Suicídios

Um farmacêutico grego de 77 anos deu um tiro na cabeça: preferiu morrer a ter de procurar comida no lixo.

No mês passado, um homem de 60 anos e a mãe atiraram-se da janela de um sexto andar em Atenas. Não conseguiam sobreviver com os 340 euros da reforma dela, única fonte de rendimento.

Estes são apenas dois casos…

O que estão os Governos a fazer na prevenção destas situações? Não se protegem os idosos. Não se pensa nas crianças. Eles não constam dos discursos políticos. Estes casos não os preocupam. Nunca ouvi nenhum político referir-se a este problema nem a lamentar-se, sequer («coisa pouca, irrelevante, não é motivo para alarme», pensam logo dizem). É preciso agir, urgentemente!!

Foi na Grécia, mas em Portugal a crise económica também já está a fazer das suas, pela calada, em silêncio. Nem imaginamos o que por aí anda e bem perto…

Há gente a sofrer porque não tem dinheiro nem emprego, ano após ano. Os problemas aumentam na casa dos gregos e dos portugueses. Há famílias ameaçadas. O divórcio também é uma consequência da crise, para além do suicídio.

Isto é que é importante resolver, assim como ajudar, educar, preparar as pessoas para enfrentar problemas desta natureza. Há tantos cursos e cursinhos e acções de formação que só servem para encher pneus. Ninguém está preparado para o pior. Ninguém nos ensinou e continuamos a não estar capazes nem a preparar para a vida, enquanto pais e professores.

Somos todos gregos

Comments

  1. maria celeste ramos says:

    E os que matam por desesoero, em Portugal
    E os que se suicidam e só o CM fala disso

    e tudo o que se fala à sucapa ?
    os jornalistas de hoje s~so de onde ?? de Lisboa ?? claro
    os srs intelectuais não tenham mêdo de ler o CM – não perderão estatuto intelectual
    e andem pelo país a ver as paisagens se é que sabem LER AS e nas paisagens, o que “duvido” – olhar sem saber “ver”
    A paisagem é um texto legível mas é preciso saber o vocabulário paisagistico

  2. MAGRIÇO says:

    A insensibilidade social destes governantes – não só por cá – roça o criminoso! Tomam-se medidas de austeridade que visam exclusivamente os mais necessitados, sem ponderar as consequências, e protege-se despudoradamente os poderosos e os amigos. A contestação da Covilhã pode bem ser o prelúdio de outras bem mais violentas. E não se admirem! A incompetência, a desonestidade e até o défice de patriotismo de que este governo dá provas todos os dias, podem ser o rastilho para a revolta generalizada. Por muito menos já rolaram cabeças noutras situações que a História documenta.

  3. Eu mesma says:

    No outro dia, uma pessoa num fórum de um jornal (DN, salvo erro) acusou este governo de genocídio. Achei exagero, na época. Agora nem por isso…


  4. Estas situações são extremamente chocantes. Tornam-se intoleráveis até para as pessoas que têm consciência da profundidade do problema e sobretudo das razões que levam a estes fins violentos. Não se podem aqui apontar culpados porque culpados somos todos nós. Tantos séculos de civilização e não conseguimos resolver, efectivamente, problemas básicos como o de providenciar a cada ser humano uma vida digna.

    Continuam a ser mais importantes as glórias ocas, as famas e os poderios, as posses e as ostentações, as posições sociais, o excessivo consumismo de “brinquedos” de luxo, a maior parte deles produzidos à custa da degradação e da vil exploração de outros seres humanos, crianças incluídas. E a minoria que assim faustosamente vive, impávida, ainda que sabendo bem que é ela que alimenta as atrocidades cometidas contra os seus semelhantes, continua a existir porque nós, as pessoas comuns, que felizmente temos o suficiente para viver com dignidade, temos permitido quer com a nossa passividade, quer com a nossa ignorância e indiferença em relação ao sofrimento dos nossos semelhantes, quer com a nossa silenciosa anuência através do voto e através até do desejo secreto de algum dia vir a ser como eles, que continuem a ser os carrascos do nosso próximo.

    Para cúmulo do cinismo e com requintada desumanidade, em vez de agirmos, elaborámos e deixámos escritos, como se de uma força viva e actuante se tratasse, os Direitos do Homem, os Direitos da Criança, os Direitos dos Animais, os Direitos da Terra! E orgulhosos da existência de tão importantes documentos, sentimo-nos de mãos lavadas, isentamo-nos de responsabilidades e vivemos no céu de cegueira voluntária que criamos para nós mesmos evitando dar conta dos diabos que livremente deixamos à solta.

