O Milagre da Música

Eduardo Lourenço, Tempo da Música Música do Tempo (2012)

Abro na página 50: “Bach, Paixão Segundo S. Mateus. Páscoa de… Sexta-feira Santa”.

O filósofo ouviu certa vez esta obra através de uma emissora americana com um dos seus irmãos, talvez António.

E. Lourenço escreve que “João Sebastião é a incarnação das harmonias esperadas pelo próprio Deus. Nenhuma expressão da humanidade tão próxima do país inominado da divindade (…) a magia humana de J.S.B. arranca-me por momentos da árida e solitária planície da Insignificação (…)”.

Mais à frente, numa homenagem ao compositor português Fernando Lopes-Graça repete a palavra «milagre» pelo menos três vezes: “ Falar da música e do seu milagre para quem nem é criador dela; navegando pelo milagre sensível da música no inavegável rio de nós mesmos; É um milagre tão grande como o da própria invenção destes lagos, rios, destes mares de transparências opacas e opacidades transparentes que nós chamamos Bach, Mozart (…)”. Sublinho as palavras magia humana, milagre, sermos «arrancados» pela música dessa árida e solitária planície da Insignificação, navegar nesse rio de nós mesmos…

Comments

  1. maria celeste ramos says:

    A música é de facto a mais sublime das artes – como compõe o homem esses sons ?
    onde os ouve sendo-se surdo como Bethoven ? são sons do céu que, afinal não tem silêncio ? uem inventou os “sons” para os traduzir em colcheias escritas numa pauta de 5 linhas e colcheias e porque são 7 as notas como os 7 mares e as 7 saias e 7ª onda e o que se deve a Newton para tudo se entender ?? E porque é o ouvido o sentido que mais perdemos com a idade ?’ porque o siom se torna ruído e poluição
    Bach ouviu os sons do céu e das estrelas, e como os homens que arrumam palavras para escreverem os mais sublimes poemas, Bach fez o mesmo com os sons, como vanGogh fez com as cores para desenhar o céu e a terra e a luz e o vento e a dignificou a figura dos homens mais desgraçados da terra – suicidou-se ?? Não porque amava a vida de todas as cores mas considerado louco porque via além do viível, um tiro perdido de um sniper brincalhão apanhou-o nas suas deambulações pelas paisagens do Mido
    Há homens que tocam os arquétipos da ORDEM e da beleza e das formas em que se desdobra – como Bach

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