcada para 22 de Março tem que encontrar elementos que ajudem a levar os professores para a GREVE, logo qualquer que fosse a proposta, estaria sempre presente um não.

Do lado da FNE a situação é muito mais delicada – os seus dirigentes são, em boa medida, militantes do PSD e a proximidade com o Governo é por isso muito maior. Com o acordo infeliz entre a UGT, o Governo e os patrões, os dirigentes não podem dar outro passo em falso.

Agora, quanto à proposta em concreto, [Read more…]

Façam-me um desenho

 

(Figura do site Urbanidades)

Há dias li, de Paulo Trigo Pereira, uma bela sugestão: façamos perguntas incómodas aos nossos políticos. Exijamos esclarecimentos.
Exliquem-me que eu não percebo. É difícil aceitar e engolir «coisas» como: uma taxa de desemprego que deixaram chegar aos 14% , a maior percentagem de sempre de empresas falidas (uma subida de 60%),  a subida de impostos (não há margem para fazer subir mais), os cortes nos salários (se forem dar ouvidos ao Nobel da Economia, Krugman, eles vão cair na ordem dos 20 a 30%) e, sobretudo, que se despeçam trabalhadores “para assegurar a necessária diminuição de custos” quando, ao mesmo tempo, assistimos ao pagamento por parte da CGA de 31 escandalosas “pensões douradas” acima dos 4 000 euros.
Ainda podemos aceitar ou compreender que se possam providenciar pensões de

6 788,77 euros? [Read more…]

Paulo Rangel e o BPN

Não interessa apenas quem diz, mas o que diz

bpnNa edição do Público de hoje, Paulo Rangel levanta uma série de questões pertinentes a propósito do BPN; sobretudo da avaliação pública do que o actual governo está a promover no domínio da privatização do famigerado banco, a favor do BIC de Amorim e Isabel dos Santos, dirigido por Mira Amaral. Rangel questiona indirectamente a ética da forte injecção de dinheiros públicos, por aumento de capital (600 milhões de euros) e  através de um recente empréstimo da CGD (300 milhões), para transaccionar um banco por, apenas, 40 milhões.

Tudo isto sucede, diz ele, num momento em que o governo está a impor aos portugueses um programa de medidas de austeridade, cuja legitimidade tem de ser irrepreensível.

Discordante da nacionalização do BPN desde a primeira hora, devido à megalómana ideia de risco sistémico do sistema bancário, Rangel refere a opacidade da operação em curso, e respectivos custos, como, de resto, sublinhei há dias, neste texto.

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Uma pausa no Clube Literário do Porto

O Clube Literário do Porto vai suspender a sua atividade a partir de 31 de Março por motivos de reestruturação de todos os serviços da Fundação Dr. Luís Araújo a que pertence.

Desde que abriu em 2007/2008 (penso), o Clube Literário do Porto foi, na minha opinião, um dos locais mais relevantes para todos aqueles que gostam de partilhar ideias e conhecimento, basta olhar para o seu calendário de atividades para o perceber.

Para além disso era uma casa que estava sempre disponível a todos os pedidos de colaboração que recebia, pelo menos eu sempre tive resposta positiva a pedidos para utilizar as instalações do CLP, fosse através da Campo Aberto ou da Associação de Cidadãos do Porto e que me permitiram organizar bem mais para cima de uma dezena de debates.

Também assisti a algumas edições do Cooltiva-te e algumas exposições e o Aventar também andou por lá.

Claro que imagino que manter uma infraestrutura daquelas em funcionamento deva ser caro, mas espero que o consigam porque fazem falta ao Porto.

Porque deve a Alemanha aumentar os seus salários?

Porque os baixou. O que se segue, com uma ligeira adaptação, vem de um rascunho inspirado numa cimeira europeia, escrito se não erro em novembro. A visita de Paul Krugman e a sua afirmação de que devemos reduzir os salários comparativamente com os da Alemanha, embora  fosse “preferível subir os salários dos alemães – de modo a estimular o consumo no país e, consequentemente, as outras economias do euro“, fez-me ir ao baú.

Há duas crises na Europa, que se multiplicam: uma, desde 2008, foi provocada pelos mercados à solta com epicentro nos EUA, a outra chama-se Berlim. A Alemanha recuperou da reunificação moldando a Europa, particularmente os países do sul,  aos seus interesses, substituindo um marco que não lhe dava competitividade por um euro feito à sua medida.

A reunificação serviu em primeiro lugar como desculpa para retirar ao trabalhador alemão os seus direitos:

Quando vim viver para cá, há vinte anos, não era preciso trabalhar mais do que oito horas por dia para ter direito a ganhar muito bem. Na primeira empresa em que trabalhei, todos os minutos dados a mais eram somados e convertidos em dias de férias. Todos os minutos.
Agora, os contratos de trabalho são feitos com isenção de horário.  (Helena no 2 Dedos de Conversa)

O Euro “foi o dumping salarial na Alemanha que originou um grande superavite na balança comercial” e quem acusa Angela Merkel de ser a mulher mais perigosa da Europa não sou só eu, é um dirigente da esquerda alemã.
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Acordo Ortográfico: a opinião de António Guerreiro

António Guerreiro, crítico literário do Expresso, escreveu um texto lapidar no suplemento Atual: aí faz a História do AO e deixa algumas críticas. Entre muitas citações possíveis, escolho uma: “Em várias e competentes instâncias, o AO foi criticado, desautorizado enquanto documento técnico-científico, considerado inepto e nefasto. Em sua defesa, porém, o mais que pudemos ler foram artigos em jornais, refugiados nas questões genéricas das supostas vantagens de um acordo, sem responderem aos argumentos dos críticos. É fácil perceber que a impermeabilidade à crítica e a imunidade do AO estavam garantidas pelo facto de se tratar de um instrumento político para servir a estratégia ideológica da lusofonia.” Para ler o texto completo, basta entrar por aqui na biblioteca do João Roque Dias.