    Ai, cara Céu, dói tanto pensar nestas coisas…

  5. maria celeste ramos says:

    Mas como se faz e o quê para que Artur Santos Silva não leve por ano 351 mil euros (CM 28 junho), que uma criança não tenha para filmar pedofilia na Igreja (CM 22 junho) e que as famílas não tenham 2,6 milhões de euros de dívidas (malparado), que o consumo de combustíveis baixe 6.5% – que a “crise” force a fuga de despósitos de bancos nacionais – que a construção civil deva 3486 milhões – que — mesmo que Joseph Stiglitz, Nobel da Economia, diga que não se sai da crise só com austeridade – que – que Durão afirme que haverá reforço de dez mil milhões de euros do Banco Europeu de Investimento que pode vir a gerar, diz ele, mais de 60 mil milhões de euros em 3 ou 4 anos, para enfreantar a “crise” ??’ que o Segredo de Justiça protege os Arguidos Dias Loureiro + Duarte Lima + Arlindo de Carvalho que até podem RECUSAR responder à comissão parlamentar de inquèrito ?? que o delírio do euro só favoreceu o deutsch mark, que que que o PS vai abdicar das audições a ex-dirigentes PSD – que que que Sousa Pinto PS Sergio Sousa Pinto esteja contra a abstenção da bancada PS à moção de censura apresentado pelo PCP ?? Como se limpa tanta sujidade para a qual nem ácido forte chega – quem faz o quê se quem deve não faz (não há crime em flagrante delito ??) que —— valha-nos Ronaldo mesmo quando falha penaltis porque ao menos tentou e nenhum destes decisores é “ronaldo” que não marca mas ao menos TRANSPIRA ??? – A Clara que diz que o futebol não pode ser o “esgoto” que nos resta (programa o que fica do que passa) – nem eu sabia que tinha este programa – nem a TV entendo – mas ao menos ainda me posso queixar e mesmo usar algum palavrão quando o meu fígado “chia” – Atalanta dá a quem vem de países pobres e da agricultura terra para cultivar as espécies dos seus países de origem – mas que programa é este de que nunca vi o logotipo ?? Pois ando mesmo distraída e desmemoriado

  6. Miguel says:

    Eu ainda sou novo. Mas se já tivesse idade e juízo via uma coisa: Se um país paga mais de juros do que aquilo que produz, então algo, um dia, vai correr muito mal. A Grécia está assim há anos, mas mesmo assim, as pessoas comuns metem-se em dívidas. Querem ter casas, carros, televisões e férias.

    Não vamos falar dos maus e corruptos, afinal evoluímos de animais. Vamos falar de nós, afinal temos de ser sobreviventes e pensar no nosso futuro. Se não vamos comer lixo, e depois matamos-nos, como se isso fizesse de nós heróis.

    Perdoem-me a frieza, mas não deveríamos todos estar cientes (há já muitos anos) que isto ia correr mal? Porque razão facilitamos e deixamos-nos depender tanto de políticos e banqueiros?

  7. Nelson says:

    Parte de um trabalho publicado no JN em Junho de 2011:

    SUICÍDIOS BATERAM RECORDE APÓS
    A VINDA DO FMI EM 1983. E AGORA?

    História confirma que há mais gente a matar-se durante as crises económicas. Psiquiatra Braz Saraiva receia o que aí vem

    Nelson Morais

    Os picos de suicídios do século XX coincidiram com duas crises. E o recorde foi batido na presença do FMI, nos anos 80. Mas o século XXI já registou novos máximos e, com o FMI de volta, os portugueses vão apertar ainda mais o cinto… Irão, também, matar-se mais?
    “São comentários perigosos. Mas, se existem mais factores socioeconómicos que podem conduzir a situações de desespero e ao suicídio, a resposta é sim”, assume o primeiro presidente da Sociedade Portuguesa de Suicidologia (2001-2005), Carlos Braz Saraiva.
    Este psiquiatra de Coimbra ressalva sempre que “o suicídio é um fenómeno multi-determinado”. A par do desemprego e da pobreza súbita, muitos outros factores podem propiciar o suicídio. A doença, a solidão, a velhice, o álcool, as drogas, as perturbações familiares, os conflitos interpessoais ou os genes são outras variáveis.
    Todavia, a análise dos arquivos do Instituto Nacional de Estatística (INE) não permite esconder que os períodos de crise coincidem com altas taxas de suicídio. “Isto não é do nosso país, é universal”, observa Braz Saraiva, exemplificando com o sucedido no Leste da Europa após a queda do Muro de Berlim e o desmembramento da União Soviética (ver ficha).

