Canalha em Auto-Felação Falhada

Esta narrativa da vida foda-se real, ilustra os perigos puta que os pariu de certas famílias de classe média-alta que não orientam devidamente os seus rebentos no sentido do amor ao próximo, assim-tipo como se o coiro do próximo fosse o deles.

É extraordinário que um feixe de rapazolas, após consumo de bebidas alcoólicas, tenha decidido sacudir o tédio a atear fogo a uma casa-pardieiro para ver os sem-abrigo que lá estavam a fugir, assustados, saltar pelas janelas de um segundo andar, partir os ossos do pânico, no processo. Mais extraordinário ainda é que tais montes de merda não mostrem arrependimento pelo acto cometido.

É caso para pensar se não lhes passou pela cabeça ser governantes. Talvez um dia pudessem atear fogos mais vistosos, sacudir as piças, atirando a vida feita de professores, médicos e enfermeiros, pelas janelas insustentáveis do sistema. Nada mais divertido que milhares desprevenidos e sem chão a meditar sobre o significado de emigrar.

A classe média-alta pode ser fodida e, por vezes, acaba mesmo por parir as decisões mais sádicas sobre gente lamurienta cujos contratos com o Estado nunca estão afinal tão blindados como os deles-classe média-alta. E sem vestígios de arrependimento.

Comments


  1. Primeiro tive que pôr uns “piiiiiiiiis” sobre algumas palavritas! :)Depois disso li atentamente, e cheguei à conclusão que está coberto de razão quanto ao comportamento abjecto desses “meninos”!

    Eu, que já sou burra velha, tenho-me apercebido, no meu dia-a-dia, e ao longo dos anos, da degradação galopante de valores essenciais como o respeito pelos outros, o respeito pela vida, o sentido de entreajuda, o sentido dos limites, etc. É coisa que me choca e pergunto a mim mesma, tantas vezes, como foi possível chegar a estes níveis de aviltamento da pessoa humana.

    Mas depois ponho-me a apreciar paizinhos e criancinhas e fica explicado o mistério. A criança cresce, hoje em dia, como se de um um reizinho tirano se tratasse, sob o olhar impávido e estupidamente orgulhoso dos paizinhos. Os “eu quero”, “não vou”, “não faço”, “já te disse”, encenados com birras, batidelas de pés, coisas arrojadas ao chão e gritos estridentes capazes de fazer perder a cabeça a um santo, são comportamentos perfeitamente comuns.

    Se não se podam as árvores, os ramos, crescendo, vão certamente invadir o quintal do vizinho!


    • Nem mais!
      Há dias alguém dizia num programa de tv que hoje se educam as crianças como se de infantes se tratassem e é verdade.
      E o retorno só pode ser o que vamos vendo por aí.

  2. palavrossavrvs says:

    Nem mais. Brilhante reflexão, caríssima.

  3. maria celeste ramos says:

    Pois é brilhante o que escreveu Isabel G – o problema é que hoje – disse hoje – mas vejo (e oiço) várias vezes – 3 mães do condomínio (condomínio inaugurado em 2003 abatendo-se uma mata selvagem onde até havia corujas e mochos e melros e um bando de pássaros (tudo desapareceu arrancado para o condomínio – e até consta que a habitação nem está paga por muitos) dos possidente de topos de gama e não só Estes vizinhos fazem exactamente o mesmo que os filhos, alguns que conheço e com alguns falo pois ainda me vêm na mesa ao lado, e que são do mesmo local – Hoje também, meninos da mesma idade (15 e 17 anos) estavam abismados com o comportamento das mães dos seus vizinhos – meus vizinhos também – Entretanto em fev 2012 muitos topos de gama desta minha rua foram rebocados por não estaram pagos,tantos que passou a haver lugar de estacionamento – Ainda ouvi hoje dizer a uma das senhoras “ponha na conta” na pastelaria e sei, igualmente, que na mercearia onde vou diariamente, fazem o mesmo e sendo o proprietário muito correcto, por acaso vi e confirmou, que se ficava a “dever” – Foi-me igualmente dito já este ano que FALIU uma mercearia perto desta exactamente porque ninguém pagava, o que acho grande pena já que era a única que tinha legumes e fruta e peixe nesta rua, porque entretanto faliu uma só de peixe e outra de “congelados – E vai tudo fechando dois de 3 talhos, ficando apenas UM – de mais de meia dúzia em duas ruas cruzadas perpendicularmente (ruas mais importantes que são os eixos de implantação de todo o bairro desenvolvido nos 4 quadrantes, fecharam todas as mercearias do bairro – restam duas mercearias e um talho – os meninos são filhos de suas mães e como tal se comportam e gritam como se até o espaço público lhes pertencessem e tomam conta de tudo a não há mais ninguém nem silêncio normal para ler o jornal – MAs faliram lojas de roupa que eram de há tantos anos e de duas ficou apenas uma papelaria


  4. Muito obrigada, caro Joaquim e cara Maria Celeste!

  5. edgar says:

    A impunidade incompreensível de altos responsáveis a quem tudo parece ser permitido e a violência que é exercida sobre os trabalhadores e o povo tem efeitos de contágio com tendência para o agravamento.
    Quem semeia ventos …

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.