Momentos Jeep

Podem encontrar mais fotos destas AQUI ou então mergulhar no mundo Jeep por ESTAS bandas. A cada maluco a sua maluqueira 🙂

Já fui poeta da luz

adão cruz

(Poemas de mãos dadas)

 Já fui poeta da luz quando a palavra alumiava o infinito e o sol nascia dentro de mim.

Quando a vida alumiava o infinito eu nasci na erva e dormi no feno e acordei com melros e rouxinóis e saltitei com os pardais.

Quando me vesti de sol e me despi de luar e estreei o mundo no abraço das árvores e no beijo dos rios.

Quando meus olhos dormidos casavam a noite e o dia no mesmo silêncio de sonho-menino. [Read more…]

Piegas é a tua tia, pá…

Luís Manuel Cunha

Quando se fala de costumes em Portugal, convencionou-se acrescentar-lhe o adjectivo brandos. Portugal é um país de brandos costumes, diz-se. E, de facto, assim parece ser. Ainda hoje, sexta-feira, dia em que escrevo esta crónica, tive a prova mais que evidente disso mesmo. Uma vez mais. Cavaco Silva cancelou uma visita a uma escola secundária de Lisboa, dando como única explicação ter tido “um impedimento”. Ora, este auto-intitulado “provedor do povo” teve medo do que o esperava, uma manifestação de adolescentes. Foi esse o impedimento. Cagarola até ao inconcebível, Cavaco acobardou-se e deu ordem para o reconduzirem ao sossego e à segurança do palácio presidencial. O Presidente da República fugiu! Simplesmente, fugiu. Borrado de medo. Escusado seria tê-lo feito, facto bem evidente na afirmação de um jovem estudante que, entre gargalhadas, dizia: “Se fosse para lhe bater, chamávamos os gregos.” Ora, nas palavras escarninhas deste adolescente, está a demonstração cabal da brandura dos costumes lusíadas.

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E tudo começa no berço

O título deste texto é copiado descaradamente de outro de um livro lançado ontem. Já não é a primeira vez que trago ao universo do Aventar a magna questão do peso que os factores extra-escolares têm no rendimento dos alunos, questão essa recorrentemente ignorada pelos vários responsáveis políticos e teóricos da Educação.

Para não me estar a alongar, reitero alguns dos meus dogmas sobre o assunto: os problemas educativos têm, muitas vezes, causas exteriores à Escola; nada disso significa que a Escola deva desistir de contribuir para a resolução desses problemas, o que, de qualquer modo, só poderá ser alcançado através de uma cuidada conjugação de políticas sociais e educativas.

Assim, enquanto a Educação for uma área em constante revolução, com uma produção legislativa desordenada (com consequências, entre outros terrenos, no currículo e no estatuto do aluno), e em estado de permanente negação acerca da influência de vários agentes e circunstâncias variadas na vida escolar, os problemas continuarão por se resolver.

Hoje dá na net: O Mar é Nosso!

Realização: Tiago CravidãoSucessivas leis têm vindo a privatizar o espaço público. Tenta-se proibir a pesca nos parques naturais, depois nas zonas costeiras, agora também em rios.Prémio Melhor Grande Reportagem na primeira edição do Grande Angular – Festival de Jornalismo Televisivo.

Leviandade&unanimismo.

Raramente misturo religião com política. É perigosa mistura. Sou católico, mas dificilmente me verão a comentar questões como o aborto ou o casamento entre indivíduos do mesmo sexo. Primeiro, não considero que sejam assuntos pertinentes quando há fome, há descrença ou falta de esperança. Depois, constituem, em parte, assuntos do foro da medicina e da jurisprudência. Podem e devem ser discutidos por todos, mas  a leviandade com que algumas pessoas se coloca de um ou lado da barreira é que me assusta. “Sou a favor porque…” Ou fundamenta realmente muito bem a sua escolha (e quando digo fundamentar não é correr a alegar “direitos”), ou trata-se de mais um caso de um completo desconhecimento da realidade.
As coisas não são a preto e branco. O ser humano é complexo. [Read more…]

Ratificação das contradições de Krugman

A convite do primeiro comentador deste ‘post’, Krugman contra Krugman, assisti à homenagem a Paul Krugman, Nobel da Economia em 2008, na Aula Magna da Reitoria da Universidade Clássica de Lisboa. Ouvi-lhe alguns argumentos de estilo e conteúdos habituais, dos quais destaco:

  • A Alemanha está a comandar energicamente a ‘zona euro’, optando por uma política ortodoxa de controlo orçamental e anti-inflaccionista, em vez de seguir a via expansionista, acompanhada por medidas de acesso a dinheiro fácil junto do BCE.
  • O primeiro-ministro português está condicionado e tem pouca influência; do género das capacidades limitadas do governador de New Jersey nos EUA.
  • A Grécia está definitivamente perdida e vai sair do euro.
  • A Irlanda, ao invés do que se diz, não é um caso de sucesso.
  • Portugal tem 75% de probabilidades de permanecer no euro.
  • Cortes nas despesas acentuados causam perdas de receitas consideráveis dos impostos, a um ponto tal que o rácio défice/PIB piorará bastante.
  • Mais austeridade é uma medida destrutiva.

Em conferência de imprensa, noticiada aqui e aqui, Paul Krugman voltou a defender que os salários dos portugueses deveriam ser reduzidos de 20 a 30%, tomando por referência à Alemanha.

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