    O FMI e a guerra

    No estudo “O Suicídio em Portugal nos Anos 90”, o INE também retrospectiva todo o século XX e sublinha, justamente, que “os pontos máximos de suicídios verificaram-se nos anos 80, entre 1983 e 1985, atingindo o valor máximo em 1984 (1033 suicídios), e em 1939 (969 suicídios)”. “Estes valores estão associados à conjuntura de crise económica e social desses anos”, explicam as autoras do estudo, Sofia Leite e Maria dos Anjos Campos.
    Ao pico dos anos 83-35, correspondeu uma crise “fortemente marcada por elevadas taxas de desemprego e inflação”, que coincidiu com a chegada do Fundo Monetário Internacional (FMI) a Portugal, em 1983.
    Já o ano de 1939 “marca o início da Segunda Guerra Mundial”, recorda o INE, acrescentando que o período entre 1931 e 1941 teve, todo ele, “as taxas mais elevadas” de suicídios do século XX (entre 10,2 e 12,8 por 100 mil habitantes). Explicação: “Este aumento do suicídio reflecte a crise socioeconómica que se viveu nesses anos, a par com a ocorrência da Segunda Guerra Mundial”.
    Ao debruçarem-se já sobre anos 90, as técnicas de estatística do INE assinalam melhoras, mas mantêm a economia, pela negativa, na sua análise: “A maioria dos indivíduos que se suicidaram, na década de 90, não tinha actividade económica”.

    Caridade não chega

    O INE ainda não estudou a fundo a primeira década do século XXI, que superou o recorde de 1984 em três anos consecutivos (2002, 2003 e 2004) e teve uma média anual de 972 suicídios, 31% superior à média anual dos anos 90, de 741 suicídios.
    À falta de estudo que ajude a perceber aquele súbito aumento do número de portugueses que se mataram, recorra-se de novo a Carlos Braz Saraiva, em “Subsídios para um Plano de Prevenção do Suicídio em Portugal”. O trabalho disponibilizado no seu site (carlosbrazsaraiva.com) em Fevereiro deste ano, quando o país abria já o flanco a uma terceira investida do FMI, alerta para “o problema do homem adulto que permanece numa situação de desemprego, sem proventos para a subsistência, por vezes com família a seu cargo, eventualmente doente, com perda de estatuto social”.
    “O que importa reter”, remata o psiquiatra, “é que a solidariedade para com estas pessoas tem que estar muito para além da mera caridade e representar uma postura de amparo social de acordo com a dignidade que é devida a muitos concidadãos que durante dezenas de anos contribuíram para o desenvolvimento do seu país”.

    MAIS SUICÍDIOS DO QUE MORTES POR HIV

    A década de 1990 inverteu a tendência de aumento de suicídios nos anos 80, ao baixar a média anual de 880 para 741 óbitos, mas desiludir-se-ia quem viu ali o início de uma sociedade menos suicida. O arranque do século XXI bateu novos recordes e, em toda a década 2000-2009, o Instituto Nacional de Estatística (INE) registou uma média anual de 972 suicídios (total de 9721), num agravamento de 31% face aos anos 90.
    O ano 2000 até correu bem, só com 525 suicídios. Mas, logo em 2002, foi batido o recorde de 1984 (1033 suicídios), com 1212 casos. Em 2003 e 2004 houve, respectivamente, 1155 e 1205. Ao ligeiro abrandamento de 2005 e 2006, seguiram-se mais três anos com números superiores a um milhar. O século XX só tivera um ano (1984) com mais de mil suicídios, segundo o INE, que ainda não publicou a contagem de 2010.
    A título de comparação, note-se ainda que na primeira década deste século houve, em Portugal, mais mortes por suicídio do que atribuídas ao HIV (8610).

    PORTUGAL JÁ ESTÁ PIOR DO QUE OS VIZINHOS DO SUL

    Segundo dados do Eurostat dos anos 90, sobre o problema do suicídio nos países da União Europeia a 15, Portugal era um dos estados-membros em melhor situação, ao lado da Grécia e mais bem posicionado do que os outros países do Sul. Mas, um ranking mais recente do psiquiatra Francisco Alte da Veiga, que também engloba alguns países não europeus, atribui a Portugal uma taxa (9,8 suicídios por 100 mil habitantes) bastante mais alta do que as do século XX e que deixa o país pior do que a Espanha, Itália, Grécia e Reino Unido.

