Cancioneiro Casa Nostra


A sempre irritada jornalista do ex-poder já ansioso por regrassar ao buffet, cita um fulanóide qualquer, não sabemos quem – o marido da Dª Rosete? -, talvez com intuitos condenatórios. Mas vamos então à trombeta da arauto:

1. “É altura de os Portugueses despertarem da letargia em que têm vivido e perceberem claramente que só uma grande mobilização da sociedade civil permitirá garantir um rumo de futuro.”

Qual é a dúvida? Acabaram-se os TGV’s, aeroportos à cata de terrenos “amigos”, centros comerciais à beira-Tejo, bunkers de contentores, BPN’s, pedincha atrás de pedincha no estrangeiro e ainda conseguimos fazer com que um certo caramelo fosse flanar à beira Sena. O 16ème é uma espécie de resort caro, mas num país tão desigual, ele e os seus estão do outro lado que pode, quer, manda e consome. O lado da casa nostra Câncio. Quanto a isso estamos descansados, não letárgicos.

2.“É oportuno tomar uma posição clara contra a iniquidade, o medo e o conformismo que se estão a instalar na nossa sociedade.”

Tem razão. Acabaram os telefonemas benditinos para as sedes dos jornais, as traficozinhos nas secretas que têm de ser mais discretas e o “tem de ser” que uma certa trupe impunha a seu bel-prazer, correndo a pontapé jornalistas, chantageando emissoras, etc.

3. “Precisamos de uma política humana, orientada para as pessoas concretas, para famílias inteiras que enfrentam privações absolutamente inadmissíveis num país europeu do século XXI.”

Estamos de acordo. É uma pena o regime não ter pensado nisso nos últimos, digamos, trinta e sete anos. Onde estava a casa nostra Câncio há seis, há cinco, quatro, três, dois anos? No Reino da Suécia? No Reino da Dinamarca? No Reino da Noruega? No Reino da Austrália? No Reino do Canadá? No Império do Japão? No Grão-Ducado do Luxemburgo? No Reino dos Países Baixos? No Principado do Liechtenstein? Se por infelicidade esteve a residir na República Portuguesa, deve ter andado muito distraída ou então, em rendosamente confortáveis companhias.

4.“Portugal é já o país da União Europeia com maiores desigualdades sociais.”

Tem toda a razão e muito têm os caviaristas camaradas da casa nostra Câncio contribuído para tal, desde a transumância de pastos ministeriais para pastagens betoneiras, banqueiras etc, até às mordomias “inerentes e adquiridas a 199Km à hora”, comissionismo militante à cata de obra pública e outros números de circo. Quantos polícias tem cada português para a sua protecção privada e à conta do Estado? 14?

Não se rale, vai tudo andando e talvez dentro de um ou dois anos a situação comece a melhorar. Mais crivados não podíamos estar e para esse recorde Guiness, devemos agradecer o colaboracionismo de Fernanda Câncio que ao longo de anos desvelada protectora de todo o tipo  “desígnios”, “paradigmas” e outras jarrinhas decorativas que envolvem desperdício, abuso de poder, ocultação da verdade e crendices messiânicas.

Vá lá, hoje é sábado e a casa nostra servir-lhe-á mais um carpaccio  bastante apetitoso. Para entrada, serve. Os pobres que se fiquem pelos rodízios ou pelo McDonalds, não é? Gente fina e nariguda é outra louça.

Comments

  1. Jorge Ferreira says:

    trata-se de citações, de Cavaco e da Associação 25 de Abril. Não reparou nas aspas? Não leu o post até ao fim? Convém….

  2. Nuno Castelo-Branco says:

    Caro Jorge, pela conversa moralizadora das citações, senti de imediato o cheiro de acções fora de Bolsa, daí a ironia ao mencionar o “marido da Dª Rosete”. Poderá até considerar-me parvo, mas não tanto.

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