Estas coisas são normais?

Alexandre Teles

Gostaria de chamar atenção para um excelente artigo (Em Portugal, a universidade do consenso), feito por um jornalista (Owen Jones), num excelente jornal (Le Monde Diplomatique, edição portuguesa) onde os docentes da Faculdade de Economia da Universidade Nova demonstram uma atitude que embora a eles pareça de orgulhosa, admitamos cai no ridículo, uma atitude presunçosa e de quem manda no país, passo a deixar alguns excertos, que me causaram indignação:

“Basta-me pegar no telefone para encontrar um membro do Governo, o Primeiro-Ministro ou até o Presidente da República.” (José António Ferreira Machado, Director da Faculdade de Economia).

O mesmo confirma que durante a negociação do acordo entre a Troika e o Governo Português foram consultados pela Troika  que “tinha muita vontade de ouvir o nosso ponto de vista“.

Professor na Instituição e antigo Ministro das Finanças, convencido de uma importância e influência, que na verdade não têm,  admite que não esteve na reunião entre a troika e docentes da faculdade mas “Não preciso de ir a um pequeno-almoço para fazer ouvir o meu ponto de vista…. No fim de contas, fui eu que que fiz pressão para que se reduzisse o número de dias de feriados e se prolongasse por meia hora a jornada de trabalho. Foi essa, exactamente, a solução adoptada pelo governo. Limitei-me a escrever artigos em diversos jornais e dei entrevistas.”
O mesmo Ferreira Machado orgulhosa da diversidade de pensamentos e escola coexistentes na Faculdade, afirma uma serie de matérias  das quais todos os docentes concordam desacordante apenas “na estrategia de a curto prazo” e ainda para reforçar este sentimento de orgulho pela multiplicidade de escolas pacificamente existentes, “Quando se lhe pergunta se na Nova há, por exemplo, Keynesianos, responde com uma gargalhada.

Os docentes orgulham-se da sua influência para o “pacote” de medidas que passou a a condicionar a recuperação do país”

E ainda o supra-sumo do artigo, e para deleite de Manuela Ferreira Leite, “Os ideólogos da Nova, longe de negarem o antagonismo entre democracia e austeridade, assumem-no, sem complexos: “Com certeza. Sem dúvida. É isso exactamente que nós dizemos” afirma o professor José Neves Adelino, que dirige  o MBA da Nova e tem assento nos conselhos de administração de várias empresas,” professor esse que ainda afirma que o SNS é inviável, é ainda elogiada a tão infortunada frase de Manuela Ferreira Leite “Se pudéssemos suspender a democracia durante seis meses!

É isto normal? é está gente que se orgulha de manipular o governo como marionetas, de decidir o futuro de Portugal de ter o monopólio de governantes aí formados, que diz que os seus jovens estudantes têm o emprego assegurado e em muitos casos no governo, numa escola que não promove a discussão, o pensamento, e que defende um e um só pensamento económico? Leiam o artigo, é surrealista o modo como funciona este país, e assusta o futuro, e assusta-me que governantes serão os do futuro, coisa aliás que um dos docentes não tem dúvida, que irá acontecer que aqueles alunos serão a próxima geração de governantes, eu ainda não tive a oportunidade de os eleger mas começo a ter a sensação de que aqueles serão os próximos decisores.

Comments

  1. Maria Fohoseg says:

    Nada normal e um pouco assustador

  2. maria celeste ramos says:

    Esqueceu-se de mandar trabalhar ao sábado como já me econteceu quando trabalhei no minitério do ultramar . parca memória ou então nasceu depois do 25 abril senão nem piava – ou estava emigado

  3. Tito Lívio Santos Mota says:

    quem criou a Fac de Economia da UNL?

    O Cavaco e amigos…

    A UNL é de facto a fábrica mor de J.

  4. nightwishpt says:

    Nada de anormal num mundo onde a CISPA é aprovada por larga maioria na maior “democracia” do mundo…

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