    QUEDA DO MURO CAUSOU MORTANDADE A LESTE

    A tese de que as crises sociais e económicas elevam as taxas de suicídios costuma ser sustentada no sucedido no Leste da Europa, após a queda do Muro de Berlim, em 1989, e a dissolução da União Soviética. As novas repúblicas da Lituânia, Rússia ou Bielorússia, por exemplo, apresentam taxas de suicídio entre os 42 e os 35 casos por 100 mil habitantes.

    PAÍSES RICOS TAMBÉM TÊM TAXAS MUITO ALTAS

    As dificuldades económicas podem explicar taxas elevadas de suicídio em muitos países, mas não em todos. Segundo os dados disponíveis no site da Sociedade Portuguesa de Suicidologia (SPS), logo a seguir aos oito países do Leste da Europa que ocupam as primeiras posições do ranking dos suicídios, surge uma série de países ricos: Japão, Bélgica, Finlândia, Suíça, Áustria e França.

    10 ALENTEJANOS, 1 MINHOTO

    Em trabalho que aborda os números do século XXI, o psiquiatra Carlos Braz Saraiva aponta 2002 como o ano da “viragem para os dois dígitos da taxa de suicídio”, donde destaca: “Pela primeira vez as mulheres ultrapassaram os 200 suicídios e também pela primeira vez se atingiu a cifra de 60 suicídios em jovens”.
    Neste quadro, frisa ainda a “marcada e persistente assimetria entre o Norte e o Sul”, com taxas reduzidas acima de Santarém e taxas elevadas abaixo. Uma “discrepância muito peculiar mesmo a nível internacional, para um país pequeno como Portugal”, observa. Aponta, para isso, causas como o isolamento (mais que a desertificação, que também ocorre nas Beiras e Trás-os-Montes), o envelhecimento populacional, baixos níveis de instrução, baixa nupcialidade e divórcios, desemprego, pobreza, baixa religiosidade, desesperança, alcoolismo, depressão, falta de apoios médico-sociais e personalidade melancólica.

    IDOSOS MATAM-SE TRÊS VEZES MAIS
    Os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que a taxa de suicídio entre os idosos portugueses é cerca de três vezes superior à da restante população. Em 2009, houve 20,8 suicídios por cada 100 mil idosos, enquanto na população com menos de 65 anos, a taxa foi de 6,3 casos por 100 mil habitantes. A taxa global foi de 7,9.
    “Já é assim há dezenas de anos”, observa o psiquiatra Carlos Braz Saraiva. Dos 1025 suicídios registados em 2009, 419 vitimaram pessoas com 65 anos ou mais. Mas a dimensão relativa do problema entre os mais velhos é ainda maior, se feitas as contas às vítimas com mais de 50 anos de idade.
    Em 2009, 675 dos 1025 indivíduos que se mataram já tinham passado aquela idade. E nos anos com os totais de suicídios mais altos, verifica-se que tinham mais de 50 anos 753 dos 1212 óbitos registados em 2002. Em 2003 e 2004, estavam nas mesmas idades 717 e 754 suicidas, entre os 1155 e 1205 contabilizados.

    REFORMAS QUE DELISUDEM
    Os especialistas apresentam explicações diversas para o fenómeno do suicídio entre idosos. A semana passada, num colóquio sobre Gerontologia Social, promovido pela Escola Superior de Educação de Coimbra, a psicóloga clínica Ana Cabete falou do suicídio como o culminar de “um sofrimento que parece não ter fim” e que é mais comum a partir dos 40 anos, a fase da vida em que se experimenta a “crise da meia-idade”.
    “Quando caminhamos para a reforma, criamos expectativas. E quando se faz o balanço entre as expectativas e a realidade, muitas vezes há um sentimento de desilusão e perda. Perda de papel social, de capacidades físicas e intelectuais, de familiares”, sintetizou Ana Cabete, ao apresentar um trabalho partilhado por Carlos Braz Saraiva.
    Os problemas apontados pela psicóloga surgem muito associados ao isolamento dos idosos ou, numa terminologia que o psiquiatra Braz Saraiva considera “mais antropológica”, à solidão. “É o que se verifica no Alentejo”, ilustra o psiquiatra, sobre a região portuguesa que tem tido taxas mais elevadas de suicídios, nomeadamente, entre idosos. Ao envelhecimento e isolamento da população, Braz Saraiva acrescenta, entre outros factores, a falta de apoios médico-sociais, a baixa religiosidade e a personalidade melancólica dos alentejanos.

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